terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Paira dúvida atroz sobre a humanidade a qual pertencemos


A atitude necessária para se viver apesar do mal é conquistada por cada um de nós- e não por um eleito ou alguém especial, e as verdades eternas precisam ser geradas novamente e não transmitidas mecânicamente
Jung

O homem é sim capaz de tudo, nós somos capazes de tudo. É preciso alguns preceitos para a nossa mais completa degeneração. É necessário que massas inteiras sejam deslocadas de seu solo e concentradas nas cidades e industrias, sufocando-se numa ocupação unilateral de modo a perdermos todos os instintos sadios, mesmo o da autoconservação, aumentando, em contrapartida, as esperanças no Estado. Assim se espera em todos (=Estado), menos em si mesmo. Iupi! Todos se apoiam uns nos outros, num falso sentimento de segurança- o apoio de 10 mil é como um apoio no ar. Vida de gado, a esperar do Estado-pastor bons pastos. Só um impostor pode querer assumir a responsabilidade pela existência de um outro- a assistência estatal produz cordeiros e pessoas infantilizadas, retirando do indivíduo responsabilidades. Os outros é que são culpados.
Que povo deixou-se convencer pelos gestos ridículos e patéticos de Hitler se não refletisse a histeria dele próprio? O espantalho psíquico, como diz Jung, demagogo, de presunção delirante, inteligência mediana histérica e uma fantasia de poder adolescente. Os movimentos do führer bafento eram todos artificiais e preestudados por um cerébro histérico que só se preocupava em causar impressão. Entretanto, foi elevado aos céus, tendo sido considerado até o "salvador". Monstros no poder. O cajado do pastor se transforma em vara de ferro, e os pastores em lobos. O pior é que respiramos aliviados quando colocamos a responsabilidade em cima de um psicopata.


Excertos adaptados de Psicologia em transição, de Carl Jung

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Toco tu boca


Fragmento de Rayuela, de Julio Cortázar:

Toco tu boca, con un dedo todo el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más cerca y los ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos, donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.

Acasos...

Bonjour Luciane,

J'ai aimé ton blog!

Et quelle coïncidence quand j'ai vu dans ton blog: Pergunta ao meu cavalo

Tu sais qu'il y a un artiste que j'adore, qui est de la même région que moi en France,
il est connu nationalement, il a une chanson intitulée: Demandez à mon cheval.

Il s'appelle Florent Pagny.
C'est une chanson pour son cheval (aujourd'hui, il vit en Patagonie argentine avec sa femme argentine).
Il écrit cette chanson pour dénoncer le monde libéral, le monde de la consommation, de l'argent...
Ce n'est pas ma chanson préférée mais je reconnais que les paroles sont intéressantes.
Bise et bon week-end
Jacqueline

(A Jacqueline Petkovic é professora de francês em Porto Alegre, interessados entrem em contato pelo e-mail:fbureau@terra.com.br)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mulher, erotismo e literatura

Anïs Nïn/1973
Anaïs Nïn afirmou, lá pela década de 70, que sempre que as mulheres pretendem revelar algo de sua sensualidade suas vozes são abafadas- menos abertamente que a queima de livros de H.D.Lawrence ou o banimento das obras de Henry Miller ou James Joyce. As mulheres, mesmo nos dias atuais, sofrem julgamento moral sobre sua franqueza. Lembro-me perfeitamente o tom da entrevista de Jô Soares com Catherine Millet, sobre o livro A vida sexual de Catherine M. No entanto, nunca se faz julgamento moral sobre o comportamento das personagens de Henry Miller, por exemplo (talvez, no passado, objeções à sua linguagem).
Nïn diz que devemos deixar extravasar essa nossa consciência. Não imitar os autores homens, tratando a sensualidade com humor, obscenidades ou caricaturá-la. É bom, mas apenas uma maneira de relegá-la a experiências fortuitas e sem importância.
A literatura erótica dos homens, ainda hoje, não satisfaz às mulheres, porque nossas necessidades, fantasias e comportamentos eróticos são diferentes. A maioria não se sente excitada por descrições explícitas, por uma linguagem crua. Tudo bem, a escrita deles é um testemunho honesto do desejo, mas na maioria das vezes com linguagens agressivas e brutais sem se preocuparem com a reação da mulher. A corte romântica, ensinada pela Kamasutra, passa longe.
Nïn diz que, no primeiro diário de autoria de uma mulher (em 900), os Contos de Gengi, de Lady Murasaki, o erotismo é extremamente sutil e poético, localizando-se por exemplo no pescoço nu entrevisto. O que há escrito hoje por mulheres? O Segredo do Escorpião, da Bruna Surfistinha, e mesmo o livro de Millet exercitam esta aproximação direta dos homens. É o reflexo do puritanismo que torna a sexualidade animal e é exatamente isto que destrói o erotismo- a pornografia trata a sexualidade de maneira grotesca, rebaixando-a ao nível animal. O erotismo desperta a sensualidade sem precisar rebaixá-la. Ainda hoje é necessário que se crie uma literatura erótica completamente diferente da masculina: do " caçador", do "garanhão".
Ligar o erotismo à emoção, ao amor,personalizar, individualizar: esta foi a tarefa sugerida por Nïn há cerca de 40 anos e que se faz necessária até hoje. Mas não apenas invertendo o papel com o homem, mas manifestando seus sentimentos e é isto que terão de exprimir em seus livros. "A imitação do homem não conduz à liberdade", diz Nïn. É preciso novos modelos. É preciso uma literatura erótica feminina, sem a impressão vergonhosa ou o desprezo. Uma literatura que reconheça a natureza sensual da mulher, a aceitação de suas necessidades, dos diversos temperamentos femininos. A mulher tem que escrever sobre sua sensualidade com orgulho e alegria, com suas mil facetas, milhões de formas, de objetos, situações, atmosferas e variações. Estamos num tempo em que o passado superado testemunhou a liberação sexual através dos rituais coletivos e que já agora o encontro entre duas pessoas, como ritual essencial e intenso, é bem difícil: tempo de amores casuais ou ff (foda fixa). Como as mulheres se sentem? Tomara haver cada vez mais escritoras a exprimir seus sentimentos, falar de suas experiências.
Excertos adaptados: Em busca de um homem sensível, de Anaïs Nïn

Cronicando



Natália Nunes Setúbal, minha colega da Oficina Literária com o professor Moacyr Scliar,que aconteceu este ano no Espaço de Oficinas Literárias Charles Kiefer, participa do livro Cronicando, lançado em oito de dezembro na Livraria Cultura. Constituem a obra trabalhos de mais 13 cronistas que passaram pela oficina de Ivette Brandalise.
O livro tem a orelha "benta" do professor Luiz Antônio de Assis Brasil, pioneiro no Rio Grande do Sul em oficinas literárias, e promete surpreender os leitores pelos temas abordados, forma de abordagem, criatividade e diversidade de estilos.
A Editora é a Mais Q Nada, e os participantes, além da Natália, são: Andrea Loureiro, Carmen Silvia Presotto, Cleonice Fochesato, José Indio Alves, Ketty Nahum de Nahum, Luciana Grimm, Luizilla Sfoggia, Márcia Tostes de Escobar, Mikita Cabelleira, Natália Nunes Setúbal, Nina Rosa Roig, Regina Starosta, Valesca de Assis e Vanessa Sila.

Espaço de Oficinas Literárias Charles Kiefer

Charles Kiefer adianta que em 2010 vai "oficinar" menos e escrever mais. "Meu último romance está parado desde fevereiro de 2009", afirmou. Por isto as aulas de oficina literária de terça-feira da Palavraria não acontecerão no que vem, somente as atividades da Itororó (Espaço de Oficinas Literárias Charles Kiefer). Haverá recesso apenas em fevereiro.
O Espaço oferece, em janeiro, curso com Regina Zilberman (Mitos femininos na Antiguidade) nos dias 04, 11, 18 e 25, segunda, às 18h-20h. Já nos dias 05, 12, 19 e 26, terça, 18h-20h, é com Juremir Machado da Silva (Por uma literatura do cotidiano, a pós-modernidade). Há vagas.
Informações: oficinack@cpovo.net

Em teu nome



A Jacqueline Petkovic está convidando a todos para assistirem Em teu nome do diretor gaúcho Paulo Nascimento no qual participou como atriz (ela dá aulas de francês em Porto Alegre, interessados fbureau@terra.com.br). O filme é baseado na história real do estudante brasileiro João Carlos Bona Garcia, exilado político da década de 1970.



Bonjour Luciane,

J'ai travaillé dans un petit rôle où je suis fonctionnaire de l'ONU.
la scène a été tournée à Paris. Si tu entre dans le site officiel du film,
tu clique sur traler (la bande-annonce), je suis là!.

Et dans cette vidéo, à la fin, tu vas avoir des détails.

Bise et bon week-end
Jacqueline




Jacqueline no filme

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Entrevista a Leonora Carrington



Por Cristina Carrillo de Albornoz

Fonte:http://www.festivaldepoesiademedellin.org/pub.php/es/Intro/index.htm


A sus 88 años, esta gran dama del surrealismo es toda una leyenda. Es más, sigue sorprendiendo al mundo con la imaginación y la audacia de sus creaciones. El Museo de Bellas Artes de México le dedica ahora una gran exposición. Allí la hemos entrevistado.

Su vida ha sido intensa y tumultuosa. Sus amigos y sus amores, entre los más escogidos genios del pasado siglo: Max Ernst, André Breton, Emerico Weisz, Picasso, Peggy Guggenheim. Pero más allá de su peculiar y excéntrica personalidad, esta señora del surrealismo, atraída por la mitología celta y el arte del Renacimiento, por el ocultismo y el mundo del subconsciente, se ha apoyado en la vida familiar. De todo ello nos habla en su casa de México.

XLSemanal. Sorprende el tamaño de más de dos metros de altura de sus esculturas.

Leonora Carrington. Yo sólo diseñé la maqueta. Soy demasiado vieja para hacerlas tan grandes sola. Pero las tres dimensiones me sientan bien.

XL. Usted tiene más fe en los animales, una constante en su obra, que en las personas. ¿Tan terribles somos?

L.C. Como sabe, no hago una separación entre humanos y animales. Tenemos un alma humana, pero también de animal. No creo que los seres humanos sean una raza muy divertida. Se está creando un mundo horrible, lleno de guerras absurdas, odios feroces e injusticias. Todo ello habla de la calidad de los animales humanos. Estoy convencida de que la raza humana no es superior a la de otros animales. Creo que el mundo animal es universal, pero su potencial no ha sido explorado. Mis pinturas preferidas son las de las cuevas de Altamira.

XL. ¿Qué animal tiene ahora?

L.C. Una gata que no se llama de ninguna manera y está tan vieja que sólo tiene un diente.
XL. Usted era una buena jinete…

L.C. Hace tantos años que ni me acuerdo, pero lo cierto es que adoraba los caballos. De niña, cuando comencé a pintar, todo eran caballos.

XL. ¿De ahí viene su famoso autorretrato con el caballo de juguete?

L.C. Ese caballo lo encontré en un chatarrero en París y lo tuve conmigo mucho tiempo. Lo pinté cuando Max (Ernst), Marie Berthe (que era su esposa) y yo estábamos en Saint Martín d’Ardèche, en el sur de Francia. No sabría decir por qué.

XL. En cualquier caso, es un animal clave en la mitología celta.

L.C. Así es; es como el renacer, un ser que conecta el subconsciente con el mundo real; el mundo masculino frente al femenino, pero no es la razón de que esté en mi autorretrato. Mi principio de vida, como artista, es no explicar nada. Las imágenes llegan, pero no sé de dónde vienen. Sospecho que del subconsciente universal. Aunque no puedo discernir qué es mío, ni de qué parte de mí surge lo que hago. Muchas veces, los personajes suben solos a los cuadros.

XL. ¿Tiene algún sueño?

L.C. El máximo es saber qué pasara después de la muerte. Es lo que más me gustaría conocer. Los sueños son lugares y la muerte, también. Cada ser humano se convierte en una personalidad diferente al dormir, y lo mismo sucede al morir. Son lugares en los que la tercera dimensión desaparece, de la misma forma que se evapora el consciente.

XL. ¿Qué expectativas tenía cuando empezó a pintar?

L.C. Nunca las tuve. Yo no decidí ser pintora. La pintura lo decidió por mí. Me escogió y me inventó y yo simplemente lo he hecho lo mejor que he podido. Estudié mucho en Londres, en París, en Italia. Necesitaba la técnica, no ideas, porque cada uno tiene las suyas. Continúo estudiando. Me considero una eterna estudiante.

XL. La pintura es un arte solitario. ¿Es usted de las personas que disfruta de la soledad?

L.C. No, no me gusta. Trato de entenderla, porque uno no puede aceptar algo que no entiende. Y cuando digo entender, me refiero a con todo el ser, con los centros vitales que tenemos, las sensaciones, las emociones.

XL. ¿Qué concepción de la pintura tiene? ¿Qué ritmo de trabajo lleva en la actualidad?

L.C. Este arte es como un centro donde todos los lugares invisibles de la mente se vuelven visibles. Sólo pinto cuando siento energía, pero continúo viviendo cada día por y para mi trabajo. Pintar es para mí un oficio artesanal, como el de los carpinteros que usan las manos y el cuerpo para crear una visión. Es algo artesanal y ese procedimiento está desapareciendo. Los surrealistas eran muy buenos en ese sentido. Picasso, que venía a visitarnos a Max y a mí, era ante todo un gran artesano.

XL. ¿Qué siente ante esa pérdida en el arte moderno?

L.C. Una gran lástima. Perder la habilidad artesanal es perder la sabiduría, porque al final sólo un buen artesano puede producir con el alma y el corazón.

XL. Su vida con Max Ernst sólo duró dos años, pero ¿fue él su gran amor?

L.C. Fue amor a primera vista. Me fui con él y mi compañero, Serge Chermayeff, me llamó puta. Yo le contesté: «Así son las cosas, ¿qué quieres que haga?». Fue maravilloso. No puedo decir que fuera la relación más importante; fue un gran amor y un gran mentor. Pero no creo en superlativos ni en categorizaciones. Sin embargo, Max me mostró otro universo y me llevó por caminos a los que en mi pequeña vida ordinaria de burguesa jamás habría tenido acceso. Lo adoraba como artista y como intelectual. Era distinto de los demás surrealistas. Una persona muy complicada.

XL. Los surrealistas tenían una concepción de la mujer que no le va nada a usted. La consideraban un adorno. La mujer era la musa.

L.C. Completamente. La tumbaban desnuda y con una sonrisa en un diván, y allí la dejaban. Pero Max era distinto. Nos veíamos con ellos en el campo, en Saint Martín D’Ardèche. Fue uno de los periodos más fecundos de mi vida. Lo que yo nunca fui es la mujer-niña que Breton quería ver en las mujeres, ni consentía que me trataran como tal. Pero tampoco ambicioné cambiar al resto. Simplemente aterricé en el surrealismo; nunca pregunté si tenía derecho a entrar. En el fondo, siempre he trabajado muy aislada, en mi mundo.

XL. ¿Qué le gustaba de Breton?

L.C. Lo admiraba profundamente. Era muy inteligente, pero muy dominante.

XL. ¿Ha leído El amor loco, de Breton?

L.C. No leí nada de él, pero sé que en ese libro ofrecía una visión muy romántica del amor y de su mujer, Nadja. La realidad es que cuando ella se volvió loca, la dejó sola.

XL. Los surrealistas eran en el fondo unos románticos. ¿Usted lo es?

L.C. El romanticismo ayuda. Es innato, una forma de poder tragar las tragedias. Y yo, que no soy diferente a ninguno de mis amigos, también soy romántica. Sin embargo, he desarrollado un sentido muy práctico de la vida.

XL. Decía que Picasso les visitaba con frecuencia…

L.C. Me impresionaba. Era ya muy mayor y yo muy joven. Muy español, muy macho. Quien me parecía muy divertido, y nunca se tomaba en serio, era Duchamp. Es una actitud que comparto.

XL. Fue amiga de muchas mujeres artistas...

L.C. Sí, de Lee Miller, Leonor Fini y Meret Oppenheim. Y Remedios Varo… Necesitaba amigas. Crecí con tres hermanos y con el concepto opresor de los hombres sobre las mujeres, algo que nunca he tolerado. Aunque se ha avanzado, todavía hay muchas mujeres sometidas. Y no es que seamos mejores que los hombres, pero reclamo el derecho a vivir, a ser como ellos. «El inconveniente de las mujeres –como decía Breton, obsesionado por el cuerpo femenino– es que son el más maravilloso y perturbador problema del mundo.»

XL. Breton decía que Max Ernst proyectaba luz interior a los demás. ¿Era así?

L.C. Así era, un ser que irradiaba luz. Siempre sonreía. El París de antes de la guerra era un lugar increíblemente productivo; nos reuníamos en el café en St Germain-des-près, hasta que un día Hitler comenzó a ser el principal tema de conversación. Pronto acabó aquella felicidad. Al comenzar la guerra, al que tenía un poco de inspiración o decía algo distinto con su arte, lo llevaban a un campo de concentración. Fue una confusión mental terrible. Pensaban que los artistas pertenecíamos a otra raza.

XL. Y en un sentido positivo ¿no era así?

L.C. Los artistas somos simples seres humanos, como el resto…

XL. … divertidamente excéntricos.

locuras perniciosas. Siempre he tratado de ser lúcida. Nunca acepté las normas ni las leyes dadas. Me horrorizan; siento un fuerte rechazo por la autoridad, que exista el código que establece lo que es normal y no. Pero las cosas son más complicadas de lo que parecen y las creencias dependen de cada país. Hay un subterráneo infinito. Para muchas civilizaciones, ese subterráneo es parte de la cultura. Sin embargo, nuestra civilización occidental, gobernada por lo llamado ‘racional’, es más rígida. La realidad es mucho más compleja de lo que imaginamos y por ello no se puede actuar sólo en un marco racional.

XL. Una lectura que le ha seguido desde niña es la de Lewis Carroll.

L.C. Es maravilloso y su lógica, nada absurda. Además, era un gran matemático.

XL. Tras tantos años en México, ¿se siente europea?

L.C. Me siento bastante europea. Actuando y en mis costumbres, me reconozco como tal. Mi idioma es el inglés, aunque ahora lo mezclo con el español. Mi madre era irlandesa y, probablemente, sea ésa la razón de mi creatividad celta y de mi atracción por Irlanda, un país de mente surrealista. Se conoce a los irlandeses y a los celtas por las hadas, los gigantes, los elfos, los gnomos... Esa mentalidad me vino de forma natural.

XL. La primera vez que supo de surrealismo fue cuando su madre le regaló por Navidad el libro Surrealismo, de Herbert Read. ¿Recuerda su reacción al leerlo?

L.C. Sentí una completa afinidad. El surrealismo es un estado de espíritu, sin más, que no se puede explicar.

XL. ¿Cree en el destino?

L.C. He pintado de una forma nada planeada, inconsciente; quizá podría llamarlo suerte, destino, inspiración, o como decía Breton: «El azar objetivo». He cambiado porque ahora sólo estoy segura de que soy completamente ignorante, de que no sé nada. Por ejemplo, ¿qué sabemos de la muerte?

XL. ¿Tiene miedo a la muerte?

L.C. Sí, mucho. Sin embargo, creo que nos la han explicado mal. La diferencia entre vida y muerte no es tan clara y, para entender la muerte, hay que entender todos los lugares en nosotros, y los sueños son lugares.

XL. ¿En qué cree usted?

L.C. Más que creer, tengo opiniones muy fuertes sobre algunos temas. No hacer daño a los demás. Luchar contra la injusticia. Siempre he tenido fe en el amor. Ahora, eso se proyecta de forma intensa en mis dos hijos. Mi amor ahora es maternal.

XL. Dice que lo más convincente que ha encontrado es el budismo tibetano. ¿Por qué?

L.C. Mis padres eran estrictos católicos, pero, a mí, ninguna religión me ha convencido. Sin embargo, me he sentido cerca del budismo tibetano. Sus creencias son extraordinarias y siguen prácticas que intelectuamente son muy satisfactorias. Pero el budismo no era para mí. Siempre he intentado descubrir algo que se conectara con mis experiencias. Por eso las teorías de Jung, al que conocí antes de la guerra y que estudié mucho en los 60, me interesaban.

XL. Se comprende que las tradiciones mexicanas no le hayan influido.

L.C. Son tradiciones maravillosas, pero cada país tiene una tradición mágica, y nuestra actitud hacia lo desconocido tiene que ver en ello.

XL. ¿Qué le atrae del mundo de hoy?

LC. Lo que queda del ayer, los árboles, los animales. A mí, la belleza es lo que me impacta.

XL. ¿Siente que vive más allá de la realidad?

L.C. Mi marido está incapacitado y tengo que cuidarlo. Además, tengo que ocuparme de la casa. Todo eso roba tiempo y devora la creatividad. A mis 88 años, me encantaría deshacerme de casi todo lo que tengo, de las montañas de papeles y cajas de libros que ya no releeré, y vivir en una casa con una pequeña cocina y un cuarto de baño. Como le decía, la realidad es demasiado compleja. Se cuela por cada poro de nuestra existencia.

Dez razões para se tornar vegetariano

domingo, 6 de dezembro de 2009

Não choveu,

embora o tempo tivesse se armado, denso, nem frio, nem calor. Um professor de física que tive explicou que o calor tanto pode ser frio, quanto quente. Ele foi inesquecível porque se doava, a subir em cima da mesa afim de explicar um exercício e tal. Quando o filho pequeno morreu como um dia qualquer, dizem que o colocou dentro do carro e saiu para a periferia da cidade, a ter com ele último momento de companhia. Hoje não fez calor frio ou quente- morno, porque trabalhei. Cá estou em casa para alimentar a gata, os cães, as formigas. Vi uma barata.


Maggie taylor

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Inés Mendoza recomienda “El séptimo caballo”, de Leonora Carrington



Partiendo de la idea de que tanto la lectura como la escritura de un texto vivo surgen de una necesidad de cambio, es difícil elegir un solo libro de cuentos que te haya “atravesado”, porque, obviamente, los textos que experimentas como una transformación están dispersos en varios libros. No sé, “Vera” de Villiers, “El balcón” de Felisberto Hernández, “Silvia”, “Ante la ley”, son, entre otros muchos, relatos dispersos que no sólo me han formado, sino que además me han revelado algo, que es, creo, lo que hace la verdadera literatura.
Y eso sin entrar en la vaguedad del término “cuento” (¿acaso el banquete de los Girondinos de Lamartine no es un relato?); pienso en “El Barón Rampante”, “Viaje al Centro de la Tierra”, “Bartleby”, “La Cruzada de los Niños”, que más que novelas son extraordinarios cuentos largos.
Sin embargo, hay un libro de relatos que, además de haber tenido en lo personal -y casi íntegramente- el valor de una revelación, se acerca bastante a aquel enunciado de Bataille de que “el arte, cuando es verdaderamente arte, procede (…) mediante sucesivas destrucciones”, entendiendo, por supuesto, destrucción como transformación. Me refiero a “El Séptimo Caballo” de Leonora Carrington.
Si –como supongo- todos nos hacemos preguntas al emprender una lectura, una de mis preguntas recurrentes es qué es lo que el autor quiso o quiere destruir/construir con su texto, sea escritura o no. Pues bien, según este baremo de Bataille que he hecho mío, “El Séptimo Caballo” es un libro que opera una “destrucción” de lo que conocemos como “realidad”. Y como toda propuesta verdaderamente vital, me atrevo a decir, esta destrucción surge acompañada de su correlato de elaboraciones simbólicas.
La sensibilidad única de Leonora Carrington (que hace poco ha cumplido 90 años) consigue que elementos tan divergentes como los del imaginario cristiano, oriental, medieval o contemporáneo, concurran a realizar la idea surrealista de la unión de los contrarios. Pero esta unión no ocurre sólo en el lenguaje, sino también en la estructura misma de la trama, una estructura fragmentaria. De esta manera, los cuentos de “El Séptimo Caballo”, como los de otros libros y también los cuadros de esta gran artista, logran una atmósfera fuertemente onírica, que se apoya en un lenguaje de exquisita factura.
Y aún así, ¿de qué tipo de “ensoñación” estamos hablando? Porque a estas alturas, pienso, no necesitamos más fantasía: el hombre actual ya tiene demasiado Imaginario. Tampoco, me parece, tiene mucho sentido el realismo “cinematográfico” en un mundo que promueve la escasez de pensamiento. Lejos de ello, las historias de este libro de incuestionable vigencia (aunque escrito entre 1937 y 1942) transcurren no en el espacio –un poco recetario últimamente- de “lo fantástico”, sino en el de lo onírico “pesadillesco”, aunque respiran también cierto aire de lo puramente maravilloso. No son, no obstante, cuentos “maravillosos” en el sentido de las clasificaciones de Todorov, a pesar de su atmósfera hermética; se trata más bien de textos de una fina ironía, a veces cruel, en los que los personajes, especie de elaboraciones simbólicas enraizadas en diversas tradiciones míticas (la Biblia, por ejemplo) giran alrededor del vacío humano, mientras van recorriendo lugares, atravesando paisajes, y destruyendo/recreando, en esa travesía, el mundo lamentable del “sentido común” que conocemos.


Inés Mendoza (Caracas, 1970) es escritora y arquitecta. Desde 1999 vive en Madrid. Ha colaborado con artículos, reseñas y relatos en medios de varios países. Premiada en el concurso de ensayos “El futuro es ya”, ha recibido igualmente el XI Premio de Narraciones Breves Villa de Torre Pacheco (2004) y el segundo premio en el Concurso Internacional casa de Teatro (2005), además de una mención en el Certamen Internacional de Letras Art Nalón (2006). Su trabajo como cuentista ha sido recogido en las antologías Tifoidea y otros cuentos, Voces Nuevas y Parábola de los talentos. Es miembro del colectivo surrealista La llave de los campos.

Fonte: http://masacreenlosjardines.wordpress.com/2008/09/23/153/

Tres cuentos




Leonora Carrington


EL CUENTO FEO DE LA MANZANILLA
Angelito estaba enfermo. Tenía gripa.
Su mamá lo encerró en su cuarto.
őAngelito, no te vayas a levantar de tu camita ődijo.
őNo mamá őcontestó Angelito.
Apenas se fue, Angelito se levantó y abrió la ventana.
Abajo pasaba una señora.
Angelito le hizo pipí encima.
La señora dijo: "Está lloviendo", y corrió.
A Angelito le gustó esto.
Tomó más té de manzanilla, para tener más pipí.
Pasó un señor y Angelito volvió a hacer pipí.
El sombrero del señor estaba todo mojado de pipí
őšTe pego! őle gritó muy enojado.
Angelito se escondió.
El señor se fue gritando. őšGente cochina!
Angelito se quedó en su cama hasta que vio venir al elefante
y el caballo.
Les hizo pipí.
El elefante subió al cuarto y se comió la camita de Angelito.
El caballo se subió sobre el armario y chupó la pintura de la pared.
Después hizo caca en el té de manzanilla.
őƑ Ya ves ? ődijo el elefante.

EL MONSTRUO DE CHIHUAHUA

En su tiempo de luna pequeña, camina el monstruo por esta
calle.
Se llama Chavela Ortiz.
No tiene domicilio.
Ni esposo.
Ni madre.
Ni padre.
Ni hijos.
Pero sí tiene seis patas
y una joya de oro y perlas, donde guarda
el retrato de Don Ángel Vidrio González
őJefe del Departamento Sanitarioő.
El monstruo dice:
Cincos y cuatros.
Cincos y cuatros.
Cincos y cuatros.
5 y 4; 5 y 4; 5 y 4 . . .
después hace el total.

CUENTO NEGRO DE LA MUJER BLANCA
La mujer blanca se vistió de negro.
Todito negro y negro.
Hasta sus mismas pijamas y su jabón.
Negro y negro todas sus cosas.
Como la noche, como el carbón.
Pero
Cuando lloraba aquella mujer
sus lágrimas eran azules
y verdes como los periquitos.
Lloraba mucho aquella mujer
y tocaba la flauta.
La
Mujer
Blanca
Vestida
De
Negro
Llorando
Y
Tocando
Su
Flauta.

Fone: http://www.jornada.unam.mx/2005/10/02/sem-cuentos.html

"Julio Cortázar: sus bregas, sus logros, sus quimeras"

Prólogo de Saúl Yurkievich de la edición de "Obras Completas de Julio Cortázar", cedido por Círculo de Lectores a Aviondepapel.com.

http://www.aviondepapel.com/cortazar/resenas/prologo.pdf

Termos literários para escritores

http://www.aviondepapel.com/encabina/encabina.htm

22 dogmas en torno al cuento breve


La Llave de los Campos aglutina a un grupo de escritores de cuentos, opuestos a la devastadora “normalización” de los usos y las prácticas en la escritura de ficciones, bajo el género hegemónico, históricamente regresivo –y cada día más excluyente- de la novela.

Denunciamos –en este sentido- el carácter uniforme, formulario, mecánico, conformista, banal, acrítico y profundamente imbécil de la mayoría de los productos editoriales que bajo el nombre de “novelas” renuevan cada mes la oferta del mercado.

Denunciamos la degradación de la novela a una variante escrita del telefilme. Denunciamos la conversión de la narrativa –a manos de los trusts editoriales- en un arma de docilización masiva.

Y denunciamos, por extensión, a los autores que se pliegan igual que niños obedientes a esta mistificación indigna, con la esperanza de constar –méritos no les faltan- en la lista de “los más vendidos”.

Dentro del territorio que nos es propio –el cuento–, deseamos, por lo mismo, desterrar de una vez el realismo de consumo, caduco y caligráfico, que no ha sido tocado por la crisis de la Modernidad, la invención insurgente, el coraje de la exploración y el norte irrenunciable de la utopía; y a este fín, enunciamos de un modo dogmático, y con carácter apremiante, las siguientes medidas de higiene estética:



22 dogmas en torno al cuento breve


1.- Prohibido escribir historias basadas en hechos reales.

2.- La verosimilitud de un cuento no deberá apoyarse en su supuesta “semejanza” con la realidad, sino en la coherencia interna – discursiva y/o estructural- del texto.
(Declaramos pieza de museo la narración figurativa. Escupimos sobre la tumba del realismo.)

3.- Prohibido alterar la secuencia cronológica del argumento con el fin de reforzar su interés.

4.- Prohibido dotar a la historia de un atractivo pueril, que dependa del escamoteo o la dosificación “estratégica” de información.

5.- Prohibidos los finales sorpresivos. Los finales felices. Los finales trágicos. Los finales demasiado concluyentes.

6.- Terminantemente prohibida cualquier historia apuntalada sobre una trama policial.

7.- El enunciador del texto –narrador o personaje- manifestará siempre su distancia (mediante la ironía, la incertidumbre, la intromisión reflexiva o de cualquier otra manera) con respecto a los hechos que narra.

8.- El cuento deberá mostrar su carácter de representación discursiva. La escritura habrá de tener intensidad, volumen, desfallecimientos, grietas. El cuento no debe querer decir algo. Debe querer decir.

9.- Prohibido escribir como habría escrito Carver, si hubiera sido idiota.

10.- Prohibido escribir de una manera “cinematográfica”.

11.- Prohibido escribir de lo que no se conoce. Prohibido escribir de lo que se conoce.

12.- La escritura de un cuento deberá transparentar sus influencias.

13.- Prohibida la “inocencia” (moral, política, histórica, estética, etc.)

14.- Prohibida la melancolía.

15.- Prohibidos los relatos protagonizados por “víctimas” (mendigos, vagabundos, oficinistas aburridos, amas de casa frustradas, presuntos niños del tercer mundo, putas de buen corazón…)

16.- Prohibido el casticismo. Prohibido el tono solemne.

17.- Prohibida la estereoscopía.

18.- Prohibido escribir bajo los efectos del alcohol o las drogas (Prohibido supeditar la ebriedad y el trance a algo distinto del propio acto de escribir.)

19.- Prohibido escribir un cuento cuando el autor ya conozca de antemano el final. Prohibida la premeditación. El relato es la huella que deja una deriva.

20.- El cuento deberá sustraerse a cualquier utilidad (didáctica, doctrinal, comercial, de entretenimiento, etc.)

21.- Prohibidos los cuentos de género (terror, romántico, viajes…) Prohibidos los cuentos ingeniosos.

22.- Prohibido escribir cuentos cuyo argumento pueda contarse fácilmente.

Fonte: LaLlavedelosCampos Escritura, creación e intervención surrealista

EL ENAMORADO

Leonora Carrington

Paseando al anochecer por una callejuela, hurté un melón. El frutero, que estaba escondido detrás de sus frutas, me atrapó por el brazo: “Señorita, me dijo, hace cuarenta años que espero una ocasión como ésta. Cuarenta años que me la paso escondido detrás de esta pila de naranjas con la esperanza de que alguien me arrebate una fruta. Y le digo por qué: necesito hablar, necesito contar mi historia. Si usted no me escucha, la entregaré a la policía.”

“Le escucho”, dije yo.

Me tomó del brazo y me llevó al interior de su tienda entre frutas y legumbres. Pasamos por una puerta, al fondo, y llegamos a un cuarto. Había allí un lecho en el que hacía una mujer inmóvil y probablemente muerta. Me pareció que debía estar allí desde hacía mucho tiempo pues el lecho estaba todo cubierto de hierbas crecidas. “Lo riego todos lo días”, dijo el frutero con aire pensativo.

“En cuarenta años nunca he llegado a saber si estaba muerta o no. Nunca se ha movido, ni hablado, ni comido durante ese lapso; pero lo curioso es que sigue estando caliente. Si usted no me cree, mire”. Y entonces levantó un ángulo de la cobija, lo que me permitió ver muchos huevos y algunos polluelos recién nacidos. “Usted ve, es el modo que utilizo para incubar los huevos (también vendo huevos frescos)”.

Nos sentamos a cada lado del lecho y el frutero comenzó a hablar: “La quiero tanto, créame. La he querido siempre. Era tan dulce. Tenía unos piesecitos ágiles y blancos. ¿Quiere usted verlos?” “No”, dije yo.

“En fin”, continuó diciendo con un profundo suspiro, “era tan hermosa. Yo tenía cabellos rubios, ella hermosos cabellos negros (ahora, los dos tenemos cabellos blancos). Su padre era un hombre extraordinario. Tenía una gran casa en el campo. Se dedicaba a coleccionar costillas de cordero. Por ese motivo llegamos a conocernos. Yo tengo una especialidad: sé desecar la carne con la mirada. El señor Pushfoot (ése era su nombre) oyó hablar de mí. Me invitó a su casa para desecar sus costillas a fin de que no se pudrieran. Agnes era su hija. Fue un amor a primera vista. Partimos juntos en barco por el Sena. Yo remaba. Agnes me hablaba así: “Te quiero tanto que vivo sólo para ti”. Y yo le decía lo mismo. Creo que es mi amor lo que la mantiene cálida; quizás está muerta, pero el calor persiste”. – “El año próximo”, prosiguió con la mirada perdida, “sembraré algunos tomates; no me asombraría que se desarrollaran bien allí dentro.” – “Caía la noche y no se me ocurría dónde pasar nuestra primera noche de bodas; Agnes se había vuelto pálida, muy pálida por la fatiga. Finalmente, apenas salimos de París, vi una cantina que daba sobre la orilla. Aseguré el barco y penetramos por la galería negra y siniestra. Había allí dos lobos y un zorro que se paseaban a nuestro alrededor. No había nadie más”.

“Llamé, llamé a la puerta que encerraba un terrible silencio. “Agnes está muy fatigada, Agnes está muy fatigada”, gritaba yo lo más fuerte que podía. Finalmente una vieja cabeza se asomó por la ventana y dijo: “No sé nada. Aquí el patrón es el zorro. Déjeme dormir: usted me fastidia.” Agnes se puso a llorar. No quedaba otro remedio: tenía que dirigirme al zorro. “¿Tiene usted camas?” le pregunté varias veces. No respondió nada: no sabía hablar. Y de nuevo la cabeza, más vieja que antes, que desciende suavemente desde la ventana, atada a un cordoncito: “Diríjase a los lobos; yo no soy el patrón aquí. Déjeme dormir, por favor”. Acabé por comprender que esa cabeza estaba loca y que no tenía sentido continuar. Agnes seguía llorando. Di varias vueltas alrededor de la casa y al fin pude abrir una ventana por la que entramos. Nos encontramos entonces en una cocina alta; sobre un gran horno enrojecido por el fuego había unas legumbres que se cocían solas y saltaban por sí mismas en el agua hirviendo; ese juego las divertía mucho. Comimos bien y después nos acostamos sobre el piso. Yo tenía a Agnes en mis brazos. No pudimos dormir ni un minuto. Esa terrible cocina contenía toda clase de cosas. Una enorme cantidad de ratas se había asomado al borde exterior de sus agujeros, y cantaban con vocecitas aflautadas y desagradables. Había olores inmundos que se inflaban y desinflaban uno tras otro, y corrientes de aire. Creo que fueron las corrientes de aire las que acabaron con mi pobre Agnes. Ya nunca más se recobró. Desde ese día habló cada vez menos”.

Y el frutero estaba tan cegado por las lágrimas que no tuve dificultad en escaparme con mi melón.

Tomado de “Antología de la poesía surrealista”. Aldo Pellegrini (Editorial Argonauta), Barcelona-Buenos Aires, 1981

Traducción de Aldo Pellegrini del libro de Leonora Carrington “La Dame Ovale” (1939, París)


Fonte:
lallavedeloscampos

Começa amanhã o maior Festival de Cinema Francês no Brasil

abandonados em tarefa de Sísifo


Se o sonho às vezes prevê coisas futuras, elas já estão escritas. Até que ponto então podemos realizar mudanças? Este não é o destino?
Uma patologia psíquica faz parte do destino de alguém? Quero dizer que, se alguém sonha com um homem do gelo, ainda criança, pode-se prever um destino trágico no futuro? Até que ponto este destino é tratável ou censurável, já que é destino?
.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Obras de escritores gaúchos em filmes

Comecei a ler Hotel Atlântico de João Giberto Noll e estou bem a fim de ver o longa metragem de Suzana Amaral, baseado na obra.

E, em primeiro de dezembro, no Santander Cultural, aconteceu lançamento do dvd Uma Valsa para Bruno Stein, de Paulo Nascimento, baseado no livro do Charles Kiefer, um dos meus preferidos. Espero gostar tanto quanto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

L'homme



Le jardin zoologique de Varsovie a inauguré une "cage à homme des cavernes" où l'on peut observer un couple déguisé en humains préhistoriques, pour rappeler que "l'homme est aussi un animal". (REUTERS/Peter Andrews)


Aulas particulares de francês: fbureau@terra.com.br

domingo, 29 de novembro de 2009

Os patos pagantes do Café Segredo




Hoje fui conhecer o lugar. De cara tinha uma fila gigantesca e demorada para entrar. Se não bastasse, muitos, muitos apenas cumprimentavam ou batiam na barriguinha do segurança e entravam direto, na maior cara dura. São os clientes "vips", explicou o segurança. O pesadelo mesmo aconteceu na hora de irmos embora- dos quatro guichês, apenas um funcionava na parte de cima, e uns quatro davam conta no andar debaixo (havia cerca de 900 pessoas). Mesmo na hora de pagar, os tais "clientes vips" também passavam na frente, tendo nós- reles pagantes, que aguentar uma eternidade nas filas. Só vi uma menina sair feliz lá de dentro: a amiga dela faz academia com o dono, e as passou na frente.
Cruzes, sei que é natural fila em festa, mas nunca havia passado por algo parecido.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A mãe



Quando tinha oito anos, minha mãe, para que nos mantivéssemos agasalhadas, comprou ceroulas nas lojas Pompéia- duas para mim e duas para minha irmã. Só que eram modelo masculino. Não tem importância, disse ela. Em compensação, no natal, ganhamos calças legging e meias dancing days.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

As personagens



Quando o escritor lusitano Manuel Jorge Marmelo foi executado na fogueira, por volta do século VII, no esquecido Massacre de Lisboa, sofri muito. Fui para um mosteiro em Rouen, de hábito cinza, tornando-me prior, escrito um livro de botânica e falecido com mais de 80 anos de idade. Marmelo era a senhora Usque naquela época (repara se hoje em dia ele não está quase sempre numa posição meio sentado, meio deitado no sofá, como Madame Récamier no célebre quadro de Davi). Cortázar, como eu, também foi um dos seus filhos, ao que ele ainda revela seu afeto maternal no blog Teatro Anatômico. Luiz Antônio de Assis Brasil, que era marido de Marmelo, traumatizado com a reação dos fiéis, nega até hoje qualquer força estranha, principalmente a autonomia dos personagens como seres psíquicos ou espirituais."A sela pertence ao cavalo; a chuva, às nuvens; a bola, ao jogador; a bicicleta, à criança; o juízo, ao sábio; os alvoreceres, à rotação da Terra; o guizo, ao gato; o cão, ao seu possuidor; o remo, ao barqueiro. O escravo pertence ao seu dono. A personagem, a seu autor", convenceu-se.
A última vez que encontrei Cortázar nesta vida, foi numa sessão espírita da filial da Bezerra de Menezes em Paris, berço de Allan Kardec, por volta de 1950, antes dele escrever seu sexto livro. Um pouco antes e um pouco depois de sonambúlico, Cortázar ficou num estado cuja característica mais marcante era a preocupação. Só participava da conversação com meio ouvido, respondia distraidamente, afetado por alucinação, o semblante solene, o olhar extático e penetrante. Observei atentamente e percebi uma profunda alteração em todo seu caráter. Ficou sério e comedido, ao que perguntei:
- Quem está aí?
- Os Cronópios - respondeu Cortázar.
- O que são?
- Tefi hals esble lies.
- Isto é um anagrama?
- Sim.
- Posso interpretá-lo?
- Tente!

(narrativa mise en abyme)

Sarau literário – Leitura de contos do livro DesAMORdaçados



27, sexta, 19h

DesAMORdaçados – antologia de contos dos alunos da Oficina de Criação Literária da PUC ministrada pelo escritor e Doutor em Letras Luiz Antonio de Assis Brasil – apresenta o trabalho de treze autores. A obra tem organização do professor Assis Brasil e prefácio da escritora Cíntia Moscovich. A publicação traz três contos de cada um dos participantes.

Tenho o livro para venda, interessados entrem em contato pelo e-mail lucianegodinho@ig.com.br

Palavraria Café
Vasco da Gama, 165- Bom Fim

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Este diário


crônica do escritor Eustáquio Gomes, autor de Viagem ao centro do dia. Ganhei de presente ;)


Ninguém escreve um diário para dizer quem é.

José Saramago



Confissões? Nem tanto. Auto-revelações? Talvez. Este diário percorre um arco de tempo que vai dos 19 aos 53 anos do autor. Começa em 1972 e se encerra em 2005. É uma seleção da massa de notas escritas nesse período, às pressas, nas beiradas do dia. Por sorte a mala (ou la mala suerte) que continha meus cadernos de infância e de adolescência perdeu-se em alguma de minhas muitas mudanças de casa. Assim me livrei da tentação de lhes dar um valor que não tinham. Aqueles tempos remotos são como uma viagem em separado e pertencem a uma vida anterior. Por idêntica razão deixo de fora os diários de viagem, mesmo sendo eu aquele tipo de viajante que dificilmente desembarca de si mesmo. Já se disse que as viagens são uma vida em si, no interior de outra, com um nascimento, um crescimento e uma morte. Do mesmo modo se pode dizer que cada dia de nossa vida é uma viagem em si, com seus embarques e desembarques, avanços e paradas. Em todas as épocas, inclusive a atual (a da blogosfera), todos os diários foram escritos em estalagens românticas.

Ao longo da vida li muitos diários. Por alguns fui influenciado. Durante algum tempo tentei viver à maneira deles. Quis penetrar sua atmosfera, apreender seu ofício. Descobri que manter um diário pode ser um esforço de emulação. Até mesmo quando já nos cansamos dessa ilusão juvenil (que às vezes se prolonga maturidade adentro) graças à assustadora descoberta de que se está encerrado em si mesmo e não em outrem, escrever diários continua sendo um trabalho de imaginação. Escolher um incidente e desprezar outro é um modo de inventar a própria vida. Bom ou mau, um diário é sempre a expressão de uma individualidade.

Sobretudo em suas primeiras seções, pode ser que o leitor note um tom póstumo neste diário. O autor talvez acreditasse que as grandezas de um futuro que lhe estava reservado por direito justificavam a sacralização de um cotidiano feito de miudezas. Tanto menos elevado o tom do diário, maior o desejo de sacralização. Também isto faz parte do mito do escritor, e no fundo é um ato religioso. É religião o esforço de apanhar os fragmentos do dia e tentar protegê-los do esquecimento. A morte do instante me horroriza, por isso me rebelo e vingo-me: mumifico-o à espera de que alguém lhe chegue calor humano.

Religião também no sentido gideano do livro-caixa moral, com uma página para o crédito e outra para o débito. Sartre notou bem isso. No fundo, a luta contra o pecado: para expiar a culpa, a oferenda da confissão. Gide: “Obrigo-me a escrever diariamente neste caderno páginas que, eu sei, são medíocres”. Paga dessa maneira o preço com a moeda da “mediocridade”, em prejuízo do orgulho de seu ideal estético. Entretanto é “com desespero” que ele se agarra ao diário, “para não me afogar”. O próprio Sartre o utiliza durante a guerra, como “um utensílio de reparação”. Lúcio Cardoso: “Para me readquirir, para me ajustar”. Giovanni Papini, que se dizia inapetente para tarefa tão obscura: “Mas como se aproxima o meio século e desejo firmar alguns propósitos...”. O diário é assim banco de penitentes, sala de recuperação, quarto de exortações. Ou, como em Kafka (nele a culpa é sempre atenuada pela capitulação), lugar de retirada: “Abro o diário para encontrar o sono”.

Em geral, para o escritor, o diário é também uma espécie de carta endereçada ao futuro com cópia para o passado. Se escrevo “Vejo a lua da janela do meu quarto”, dá-se que essa lua é a mesma de Samuel Pepys em 1666, de Goethe em Roma em 1786, de Amiel em 1870, de Kafka em 1918, de Pavese em 1950, ano de sua morte, e de Lúcio Cardoso em 1960. Nunca se está pois completamente abandonado. E não será outra a lua de quem, em algum lugar do devir, morto há muito o diarista, lerá esta frase e permitirá que se lhe toque de leve no ombro: - Olá, irmão!

Mas é também o diário um ponto de ruptura com o mundo na medida em que circunscreve a experiência ao próprio texto. Neste sentido o diarista é o “heróico esgrimista” de que fala Benjamin, a alma romântica que se proclama herói de si mesma. Ainda que se trate de um diário de época ou de um journal de vida literária (e aqui penso nos diários de Josué Montello e dos irmãos Goncourt), onde há numerosos personagens e até protagonistas, ainda assim estes não passam de figurantes. O herói continua a esgrimir no fundo da cena, projetado em cada espelho.

Mencionei Montello por causa do caráter olímpico de alguns diários e da noção de sucesso e de vida realizada que eles buscam transmitir. Não é este o meu caso. A idade avança e desmascara as ambigüidades, promovendo a destruição gradativa da mitologia pessoal, diz Bourdieu. Reitera uma certa recusa mundana e converte-a em risco de fracasso sem remissão. Quando se chega a essa altura e ainda não se alçou pleno vôo, sonhar, planejar e criar tornam-se operações mais difíceis, já que a recusa reiterada se confunde com o envelhecimento e decreta o “estreitamento dos possíveis anunciado pela repetição das sanções negativas”. Naturalmente as visões dos dias dourados vão perdendo sua força e esgarçando seu colorido antes tão vivo e fetichizado, empobrecendo as emulações com o passado e tornando inócuas as comparações consoladoras. Era preciso não esperar pela posteridade para dar testemunho de uma certa maneira de fracassar. Eis o meu crack-up.

Dou importância aos sonhos noturnos enquanto emanações do inconsciente. Não por sua mitologia premonitória, no sentido bíblico, mas porque tornam as noites interessantes e revelam qualquer coisa sobre o eu em estado puro. Essas narrativas podem se tornar uma segunda vida e atenuar a sensação de brevidade da existência. Por isso desde há alguns anos eu zelosamente deles tomo nota, como um segundo diário que corre paralelo ao primeiro. Foram os sonhos que decidiram pela publicação deste diário. Num deles meu pai, morto havia 21 anos, surgiu diante de mim num canto iluminado da capela do Campo Alegre, o povoado de minha infância, para me entregar uma caixa de papelão com alguns objetos dentro. “São coisas do seu tempo de menino”, ele disse. Da caixa retirei uma violinha de duas cordas e um grande caderno horizontal onde, ao que parece, eu tinha escrito uma espécie de diário ilustrado da infância. Ao folhear aquelas páginas notei, surpreso, que o texto nada tinha de inocente, que era antes irônico e até cáustico com certas experiências de meus primeiros anos. Depois deste tive muitos outros sonhos com diários (cadernos maravilhosos e trágicos que eu abria como se fossem livros sagrados) que soaram como vozes de encorajamento ou de advertência. Pareciam dizer: se o mundo recusa a sua forma, imponha-lhe o informe, o sem-forma, este seu rio de visões justapostas com enredos incompatíveis onde as coisas disparatadas se aproximam e, de algum modo, buscam a harmonia na dicomomia.

Por que não?

Moldura

Jean Cocteau

Hoje minha terapeuta, Maria Cristina Ribeiro, disse que cada um tem o direito de estar na moldura que quiser. Muitas vezes a gente não respeita, embora sempre queiramos, não só que nos respeitem, mas que integrem nossa pintura. Não há necessidade de convencer ninguém- a energia, que poderia ser empregada em nossas próprias pinceladas, invade desajeitada a composição do Outro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Debret



Jean-Baptiste Debret retratou o Brasil Colônia,fazendo parte da missão artística francesa que veio para cá durante o Período Joanino


Lima Barreto, 1905, Diário Íntimo:


"É curioso comparar a maneira com que o Debret pinta os negros e os brancos. O ponto de verdade dos dois..."

"Vai se estendendo pelo mundo, a noção de que há certas raças superiores e umas outras inferiores, que essa inferioridade, longe de ser transitória, é eterna e intrínseca à própria estrutura da raça. Diz-se ainda mais: que as misturas entre raças são um vício social, uma praga e não sei que coisa feia mais. Tudo isto se diz em nome da ciência e a coberto de autoridade de sábios alemães. Eu não sei se alguém já observou que o alemão vai tomando, nesta nossa lúcida idade, o prestígio do latim na Idade Média. E, assim, a coisa vai se espalhando, graças à fraqueza e crítica das pessoas interessadas, e mais do que a fraqueza, à covardia intelectual de que estamos apossados em face dos grandes nomes da Europa.
Urge ver o perigo dessas idéias para a nossa felicidade individual e para nossa dignidade superior de homens.
Atualmente, ainda não saíram dos gabinetes e laboratórios, mas, amanhã, espalhar-se-ão, ficarão à mão dos políticos, cairão sobre as rudes cabeças da massa, e talvez tenhamos que sofrer matanças, afastamentos humilhantes, e os nossos liberalíssimos tempos verão uns novos judeus.

Os séculos que passaram não tiveram opinião diversa a nosso respeito- é verdade; mas desprovidas de qualquer base séria, as suas sentenças não ofereciam o mínimo perigo. Era preconceito; hoje é conceito.
Esmagadoras provas experimentais endossam-no. Se F. tem 0,02 a mais no eixo maior da oval de sua cabeça, não é inferior em relação à B; contudo, em se tratando de raças diferentes, está aí um critério de superioridade.
As mensurações mais idiotas são feitas, e, pelo complacente critério do sistema métrico, os grandes sábios estabelecem superioridades e inferioridades.
Não contentes com isso, buscam outros dados, os psíquicos, nas narrações dos viajantes apressados, de touristes imbecis e de aventureiros da mais baixa honestidade (...)
É satisfação para minh´alma poder oferecer contestação, atirar sarcasmos à soberba de tais sentenças, que me fazem sofrer desde os quatorze anos.
Oh! A ciência! Eu era menino, tinha aquela idade, andava ao meio dos preparatórios, quando li, na Revista Brasielira, os seus esconjuros, os seus anátemas...Falavam as autorizadas penas do senhor Domício da Gama e Oliveira Lima...Eles me encheram de medo, de timidez, abateram-me; a minha jovialidade nativa, a satisfação de viver neste fantástico meio tropical, com quem tenho tantas afinidades, ficou perturbada pelas mais degradantes sentenças (...)
Mas, hoje! hoje! Já posso alguma coisa e amanhã poderei mais e mais. Não pararei nunca, não me deterei, nem a miséria, nem as perseguições, as descomposturas me deterão. Sacudi para longe o fantasma do medo; sou forte, penso, tenho coragem...Nada! Nada! Nada! E que senti que a ciência não é assim um cochicho de Deus aos homens da Europa sobre a misteriosa organização do mundo.
Quando há dias li numa das histórias do Brasil do senhor João Ribeiro, página 234: "Não podemos pensar que o homem de cor, conseqüência semi-híbrida do contato heterogêneo de raças tão distanciadas que, até por eminentes cientistas como Haeckel, são consideradas como espécies diversas, seja a peste da cultura americana, como sentenciam os sociólogos", ri-me com uma espontaneidade, que até eu mesmo me admirei. Lobriguei no período, debaixo daquele eminentes cientistas como Haeckel", uma excomunhão em regra para os miscigênicos.
Até hoje não li Haeckel e tenho pena de não conhecer o inventor de animais curiosos. Um dos traços do meu espírito é a curiosidade pelas criações humanas. Não se me dá que sejam verdadeiras, o principal para o meu espírito, é o esforço de inteligência que elas representam e que eu amo. Leio-as, compreendo-as, até o ponto que quero, depois fecho livros- certo de que o mundo continua ainda.

sábado, 21 de novembro de 2009

Diário Íntimo, Lima Barreto


"Veio-me a idéia, ou antes registro aqui uma idéia que me está perseguindo. Pretendo fazer um romance em que se descrevam a vida e o trabalho dos negros numa fazenda. Será uma espécie de Germinal negro, com mais psicologia especial e maior sopro de epopéia. Animará um drama sombrio, trágico e misterioso, como os tempos da escravidão.

Como exija pesquisa variada de impressões e eu queira que esse livro seja, se eu puder ter uma, obra-prima, adiá-lo-ei para mais tarde.

Temo muito em pôr em papel impresso minha literatura. Essas idéias que me perseguem de pintar e fazer a vida escrava com os processos modernos do romance, e o grande amor que me inspira- pudera! - a gente negra, virá, eu prevejo, trazer-me amargos dissabores, descomposturas, que não sei se poderei me pôr acima delas.(...)

Ah! Se eu alcanço realizar essa idéia, que glória também! Enorme, extraordinária e- quem sabe? - uma fama européia.

Dirão que é negrismo, que é um novo indianismo, e a proximidade simplesmente aparente das coisas turbará todos os espíritos em meu desfavor; e eu, pobre, sem fortes auxílios, com fracas amizades, como poderei viver perseguido, amargurado, debicado?

Mas...e a glória e o imenso serviço que prestarei a minha gente e a parte da raça a que pertenço. Tentarei seguir avante. "Alea jacta est".

Se eu conseguir ler esta nota, daqui há vinte anos satisfeito, terei orgulho de viver!

Deus me ajude!"

"Perdi a esperança de curar meu pai! Coitado, não lhe afrouxa a mania que, cada vez mais, é uma só, não varia: vai ser preso; a polícia vai matá-lo; se ele sair à rua trucidam-no. Coitado! O seu delírio cristalizou-se, tomou forma. Pobre de meu pai! Uma vida cheia de trabalhos, de afanosos trabalhos, acabar assim nesse misterioso sofrimento que me compunge!"

"Um livro que pensei. Tibau, filho de uma rapariga que fugira da casa de seu pai em companhia de um valdevinos, que pouco depois a abandona, educa com grande dificuldade esse filho, que chega a estudar medicina; mas, no terceiro ano, sem o adubo que era sua mãe, a planta fenece sem arrimo e, por fim, por recomendação de um colega, vai ser professor de História do Brasil, num colégio em Botafogo; o diretor, notando que era um desar para seu estabelecimento ter um professor sem título algum, arranja-lhe o de major da Guarda Nacional. Eis senão, uando o major Tibau, que do seu avô pouca notícia tivera, vem a saber que ele acabava de morrer no Porto, deixando-lhe (e reconhecendo-o como neto) toda a sua fortuna: dois mil contos. No curso das suas lições de história, Tibau tinha adquirido um grande amor do Brasil e acariciava o sonho de uma Sociedade de Folclore, que se destinava a recolher os cantos, as tradições e a poesia popular da nossa terra. Cultivar e festejar as datas familiares com o sainete nacional e os respectivos manjares. Possuidor dessa fortuna, funda a sociedade, com a qual é explorado por jornalistas, poetas estudantes, debicado pelos ministros e funcionários, a quem se dirigiu para pedir uma subvenção. Morre numa estalagem, às sete horas da noite, estalagem a que se recolhera com um preto velho, o Nicolau que, fazendo "ganchos", ia-o fazendo viver, morre mandando que se lhe abram a porta e janela, para ouvir melhor a cantinela da criançada ao luar"

(1904)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Maria vai


"Uma criança experimenta o mundo com poucos pré-conceitos até que é ensinada a vê-lo de uma forma que corresponde à descrição que todos compartilham"
Castaneda

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sérgio Faraco, em Conversando, fala sobre Cavalos do Amanhecer

13 vagas.
DATA: 30 DE NOVEMBRO
HORÁRIO: 12 HORAS ÀS 14 HORAS
LOCAL: ITORORÓ, 175/206- Espaço Oficinas Literárias Charles Kiefer- Projeto Conversando
Valor: R$ 100


Os participantes, além dessa palestra, receberão o livro Diálogos sem fronteiras autografado



Mário Arregui

Mario Arregui, contista uruguaio; Sergio Faraco, contista brasileiro, do Sul do país. Dois ficcionistas-artesãos, escravos da palavra exata, tradutores e proprietários rurais unidos e separados pelo Prata e pela cultura platense, de idades distintas mas nos quais a amizade surgiu com igual força. Em 1981, após ter deparado com alguns livros de Arregui, Faraco decidiu-se a traduzir e organizar no Brasil uma compilação dos contos do autor. O contato primeiramente feito com fins profissionais evoluiu para uma troca assídua de cartas escritas em espanhol que incluem recomendações de livros, impressões sobre o ofício e a carreira de ficcionista, consultas sobre as melhores opções de tradução de um termo, discussões sobre os rumos da política mundial, sobre as crises e as ditaduras características da América Latina na segunda metade do século XX e comentários sobre a família e o dia a dia – a vida, em suma. Tal insuspeita amizade pegou “Dom Arregui”, como carinhosamente o chamava Sergio Faraco, em idade já avançada. A mesma durou de 1981 a 1985, quando Arregui faleceu, de causas naturais. Durante esses anos, ambos se viram pessoalmente uma única vez.

Diálogos sem fronteiras traz as cartas trocadas durante esses pouco mais de quatro anos de correspondência e faz o retrato do surgimento e do crescimento dessa afetuosa amizade – “monumento anônimo, maravilhoso, em permanente construção, feito de ar, de trabalho, de nostalgia e de sonho”, segundo Martín Arregui, filho do autor uruguaio. Testemunho do convívio de duas mentes criativas, este é um importante documento sobre dois grandes nomes das letras latino-americanas.


Sérgio Faraco

Sergio Faraco nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1940. Viveu na União Soviética entre 1963 e 1965. De volta ao Brasil, bacharelou-se em Direito. Publicou, entre outros, os livros de contos A dama do bar Nevada (L&PM, 1987), Dançar tango em Porto Alegre (L&PM, 1998), Contos completos (L&PM, 2004), o livro de memórias Lágrimas na chuva: uma aventura na URSS (L&PM, 2002), os livros de crônicas O chafariz dos turcos (L&PM, 1990), Viva o Alegrete! (L&PM, 2001), Histórias dentro da história (L&PM, 2005), Snooker (2005) e O crepúsculo da arrogância (L&PM, 2006), que recupera minuto a minuto a tragédia do Titanic, entre outros. Seus contos fazem parte de diversas antologias e já foram traduzidos em países como Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Portugal e Uruguai, entre outros. Recebeu muitos prêmios, entre os quais Açorianos e o Prêmio Nacional de Ficção da Academia Brasileira de Letras de 1999 por Dançar tango em Porto Alegre.

Anthony Hopkins dans la peau d'Hemingway pour Andy Garcia

Curieusement, il y a eu très peu de films inspirés de la vie tumultueuse d' Ernest Hemingway . Au-delà de quelques adaptations de ses fameux romans, à commencer par Le Vieil Homme et la Mer , porté à l'écran en 1958 par Spencer Tracy et en 1999 par Alexandre Petrov , le destin de l'écrivain semble avoir peu inspiré les cinéastes... jusqu'à aujourd'hui ! Variety révèle qu' Andy Garcia sera derrière la caméra d'Hemingway and Fuentes, un film qui se penchera sur le voyage de l'homme à Cuba et sur son amitié avec Gregorio Fuentes. C'est sur cette île d'Amérique du Sud qu'Hemingway rencontra la jeune Italienne qui lui inspirera son chef-d'oeuvre, Le Vieil Homme et la Mer. C'est Anthony Hopkins qui devrait se laisser pousser la barbe pour incarner le célèbre écrivain. Quand à Fuentes, il sera interprété par Andy Garcia, lui-même d'origine cubaine. Annette Bening ( American Beauty ) jouera quant à elle la quatrième femme de l'auteur, qu'il épousa en 1946 et qui vécut à ses côtés jusqu'à son suicide, en 1961.
Il s'agit du second film d'Andy Garcia, cinq ans après Adieu Cuba .

Anthony Hopkins dans la peau d'Hemingway pour Andy Garcia

(Aulas particulares de francês em Porto Alegre: fbureau@terra.com.br)

"Que fique muito mal explicado



Não faço força pra ser entendido
Quem faz sentido é soldado"

(Mario Quintana)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Trigo


Meu avô era lavrador no interior do estado- Camaquã, e fazia a colheita. Ia sentado em cima de feixes de trigo. Numa das estreitas passagens da estrada, o macaco da roda trancou na carroça do Alemão que vinha em sentido contrário. Cecondino Eloy, meu avô, foi lançado para frente, batendo o peito na lança da carroça, entre os dois cavalos. Teve quebrada uma costela, formou-se um edema pulmonar. Foi atendido por Armando Caulierres, conhecido como doutor, apesar dos poucos conhecimentos na área médica. Sofreu por muito tempo, definhando a cada dia, quando então foi para o hospital Belém Velho em Porto Alegre, onde ficou um ano. Depois, um dos filhos, já bem encaminhado no exército, o transferiu para o Hospital de Bagé. No período de tratamento, meu pai viu o pai apenas uma vez. Quando retornou, depois de quatro anos, engendrou um altar em casa, benzia e receitava ervas. Dedicou-se a isto, interrompendo horas de trabalho na lavoura, refeições e o sono. Teve reduzido o tempo para si e por fim adoeceu com diabete, morrendo na Santa Casa em Porto Alegre. Pequeno agricultor, pouco reconhecido pelas leis trabalhistas da década de 60, foi catalogado como indigente.

domingo, 15 de novembro de 2009

Assis Brasil no Canal Futura


Entrevista com Bia Corrêa do Lago, no programa "Umas palavras", do Canal Futura, canal 32 da NET.

Dia 14/11 [sábado] às 22h
Dia 15/11 [domingo] às 21h

Para saber mais sobre a Oficina de Criação Literária acesse o link:
http://www.pucrs.br/fale/oficinaliteraria/.
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sábado, 14 de novembro de 2009

Zé Celso: o papa dos loucos que dessacraliza o teatro


Não tive ainda a chance de assistir a uma peça do Teatro Oficina ou melhor do Zé Celso. Componho uma idéia, baseada em informações fragmentadas. A partir delas, me reporto à figura do trickster que o Jung comentou em Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Seus trabalhos podem ser comparados à Saturnália da Antigüidade, que eram celebradas com canto e dança nos dias que seguiam o nascimento de Cristo, na época do Ano Novo.
Tratava-se primeiro das tripudia (danças) inofensivas dos sacerdotes, do clero inferior, das crianças e subdiáconos na Igreja. Nessa ocasião era escolhido um episcopus puerirum(bispo das crianças)no dies innocentium (dia dos inocentes), paramentado com vestes pontificiais. Este fazia uma visita oficial ao palácio do arcebispo, acompanhado de uma grande balbúrdia, e de uma das janelas do palácio distribuía sua benção episcopal. O mesmo acontecia no tripudium hypodiaconorum, bem como nos outros graus sacerdotais. No fim do século XII, já havia degenerado numa verdadeira festa de loucos (festa stultorum). No ano de 1198, uma notícia propagou-se de que em Notre Dame (Paris), na festa da circuncisão, acontecia tantos excessos e atos infames, não só pelas palavras sujas, como também pelo derramamento de sangue. O papa Inocêncio III manifestou-se, mas inutilmente, contra as brincadeiras escarnecedoras da loucura dos clérigos e do desabafo desavergonhado do seu espetáculo. Trezentos anos mais tarde (12 de março de 1444) uma carta da Faculdade Teológica de Paris, endereçada a todos os bispos franceses, clama contra esta festa, em que os próprios sacerdotes e clérigos escolhiam um arcebispo, ou bispo, ou papa, designando-o como papa dos loucos (fatuorum Papam), etc. No meio da missa, pessoas fantasiadas com máscaras grotescas ou de mulher, de leões ou de atores apresentavam suas danças, cantavam no coro canções indecentes, comiam comidas gordurosas num canto do altar, ao lado do celebrante da missa, jogavam ebenda, seu jogo de dados, incensavam com fumaça fedorenta, queimando o couro dos sapatos velhos e corriam e saltitavam por toda a igreja, etc.
Até os sacerdotes se agarravam em certos lugares à libertas decembrica, como era chamada a liberdade dos loucos, embora (ou porque) nessa ocasião o estado de consciência anterior- a selvageria, a euforia e a irresponsabilidade pagã e bárbara podia afinal extravasar-se. No início do século XVI essas cerimônias, que mostram, segundo Jung, o espírito do trickster ainda em sua forma originária, parecem extintas. Várias decisões conciliares, de 1581-1585,proibem a Festum Puerorum e a eleição de um episcopus puerorum.
Também havia a Festa do Asno, celebrada principalmente na França. Embora esta festa fosse considerada uma celebração inofensiva em memória da fuga para o Egito, era celebrada de forma curiosa. Em Beauvais, a procissão do burro entrou diretamente na Igreja. Na missa solene que se seguiu, todas as pessoas relinchavam no final de cada parte da missa (do Intróito, do Kryrie, Glória, etc, isto é, y-a, como faz o burro. No final a missa o sacerdote relinchava três vezes em vez de ite missa est, e o povo respondia em vez de Deo gratias, três vezes y-a, segundo um codex manuscriptus, do século XI.
Quanto mais ridículo o rito, com maior entusiasmo era celebrado. Em outros lugares colocava-se sobre o asno uma manta dourada, cujas pontas cônegos eminentes seguravam. Os outros presentes vestiam-se festivamente como convinha, tal como no dia de natal. Pelo fato de haver certa tendência a relacionar simbolicamente o asno com Cristo, e uma vez que desde tempos remotos o Deus dos judeus era concebido vulgarmente como um asno e o próprio Cristo atingido por esta preconceito, o perigo do teriomorfismo rondava. Os próprios bispos durante muito tempo nada puderam fazer contra este costume, até finalmente ser suprimido pela autoctoritas supremi Senatus. A suspeita de blasfêmia torna-se visível no Festival do Asno de Nietzsche, paródia deliberadamente blasfema.
Tais costumes medievais demonstram o papel da figura do trickster, e quando desaparecem do âmbito eclesiástico, reaparecem no palco profano da Comédia italiana sob a forma de tipos cômicos, freqüentemente caracterizados como itifálicos, que divertiam o público impudico com chistes gargantuescos, e no palco brasileiro do Zé Celso, com a sua carnavália.
Em contos picarescos, na alegria desenfreada do carnaval, em rituais de cura e magia, nas angustias e iluminações religiosas, a figura do trickster se imiscui na mitologia de todos os tempos e lugares, já que é uma estrutura arquetípica antiquíssima. Em sua manifestação mais visível, é uma reflexo fiel de uma consciência humana indiferenciada em todos os aspectos (interessante dar uma lida em Erwin Rhode em que ele fala dos rituais dionisíacos, em Psiquê) - uma psique que ainda não deixou o nível animal.
Por que desta manifestação, embora em geral ela nada nos ensine sobre seu sentido funcional? Jung diz que quando se trata, principalmente, de fenômenos normais da vida, este tipo de questionamento tem prioridade.
Então, uma consciência primitiva ou bárbara tem uma auto-imagem em um nível anterior de desenvolvimento, continuando esta atividade psíquicas através de séculos e milênios, permitindo que as propriedades essenciais dessa atividade se misturem com os produtos mentais diferenciados e até extremamente elevados. Não podemos livrar-nos da imagem mnemônica daquilo que era, carregando-a portanto como apêndice.
O trickster, assim como a árvore de natal, são motivo suficiente de reflexão para o observador crítico. O que pensar, depende muito da mentalidade do observador. E, não seria surpreendente, segundo Jung, se alguém visse neste mito apenas reflexo de um estágio de consciência anterior e elementar, pois é o que o trickster parece ser manifestamente.
Se este mito fosse apenas um resíduo do passado, porque aparece no teatro de Zé Celso? Ali encontra-se remanescentes de uma imagem que corresponde à sombra coletiva. Cada apresentação comprova que a sombra pessoal é, por assim dizer, descendente de uma figura coletiva numinosa. Ela se decompõe pouco a pouco sob a influência da civilização e permanece viva, mas dificilmente reconhecível. Neste retrocesso é inevitável que haja uma mistura de desprezo e escárnio, o que turva ainda mais a imagem mnemônica do passado, que já não é muito agradável. Esta atitude contrasta com a idealização do passado que é louvado, não só como "bons e velhos tempos", mas como a Idade de Ouro, o próprio paraíso, pessoas incultas ou contaminadas pela teosofia, as quais acreditam na existência antiquíssima de uma cultura superior. O trickster é Deus, homem e animal, tanto subumanamente quanto sobre-humanamente, um ser teriomórfico e divino, cuja característica permanente e mais impressionante é a inconsciência de sua humanidade. Até mesmo seu sexo é facultativo, apesar de suas qualidades fálicas: pode transformar-se numa mulher. De seu pênis faz sair plantas úteis. Esta circunstância é de sua natureza criadora originária: é do corpo de Deus que se cria o mundo.Seu cativeiro é inconsciência animal.
Em compensação, se candidata a um desenvolvimento da consciência muito superior, devido ao desejo considerável de aprender. Ele continua sendo uma fonte de divertimento que se prolonga através das civilizações, sendo reconhecível no teatro de Zé Celso, um teatro antipático que deveria ser recalcado (a exemplo da sombra pessoal) na obscuridade. Mas o recalque só impediria sua extinção, uma vez que um conteúdo reprimido tem as melhores condições de conservar-se, posto que no inconsciente, segundo Jung, nada é corrigido. Os aspectos obscuros não desaparecem, o que ocorre é a libertação da consciência do fascínio de tudo aquilo que a desagrada, recolhem-se sem energia, recolhem-se enquanto tudo vai bem. Só que quando a consciência é abalada por situações dúbias ou críticas, eis a oportunidade favorável dela reaparecer, pelo menos como uma projeção no outro.>
O teatro de Zé Celso não convida à repressão, ali o mito está apoiado e cuidado pela consciência, mantendo consciente a figura da sombra, expondo-a à crítica da consciência, com seus aspectos negativos e positivos. Ele deve sua permanência principalmente devido ao interesse que a consciência demonstra por ele. Jung explica que isto se deve ao fenômeno do efeito inevitável da civilização progressiva, isto é, da assimilação da figura primitiva dotada de certa autonomia, enquanto daimon originário de uma capacidade que pode provocar um estado de possessão. O teatro de Zé Celso trata das fantasias coletivas.

Jung diz que o chamado homem culto esqueceu do trickster. Ele nem suspeita que em sua própria sombra, escondida e aparentemente inofensiva, há propriedades cujo perigo nem de longe imagina. Quando as pessoas se reúnem em massa na qual o indivíduo submerge, essa sombra é mobilizada e- como demonstra a história- pode ser personificada ou encarnada.

O externo não determina que o indivíduo esteja em perfeita ordem. O Estado não salva. A sociedade não é culpada pela ineficiência individual. O sentido da existência não é atingido por se possuir um automóvel. Tudo isto faz parte da sombra que se tornou inconsciente. O indivíduo, sob a influência destes pressupostos, sente-se completamente dependente do seu meio, perdendo a capacidade de introspecção. Assim sua ética é recalcada pelo conhecimento daquilo que é permitido, proibido ou oferecido. O teatro de Zé Celso permite a possibilidade de um impulso moral espontâneo, independente dos espectadores.

O ser humano raramente compreende com a cabeça, e menos ainda se for um primitivo. O mito, graças à sua numinosidade, tem um efeito direto sobre o inconsciente, quer a consciência o compreenda ou não. Secretamente toda a gente está envolvida nisto, quer se escolha a melhor calcinha ou cueca para assisti-lo ou não.

Excertos adaptados: A psicologia na figura do Trickster, de Jung

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Bibliografias

Bibliografia Núcleo de Dramatugia SESI SP

POÉTICA
Aristóteles (há várias traduções possíveis).
A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO
Eric Bentley – Coleção Palco e Tela
Zahar Editores, 1981
O DRAMATURGO COMO PENSADOR
Eric Bentley - Editora Civilização Brasileira, 1991
TEATRO GREGO – TRAGÉDIA E COMÉDIA
Junito de Souza Brandão - Vozes, 1984
PARA TRÁS E PARA FRENTE – UM GUIA PARA LEITURA DE PEÇAS
TEATRAIS
David Ball – Coleção Debates - Ed. Perspectiva, 1999
LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO
Jean-Pierre Ryngaert – Ed. Martins Fontes, 1998
TRÊS USOS DA FACA – SOBRE A NATUREZA E A FINALIDADE DO DRAMA
David Mamet - Ed. Civilização Brasileira, 2001
DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 1999
A ANÁLISE DOS ESPETÁCULOS
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 2005
MITO E REALIDADE
Mircea Eliade - Coleção Debates, Editora Perspectiva, 1972
TRAGÉDIA MODERNA
Raymond Williams - Ed. Cosac & Naify, 2002
PROBLEMAS DA POÉTICA DE DOSTOIÉVSKI
Mikhail Bakhtin - Forense Universitária,1997
O TEATRO ÉPICO
Anatol Rosenfeld - COLEÇÃO DEBATES – Editora Perspectiva, 1985
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Décio de Almeida Prado – COLEÇÃO DEBATES - Ed. Perspectiva, 1988
O TEXTO NO TEATRO
Sabato Magaldi – Ed. Perspectiva, 2001
TEORIA DO DRAMA MODERNO [1880-1950]
Peter Szondi – Cosac & Naify, 2001
TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
Hans-Thies Lehmann - Ed. Cosac & Naify, 2007
O RISO – ENSAIO SOBRE A SIGNIFICAÇÃO DO CÔMICO
Henri Bergson – Ed. Zahar, 1983
WRITING A PLAY
Gooch, Steve - A & C Black Publishers Limited. 2004
PlAYWRITING
Greig, Noel - Routledge, USA, 2005




Psicologia junguiana
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, SP, Cultrix, 1989
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JAFFÉ, Aniela. O Mito do Significado na Obra de C. G. Jung, SP, Cultrix, 1989
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Byington, Carlos A.B. (2008). Psicologia Simbólica Junguiana – São Paulo: Ed. Linear B, 2008, capítulos 1, 2, 3 e 4.

Real é o que produz efeitos, Carl Jung

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