quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

161- Rede de Indra

O escritor Marcelo Novaes me repassou a incumbência:
1-Agarrar o livro mais próximo;
2-Abrir na página 161;
3-Procurar 5ª frase completa;
4-Colocar a frase no blog;
5-Repassar pra 5 pessoas.

Lá vou eu:


Fátima sacudia a cabeça de um lado para o outro, como se quisesse encontrar uma explicação e, ao mesmo tempo, como se estivesse tentando encontrar as palavras mais adequadas para uma defesa.

(O Segredo dos Flamengos, do argentino Federico Andahazi, que estou lendo. Esta página começava por um frase incompleta que não contabilizei).

Enviei para cinco colegas da Oficina Literária Assis Brasil, edição 39:
Juliana Eichneberg - http://www.confissoesmudas.blogspot.com/
Roger Juvé - http://adublinaportoalegre.blogspot.com/
Cícero da Luz - http://www.obs3pontos.blogspot.com/
Ana Santos - http://dakaana.blogspot.com/
Mauro Paz http://velhopituca.blogspot.com/

A vontade de criar

Sobre Truth and Reality (A verdade e a realidade), de Otto Rank, Nïn tem um artigo no Em busca de um homem sensível. Já procurei o livro de Otto em várias bibliotecas e sebos e nunca encontrei. No artigo, ela substitui a expressão dele “a vontade de criar” por “obstinação”.
A vontade de criar às vezes se manifesta muito cedo, como uma recusa de ser vítima da condição humana, das suas penas e desvantagens. Para ela, o artista é aquele que tem a habilidade de transformar a realidade de todos os dias numa criação maravilhosa, não apenas nas verdadeiras obras de arte, mas também na criação de uma criança, de um jardim, de um vestido.
Rank, segundo Anaïs, condiciona todo o problema da vida humana ao problema da vontade de criar, esperando que essa vontade encontre suas próprias soluções. O primeiro passo é nos livramos do sentimento de culpa com relação ao desenvolvimento individual- alôu: ele não ameaça o progresso coletivo.
Rank abservou que a culpabilidade acompanha todo tipo de vontade- a vontade de criar e até a simples afirmação da nossa vontade pessoal. E, é muito mais profunda na mulher- por faltar as suas responsabilidades sociais e culpada de se dedicar a atividades que culturalmente não são para ela. O discurso moderno é outro né? Então porque, de uns cinco anos para cá, são criadas campanhas publicitárias, a incentivar que os homens façam também a sua parte nos trabalhos domésticos diários?
Nenhum artista se preocupa com as conseqüências de seu desenvolvimento e evolução sobre a sua família. Aceitamos naturalmente o fato de que seu trabalho justifica todos os sacrifícios. Mas esta justificativa nunca basta quando se trata de uma mulher, entretanto não somos árvores que fazem sombras para outras e que captando toda a luz prejudica seu crescimento.

A obstinação e a relação com os editores
Na década de 40, Nïn teve dois livros recusados por editores norte-americanos, embora um deles Winter of Artifice, publicado em inglês na França, tenha agradado Henry Miller, Lawerence Durrell, entre outros. Os dois foram considerados pouco comerciais. Ela decidiu imprimir sozinha seus próprios livros, comprando uma impressora de segunda mão. À força de colocar os tipos- letra por letra, acabou aprendendo a ser concisa. Passava um dia inteiro numa só página e detectava todas as palavras inúteis. Ao fim de cada linha, perguntava-se: será que esta palavra, esta frase, são absolutamente necessárias?
Winter of Artife
teve uma tiragem de 300 exemplares e hoje constituem peças de coleção. Ela teve um exemplar enviado à crítica do New Yorker e imediatamente todos os editores se ofereceram para publicar os dois livros em edições comerciais. Chegaram a dizer que se ela mesma imprimia seus livros, é porque deveriam ser ruins.
Abandonou a própria impressora porque lhe tomava muito tempo, aceitando assim a proposta de um editor comercial. Caso contrário, continuaria com sua própria tipografia para controlar o conteúdo e a apresentação de seus trabalhos. Lamentou a renúncia, porque começou a ter problemas com os editores comerciais que queriam lucros rápidos e importantes. O lançamento de um livro, segundo ela, repousa sobre o palpite do editor que apoia a sua escolha com uma publicidade disfarçada de crítica literária. Assim, os livros são impostos ao público como qualquer outro livro comercial.
Nïn acredita que as grandes sociedades da edição deveriam apoiar os escritores inovadores e de vanguarda, como a grande indústria apoia os pesquisadores, sem esperar grandes e imediatos lucros. São eles que suscitam novas tendências, que criam uma nova consciência e uma evolução no gosto e espírito do público. São os pesquisadores que mantêm a indústria (prova disto é eu estar aqui, deitando e rolando nas idéias dela, expostas numa conferência ocorrida há quarenta anos). “Esta sintonia só poderia ter sido prevista por aqueles que se mantiveram abertos à novidade e à experiência”, avalia.

(Fantoches, do escritor gaúcho Érico Verissímo, lançado em 1932, não teve sucesso. Da edição de 1.500 exemplares, menos de 500 foram vendidos. Com o resto já se sabe o que aconteceu: um incêndio, devidamente acobertado por uma apólice, levou-o para sempre. Após este batismo de fogo, vieram outros livros que, pouco a pouco, levaram o nome do autor para todo Brasil e estrangeiro. Uma reedição de Fantoches, na década de 70, pela editora Globo, homenageia o escritor vitorioso. Foi no prefácio desta edição que obtive estas informações sobre Veríssimo).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Oficina literária com Marcelo Novaes em São Paulo


"Montarei os grupos a partir dos perfis dos interessados. Um pequeno formulário me permitirá visualizar esses perfis: os gêneros pelos quais se interessam, se têm ou não textos em andamento ( contos, romances, dramaturgia, cordel, hai kai, poetrix, poesia visual, blogs...). Para cada trabalho apresentado (ou projeto), serão exploradas intertextualidades e subtextos possíveis. Isso será explicitado para cada um, de modo que se abra um leque de sinalizações e apontamentos (além de perguntas/questionamentos) que providenciem potencias linhas de continuidade aos trabalhos discutidos (uma certa abertura semântico-estética aos mesmos). Diante do material apresentado, mapeia-se, então, um pequeno apanhado histórico, “em mosaico”, que permita visualização de gêneros e dicções. Um pouco de exegese sobre tal mosaico, “estica um pouco a corda” (ampliação de horizontes estético-semânticos, mais uma vez...), antes que os membros voltem aos seus textos. “Distende-se”, em seguida, o tom, para observar os encaminhamentos que os participantes deram aos próprios textos. Após a conclusão da oficina, haverá a feitura de um blog coletivo entre os participantes, com apresentação e análises introdutórias minhas. Cada qual receberá, ainda, um exemplar de meu romance “Cidade de Atys”."

Duração: Um mês, sendo quatro encontros de duas horas cada, uma vez por semana. Investimento: R$250,00 por participante. Informações de datas e locais: por e-mail, na dependência do número de inscritos. Preenchimento de formulários também por e-mail. Maiores informações: http://olugarqueimporta.blogspot.com/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Diário íntimo: a ordem é cobrir de vergonha aqueles que lutaram com tanto afinco para destruir toda a vida interior

Anaïs Nïn
O diário íntimo possibilita que, independente do tipo de vida ou nível de instrução, qualquer pessoa possa construir uma “imagem espectral” de sua vida, caráter, experiências, sonhos, para uma criação de si mesmo. Em meados da década de 70, a escritora Anaïs fez uma resenha sobre o livro At a Journal Workshop, de Ira Progroff, que depois foi publicado no livro “Em busca de Homem Sensível”. Seguem excertos adaptados das idéias discorridas por Nïn sobre a prática

É errada a idéia de que a vida voltada para fora é melhor do que o desenvolvimento interior individual, prova concreta é a desintegração da personalidade que caracteriza nossa cultura. A pseudo-objetivade, utilizada para uma pseudo-contribuição do pseudo-bem da sociedade não é nada diante da criação harmoniosa do crescimento individual.
É a desconfiança com relação a subjetividade que não nos permite o exame dos sonhos, diálogos com pais mortos ou com os mestres, a meditação e exploração da “imagística crepuscular” . Lamentável, porque são estes exercícios que conferem à vida poesia e beleza. “A análise do significado da experiência só pode enriquecê-la”, afirmou Nïn. “Assim, a falta de confiança ou de respeito próprio desaparece”.
“Ninguém nessa época de caos e confusão, ousará contestar o valor de um ser integral para a vida coletiva”, escreveu. O ato de narrarmos nossas experiências, nos força a progredirmos, porque exige uma continuidade que se torna um fluxo natural. A imaginação e a visualização, que existe por trás de nossa consciência, é estimulada, nos despertando para a significação das coisas, que tanta falta faz a nossa cultura.
A relação profunda que se tem com os acontecimentos são mais importantes que os acontecimentos propriamente. Ao escrever, nos permitimos focalizar e reavaliar as diferentes situações de nossa vida, de tal forma que visualizamos uma base que nos sustenta. O milagre da compreensão, da coerência, da unificação do “ eu” , é o orgulho que se adquire. “A atividade exterior que vem de dentro de nós é a própria essência da existência criativa”, citou ela.
Depois de aprendermos a conviver conosco acedemos a diversos tipos de diálogos: podemos retomar certos diálogos interrompidos pela morte, por uma briga ou por qualquer outro motivo; podemos iniciar outros com pessoas da nossa escolha. “Somos marcados por todas as relações cujas possibilidades não esgotamos”. E aprendemos assim que há um número infinito de diálogos, com os que já morreram, com os que estão distante de nós, com os mestres ou com aqueles que influenciaram nossas vidas.
Então, quais marcos consideras significativos na tua vida? Que caminhos foram escolhidos e abandonados? Não confias na tua capacidade de escrever? Diário não é um exercício literário mesmo, mas algo que faz parte da própria vida para a construção de uma personalidade coerente, fonte de força para enfrentar as experiências destruidoras, trágicas ou perdas. Mas, é necessário eliminar as censuras e julgamentos. Estes fatores de inibição, desgastados por uma cultura cheia de limitações, são nocivos à criação espontânea: há diferença entre avaliação e julgamento.
Basta de renegarmos esta necessidade de intimidade para conosco. A rica experiência de recriação do ser humano leva inevitavelmente qualquer pessoa a perceber melhor as outras. Nossas vidas são tão interessantes quanto qualquer obra de ficção. Está em cada um de nós todas as riquezas que atribuímos aos poetas e artistas. Um dos símbolos que mais diz respeito a este exercício é o poço. Penetramos o mais fundo possível em nosso poço interior e, em vez de nos desligarmos do mundo, encontramos o lençol de água universal que alimenta todos os poços.


(Anaïs Nïn: Demais a clareza e objetividade como ela expõe sentimentos e realidades óbvias. Ela organiza o que sempre se soube. Adoro isto, principalmente quando fala do ser feminino, do direito à individualidade como Instituição a ser respeitada, do direito que cada uma de nós tem de exercer algum tipo de obstinação artística, de experimentação na convivência humana, com as descobertas do próprio corpo e do prazer. Temos o sagrado direito de mergulhar na loucura do que somos.)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ensaios íntimos e imperfeitos

Professor Assis, eu e as colegas, Stela, Juliana e Marinella, da Oficina 39



Lançamento do livro Ensaios Íntimos e Imperfeitos, do professor Assis Brasil, que aconteceu no dia oito de outubro, na Livraria Cultura.

Do conto e seus temas numinosos

A palavra vem do latim numen, que significa a divindade ou força espiritual atuante

Woman who loves fish, Maggie Taylor (2003)

A sinfonia se agita na profundeza

Rimbaud


Conforme Cortázar, o elemento significativo do conto reside no seu tema. (...) no fato de se escolher um acontecimento real ou fictício que possua essa misteriosa propriedade de irradiar alguma coisa para além dele mesmo, de um modo que um vulgar episódio doméstico, se converta no resumo implacável de certa condição humana, ou no símbolo candente de uma ordem social ou histórica, propondo-nos uma ruptura do cotidiano que vai muito além do argumento.

Estes temas, que para dar-lhes sentido nos servimos de matrizes lingüísticas, transcendem nossa experiência individual e provêm do inconsciente coletivo, tendo como origem os arquétipos ou imagens primordiais. Segundo o psicólogo Carl Jung, eles correspondem freqüentemente a temas mitológicos que reaparecem em contos e lendas populares de épocas e culturas diferentes. A apreensão destas representações simbólicas "atrai todo um sistema de relações conexões conexas, coagula no autor, e mais tarde no leitor, uma imensa quantidade de noções, entrevisões, sentimentos e até idéias que lhe flutuavam virtualmente na memória ou na sensibiliade", percebe Cortázar.

Jung afirma que o inconsciente se expressa primariamente através de símbolos. Uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado manifesto e imediato. Embora nenhum símbolo concreto possa representar de forma plena um arquétipo (que é uma forma sem conteúdo específico), quanto mais um símbolo se harmonizar com o material inconsciente organizado ao redor de um arquétipo, mais ele evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada: "um sol, um astro em torno do qual gira um sistema planetário" , como diz o escritor argentino.

Seres élficos

A representação de seres elementares que habitam a água, o ar, a terra, o fogo, os animais e as plantas constitui-se arquétipo do feminino- Anima. É um motivo tanto mitológico quanto psicológico, uma situação arquetípica que lida com o relacionamento entre o homem e a mulher, o homem e sua contraparte interior feminina.

Paracelsus, alquimista medieval, escreveu todo um tratado sobre estes espíritos elementares, afirmando que são extremamente semelhantes às pessoas, mas não descendem de Adão e não têm alma. F. de la Motte Fouqué retirou destes escritos de Paracelsus o material para sua Undine, que surgiu no início do século XIX, período romântico, quando foi revivida a idéia da animação da natureza e, ao mesmo tempo, se falou pela primeira vez do inconsciente. Conforme Emma Jung, normalmente são de uma beleza arrebatadora, mas apenas meio-humanas, tendo um rabo de peixe, como as sereias, ou metamorfoseando-se em ave, como as que se transformam em cisnes. Elas atraem, por serem provocantes ou pelo seu canto, o homem a seu reino, onde ele desaparece para sempre ou então procuram prender o homem pelo amor, atraindo-o para seus mundos. Estão sempre ligadas a algo sinistro, a um tabu ou condição que não pode ser ultrapassado.

Em Amor e Psiquê, a visão de seu marido divino está proibida, enquanto que, na estória do cisne, a ninfa não pode ver o homem nu. A conseqüência é o retorno da ninfa ao seu elemento. A realidade humana- ver o outro como ele é mesmo, sem projeções ou idealizações, não agrada a estes seres divinos. Este tema é tratado com muita freqüência na literatura, e são raras as obras em que este tipo de relacionamento chega a uma conclusão satisfatória. É necessário uma personalidade consciente para manter a continuidade de tal relação, pois as figuras do inconsciente, embora gostem de ser recebidas pelas pessoas, isso é, na consciência, são de natureza volátil e tornam a desaparecer com facilidade, inconsciente da esfera humana (da consciência).

O sonho de amor de Polifólio termina com a Polia desaparecendo no ar, como uma imagem celeste divinizada. São os conteúdos inconscientes que não tem forma fixa definida, podendo mudar indefinidamente, passar de uma para outra e transformar-se. Jung compreende que "sabedoria e loucura aparecem na natureza élfica como uma e mesma coisa; e o são realmente quando a anima as representa". De acordo com Emma Jung, com o reconhecimento e a integração da anima pessoal, cria-se um posicionamento modificado com relação ao feminino- a veneração que lhe é devida, após o ponto de vista do intelecto dominante.


(...) falso realismo que consiste em crer que todas as coisas podem ser descritas e explicadas como dava por assentado otimismo filosófico e científico do século XVIII, isto é dentro de um mundo regido mais ou menos harmoniosamente por um sistema de leis, de princípios, de relações de causa e efeito, de psicologias definidas, de geografias bem cartografadas. (Cortázar)

Excertos adaptados de: Animus e Anima, de Emma Jung Meio do Céu - http://www.meiodoceu.com Os arquétipos e o inconsciente coletivo, de Carl Jung Valise de Cronópio, de Júlio Cortázar

Nada de novo, uma ova.

Salvador Dali


“Por que não acontece nada novo em literatura?” Depois da discussão, no seminário da última aula, pensei nisto e me dei conta de um tipo de cegueira. O novo está aí sim, muitas são as obras contemporâneas que elevam temas e experiências humanas de forma comovente ou que nos passam sentimentos de estranheza, nos obrigando a renunciar conceitos e assimilar símbolos. O que buscamos nós, alunos da Oficina, se não é este aprendizado?

Um trecho de Saramago, em Ensaio sobre a Cegueira, bem serve nesta reflexão: “nenhuma imaginação, por muito fértil que fosse em comparações, imagens e metáforas, poderia descrever com propriedade o estendal de porcaria que por aqui vai". A porcaria? É conceber uma obra como mero sintoma de manifestação individual ou reduzi-la a um simples complexo pessoal do escritor. Pouco importa para que a obra serve ao escritor, se serve de prestidigitação, de camuflagem, ou se representa para ele um sofrimento ou uma ação. “O escritor é um homem coletivo que exprime a alma inconsciente e ativa da humanidade”, afirma o psicólogo Carl Jung. Acabar com a cegueira contagiosa e histórica é enxergar o escritor desta forma, além de transmutador - ele transforma imagens internas e externas em formas que possuem qualidades artísticas e que apelam para os sentidos. Do ponto de vista junguiano a psicologia pessoal do artista poderá esclarecer certas características de sua obra, mas não a explicará. Os conflitos pessoais do artista, sua problemática emocional, não são decisivos para o conhecimento de sua obra- apenas esclarecerão um ou outro detalhe ou escolha do tema. A autêntica obra de arte é uma produção “ impessoal”.
Processo psicológico e processo visionário
Jung distingue dois processos diferentes na criação de obras literárias: o processo psicológico e o visionário. As obras resultantes da primeira maneira de criar são compreendidas pelos leitores sem dificuldades. Baseiam-se em temas conhecidos- paixões, sofrimentos, feitos e tragédias do destino humano. Pertencem a este tipo o romance de amor, o romance social, a poesia lírica, a poesia épica, comédias e tragédias. O romancista ou o poeta toma seus temas nas experiências vividas no curso da vida e, elevando-os ao plano da expressão artística, universaliza-os. Por intermédio destas obras, o leitor ganha a possibilidade de penetrar mais profundamente na alma humana, de tomar consciência de sentimentos e tendências obscuras que aí se movem. Segundo Jung, os estudos dessas obras não trazem contribuições importantes para a psicologia, porque o escritor já esgotou seu tema de uma forma bem melhor do que faria o psicólogo. O escritor submete seu assunto a um tratamento cuja orientação foi intencionalmente determinada. Ele acrescenta ou subtrai coisas, sublinha este efeito, atenua aquele, põe aqui uma cor, ali outra, pensando com o maior cuidado os resultados possíveis, observando as leis da beleza de formas e estilo. Utiliza nesse trabalho o mais agudo raciocínio e escolhe sua expressão com a mais completa liberdade. A matéria que ele trata está submetida a sua intenção artística. Ele quer representar isto e não qualquer outra coisa. Já as obras de arte visionárias causam perturbadora impressão de estranheza. Nelas, “a experiência vivida ou o objeto que constituem o tema da elaboração artística nada tem que nos seja familiar”, diz Jung. Sua essência é, no mínimo, estranha e parece provir de distantes planos da natureza, de outras eras ou mundos de sombra ou de luz, existentes para além do humano. O artista não domina o ímpeto da inspiração que dele se apodera. Obedece e executa, “sentindo que sua obra é maior que ele, possuindo uma força que lhe é impossível comandar”. Numerosos graus existem entre esses dois tipos de obras. Muitas vezes idéias oriundas de planos profundos do inconsciente insinuam-se despercebidas em meio às coisas cotidianas. Nas artes plásticas, Nise observa que o crítico contemporâneo Herbert Kühn propõe classificação paralela a de Jung concernente às obras literárias. Kühn distingue a arte dos sentidos e a arte da imaginação. A arte dos sentidos inspira-se na natureza exterior, no mundo que nos atinge através dos sentidos. A arte da imaginação exprime fantasias, experiências internas do artista, que as apresenta de maneira irrealista, onírica, abstrata.
Fonte: O espírito na ciência e na arte, de Carl Jung Vida e Obra de Jung, de Nise Silveira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Conto premiado

Meu conto O Sacrifício do Rei é premiado- menção honrosa, pela Academia Dorense de Letras, Boa Esperança-MG, e será publicado na coletânea do 7° CONCURSO NACIONAL DE CONTOS DA ACADEMIA DORENSE DE LETRAS - 2008.
Agradeço ao professor Assis Brasil!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Oficina de "imitação de estilo", com Luís Augusto Fischer

Todo bom escritor é também um bom leitor. A criação, a postura ativa frente ao desafio da escrita, parte sempre do trabalho interior de fruição e revisão da percepção de outros textos e obras. Criação, afinal, nunca parte do nada, mas da reorganização de impressões ricas e previamente vividas. Partindo desse princípio, o prof. Dr. Luís Augusto Fischer propõe uma oficina completa, conjugando estudo, prospecção, leitura e produção.
Assim, ao longo do primeiro semestre de 2009, a turma entra em contato profundo com textos de Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov e Machado de Assis, contistas paradigmáticos e de repercussão mundial. A oficina consiste, num primeiro momento, na leitura e na apreensão da proposta artística de cada um. Aos poucos, os trabalhos dos participantes se movem para a incorporação do estilo de cada um. É a hora da produção textual própria, onde o aluno apreende e reconstrói a estética originária.
Data(s) e Horário(s): De 12 de março a 18 de junho, quintas-feiras, das 10h às 12h
Vagas: 24
Duração: Total de 14 encontros (2 horas por encontro)

Eu já reservei minha vaga! Maiores informações: http://www.studioclio.com.br/

Cria teu e-book!

Bibliografias

Bibliografia Núcleo de Dramatugia SESI SP

POÉTICA
Aristóteles (há várias traduções possíveis).
A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO
Eric Bentley – Coleção Palco e Tela
Zahar Editores, 1981
O DRAMATURGO COMO PENSADOR
Eric Bentley - Editora Civilização Brasileira, 1991
TEATRO GREGO – TRAGÉDIA E COMÉDIA
Junito de Souza Brandão - Vozes, 1984
PARA TRÁS E PARA FRENTE – UM GUIA PARA LEITURA DE PEÇAS
TEATRAIS
David Ball – Coleção Debates - Ed. Perspectiva, 1999
LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO
Jean-Pierre Ryngaert – Ed. Martins Fontes, 1998
TRÊS USOS DA FACA – SOBRE A NATUREZA E A FINALIDADE DO DRAMA
David Mamet - Ed. Civilização Brasileira, 2001
DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 1999
A ANÁLISE DOS ESPETÁCULOS
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 2005
MITO E REALIDADE
Mircea Eliade - Coleção Debates, Editora Perspectiva, 1972
TRAGÉDIA MODERNA
Raymond Williams - Ed. Cosac & Naify, 2002
PROBLEMAS DA POÉTICA DE DOSTOIÉVSKI
Mikhail Bakhtin - Forense Universitária,1997
O TEATRO ÉPICO
Anatol Rosenfeld - COLEÇÃO DEBATES – Editora Perspectiva, 1985
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Décio de Almeida Prado – COLEÇÃO DEBATES - Ed. Perspectiva, 1988
O TEXTO NO TEATRO
Sabato Magaldi – Ed. Perspectiva, 2001
TEORIA DO DRAMA MODERNO [1880-1950]
Peter Szondi – Cosac & Naify, 2001
TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
Hans-Thies Lehmann - Ed. Cosac & Naify, 2007
O RISO – ENSAIO SOBRE A SIGNIFICAÇÃO DO CÔMICO
Henri Bergson – Ed. Zahar, 1983
WRITING A PLAY
Gooch, Steve - A & C Black Publishers Limited. 2004
PlAYWRITING
Greig, Noel - Routledge, USA, 2005




Psicologia junguiana
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, SP, Cultrix, 1989
HILLMAN, James. Estudos de Psicologia arquetípica, RJ, Achiamé, 1981
JAFFÉ, Aniela. O Mito do Significado na Obra de C. G. Jung, SP, Cultrix, 1989
JUNG, Carl Gustav. Obras Completas, Petrópolis, Vozes
JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos, RJ, Nova Fronteira, 1964
JUNG, Carl Gustav. Memórias Sonhos e Reflexões, RJ, Nova Fronteira, 1961
NEUMANN, Erich. História da Origem da Consciência, SP, Cultrix, 1990
SILVEIRA, Nise. Imagens do Inconsciente, RJ, Alambra, 1981
VON FRANZ, Marie-Louise, C.G.Jung, Seu Mito em Nossa Época, SP, Cultrix, 1992
WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo, SP, Cultrix, 1994
ZWEIG, Connie, e ABRAMS, Jeremiah.(organizadores). Ao Encontro da Sombra, SP, Cultrix, 1994
HILLMAN, James. O Código do Ser, RJ, Objetiva, 1997
MINDELL, Arnold, O Corpo Onírico, SP, Summus, 1989
NEUMANN, Erich. A Criança, SP, Cultrix, 1991
SAMUELS, Andrew e Colaboradores. Dicionário Crítico de Análise Junguiana, R J, Imago, 1988
SHARP, D. Tipos de personalidade, SP, Cultrix, 1990
VON FRANZ, M. L. & HILLMAN, J. A tipologia de Jung, SP, Cultrix, 1990
BOLEN, Jean Shinoda. A Sincronicidade e o Tao, SP, Cultrix, 1991
CLARKE, J. J. Em Busca de Jung, RJ, Ediouro, 1993
FRANZ, Marie-Louise von. Adivinhação e sincronicidade, SP, Cultrix, 1985
HILLMAN, James. Suicídio e alma, Petrópolis, Vozes, 1993
HILLMAN, James. Uma busca interior em psicologia e religião, SP, Paulinas, 1985
PROGROFF, Ira. Jung, Sincronicidade e destino humano, SP, Cultrix, 1989
Tuiavii. O Papalagui, SP, Marco Zero. 1987
GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf. O abuso do poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. RJ, Achiamé, 1978
SANFORD, J. Os Parceiros Invisíveis, SP, Paulus, 1986
STEIN, Robert. Incesto e amor humano, SP, Símbolo, 1978
STEINBVERG, Warren. Aspectos Clínicos da Terapia Junguiana, SP, Cultrix, 1992
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega, Petrópolis, Vozes, 1989
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito, SP, Palas Athena, 1990
FIERZ, Heinrich Karl. Psiquiatria junguiana, SP, Paulus, 1997
HILLMAN, J. O mito da análise, RJ, Paz e Terra, 1984
KERÉNYI, Karl. Os Deuses Gregos/Os Heróis Gregos, SP, Cultrix, 1994
SALAND, N. S. A Personalidade limítrofe, SP, Cultrix, 1989
VON FRANZ, Marie-Louise. Reflexos da alma, SP, Cultrix, 1992
SAMUELS, Andrew. Jung e os Pós-Junguianos, RJ, Imago, 1989
SANFORD, John. Os sonhos e a cura da alma. SP, Paulinas, 1991
WHITMONT, Edward e S. Pereira. Sonhos um portal para a fonte,SP, Summus, 1995
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico, SP, Cortez, 2000
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, SP, Ática, 1995
Brandão, Junito de Souza (1998). Mitologia Grega –– Petrópolis: Ed. Vozes, 1998, vol 2, pp. 113-140.
Byington, Carlos A.B. (2008). Psicologia Simbólica Junguiana – São Paulo: Ed. Linear B, 2008, capítulos 1, 2, 3 e 4.

Real é o que produz efeitos, Carl Jung

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