quinta-feira, 23 de julho de 2009

DesAMORdaçados - antologia de contos dos alunos da Oficina de Criação Literária da PUC


Livro desamordaçados


DesAMORdaçados - antologia de contos dos alunos da Oficina de Criação Literária da PUC ministrada pelo escritor e Doutor em Letras Luiz Antonio de Assis Brasil - apresenta o trabalho de treze jovens autores. Editada pela Libretos, a obra tem organização do professor Assis Brasil e prefácio da escritora Cíntia Moscovich. Clô Barcellos assina o design gráfico do livro. A ilustração de capa é de Carlos Filho.

A publicação traz três contos de cada um dos participantes, alguns oriundos do universo das letras, como Gabriela Silva e Viviane Grespan; outros da Comunicação Social - Marinella Peruzzo, Luciane Godinho da Silva, Ana Santos, Ana Kessler e Mauro Paz ou do Direito - Elisa Beylouni, Mariza Baur e Cícero Krupp da Luz. E alguns, ainda, de áreas diversas, como Juliana Eichenberg (biologia), Leonardo Wittmann (cinema) e Stela Rates (farmácia). No exercício da busca de uma dicção narrativa, todos já revelam sua personalidade literária.

A oficina foi instituída em 1985 e funciona, de modo ininterrupto há 24 anos, no âmbito do Curso de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sendo a mais antiga em atividade no Brasil. Nela já passaram nomes que hoje figuram a literatura do sul e do Brasil: Letícia Wierschowski, Amilcar Bettega, Daniel Galera, Cíntia Moscovich, Carol Bensimon, Bernardo Moraes, Monique Revillion, entre outros tantos. Em 2005, recebeu o prêmio “FAto Literário”, quando comemorou 20 anos de existência.

Com duração de 2 semestres, as aulas proporcionam um espaço para a discussão de questões de elaboração do texto narrativo, como: perspectivas do narrador, linguagem e a criação da personagem. Nos encontros os alunos têm a possibilidade de compartilhar os textos escritos com os colegas; ademais, nessas leituras, há o retorno sobre as ideias e a forma de escrita de cada um dos participantes. Não sendo o fim e nem o começo de nada, as oficinas demonstram ser uma passagem, e de reconhecido proveito, afirma o professor Assis Brasil.


Atividades de Lançamento
O lançamento acontece no dia 1º de Agosto, sábado, às 11h30, no Instituto Cultural (Rua Riachuelo, 1257) e integra uma nova programação, o BateBocaBom Cultural. O BBB Cultural se constitui de um bate-papo informal em torno da temática de uma obra e ocorre no Caminho do Livro, uma iniciativa da Câmara Rio-Grandense do Livro, que promove o hábito da leitura e fomenta o mercado livreiro do centro da Capital. Nesta primeira edição, Luiz Antonio de Assis Brasil, Léa Masina e Marcelo Spalding debatem sobre Criação Ficcional no Auditótio Erico Verissimo. E a partir das 13h, no Map Café Cultural, os novos autores autografam ao som do piano de Geraldo Flach.

DesAMORdaçados - antologia dos contos
Editora Libretos, 2009
160 páginas
Preço – R$ 25,00
Formato: 14cm x 21cm
ISBN – 978-85-88412-26-2
Org: Luiz Antonio de Assis Brasil

Interessados em adquirir entrem em contato comigo pelo e-mail lucianegodinho@ig.com.br

terça-feira, 14 de julho de 2009

Eternidade



mirrormask


do malabarista

ria

não era voltar
nem noite
precipício
ou dia

Eu não sei dizer



O silencio, deixa-me ileso
E que importancia tem?
Se assim, tu ves em mim
Alguem melhor que alguem
Sei que minto, pois o que sinto
Nao é diferente de ti
Nao cedo, este segredo
E fragil e é meu

Eu nao sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que as vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar

Quem te disse, coisas tristes
Nao era igual a mim
Sim, eu sei, que choro
Mas eu posso, querer diferente pra ti

Eu nao sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que as vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar
E nao me perguntes nada
Eu nao sei dizer...



domingo, 12 de julho de 2009

Sou um evadido



Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de julho de 2009

És sólo un detalle

Paula Rego

Tenho amor a isto, talvez porque não tenha mais nada que amar – ou talvez, também, porque nada valha o amor de uma alma, e, se temos por sentimento que o dar, tanto vale dá-lo ao pequeno aspecto do meu tinteiro como à grande indiferença das estrelas.
Fernando Pessoa




Encontrarmo-nos na Torre dos Clérigos? Tu a subires a ladeira ansioso, eu biruta. Desvendo assim um pedaço de mim que há muito já sentia, vivia e sonhava. A iluminação lá do alto a te alcançar em sorriso, traje de aventureiro e um enorme guarda-chuva à mão? Cultura da pobreza? Já ficaste tu um dia sem te alimentar? A gente bate mal, fica esquecido. Sabes quando pela primeira vez as mães ocuparam a praça de maio? Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.Tudo tão distante e nenhum tipo de aflição há em mim, somente a paz das coisas mais ou menos controláveis, uma...
(11:15:21) fogueira de cinzas apagadas* entra na sala...
(11:15:26) sara entra na sala...
(11:15:38) tania fala para Alecsander: tem qtos anos??
(11:16:03) bad boy fala para tania: oi
(11:16:04) Ronaldinho fala para sara: oieeeeeeee
(11:16:06) dilikadinha fala para Todos: Alguém para teclar?
(11:16:11) tania fala para Alecsander: nossa muito novinho.rsrsrs
(11:16:14) Ronaldinho fala para dilikadinha: eu
(11:16:21) H-49 entra na sala...
(11:16:26) carinhoso RS fala para dilikadinha: oi
(11:16:28) VARA GROSSA entra na sala...
(11:16:30) tania fala para Alecsander: 35
(11:16:40) dilikadinha fala para carinhoso RS: oi, teclas de onde?
(11:16:41) VARA GROSSA fala para Todos: olá
(11:16:46) sara fala para H-49: oi
(11:16:46) H-49 sai da sala...
(11:16:57) tania fala para medico-poa: ola sou de aracaju
(11:17:09) dilikadinha fala para Ronaldinho: oi! idade?
(11:17:17) Ronaldinho fala para dilikadinha: 38
(11:17:22) Ronaldinho fala para dilikadinha: e vc???
(11:17:51) dilikadinha fala para Ronaldinho: és de poa?
(11:17:51) Lobo Urb@no entra na sala...
(11:17:58) Ronaldinho fala para dilikadinha: sim
(11:17:59) Negra sai da sala...
(11:17:59) dilikadinha fala para Ronaldinho: 37
(11:18:00) Ronaldinho fala para dilikadinha: de poa
(11:18:00) Advogada Carioca fala para VARA GROSSA: me erra...ok
(11:18:04) tania fala para Alecsander: nao. separada e vc?
(11:18:09) Ronaldinho fala para dilikadinha: legal
(11:18:13) VARA GROSSA sai da sala...
(11:18:17) dilikadinha fala para Ronaldinho: que fazes? fala de ti
(11:18:17) tania fala para medico-poa: sou separada
(11:18:24) tania fala para medico-poa: e vc?
(11:18:30) tania fala para medico-poa: 35
(11:18:33) Lobo Urb@no fala para drika: ola
(11:18:39) tania fala para medico-poa: espera um pouco
(11:18:39) dilikadinha fala para Ronaldinho: vens sempre aqui?
(11:18:40) bad boy fala para fogueira de cinzas apagadas*: oi
(11:18:44) carinhoso RS fala para fogueira de cinzas apagadas*: OI
(11:18:46) Ronaldinho fala para dilikadinha: trabalho na industria......na área de projeto e desenvolvimento
(11:18:58) dilikadinha fala para Ronaldinho: legal
(11:18:59) Ronaldinho fala para dilikadinha: sou projetista
(11:19:10) Ronaldinho fala para dilikadinha: e vc??
(11:19:14) drika fala para Lobo Urb@no: nick interessante...
(11:19:27) Ronaldinho fala para dilikadinha: não entro mt aqui não
(11:19:31) Colorado27a fala para fogueira de cinzas apagadas*: oioi guria, tudo tri?? colorada??
(11:19:33) gatinho manhoso sai da sala...
(11:19:49) dilikadinha fala para Ronaldinho: casado, solteiro?
(11:19:58) Ronaldinho fala para dilikadinha: separado há 3 anos
(11:20:01) carinhoso RS fala para drika: kade drika
(11:20:02) Ronaldinho fala para dilikadinha: e vc??
(11:20:19) tania fala para medico-poa: sou enfermeira.rsrsrsrs
(11:20:21) dilikadinha fala para Ronaldinho: advogada
(11:20:34) tania fala para medico-poa: sim. tenho
(11:20:36) Ronaldinho fala para dilikadinha: casada???
(11:20:42) tania fala para medico-poa: qtos anos vc tem?
(11:20:45) dilikadinha fala para Ronaldinho: não e tu?
(11:21:02) Vento entra na sala...
a mesma hora. Sim! 68 dias, 136 horas, 8.160 minutos, 489600 segundos, fui Xantipa, Sophia, Telúrica, Lua. Nos outros que estiveste ausente, abismo. E de tão etéreo, impalpável, de tão sem bibliografia, linha de pesquisa ou referencial teórico e de tão céu e sobrenatural, pouco importa. Ocorria-me necessidade de reecontro, anda cá vem, vês como tudo balança com a tua chegada e feito borboleta noturna avôo?
Já era.
(11:21:04) Ronaldinho fala para dilikadinha: não sou casado
(11:21:24) drika fala para Lobo Urb@no: idade?
(11:22:15) Felipe - 23 fala para Todos: oiiii
(11:22:21) gatinho manhoso fala para Negrinha Gostosa 2: oiiii
(11:22:26) djs entra na sala...
(11:22:36) gatinho manhoso fala para fogueira de cinzas apagadas*: oi
(11:22:43) drika fala para Lobo Urb@no: hahahha...tb
(11:22:43) pantera sai da sala...
(11:22:52) advogada entra na sala...
(11:22:56) Lobo Urb@no fala para drika: hummmm tenho 47 e vc?
(11:23:14) drika fala para Lobo Urb@no: 42
(11:23:21) djs fala para tania: oi
(11:23:25) Lobo Urb@no fala para drika: hummmmm solteira?
(11:23:38) Felipe - 23 sai da sala...
(11:23:38) drika fala para Lobo Urb@no: sim e tu?
(11:23:46) josy sai da sala...
(11:23:57) louco pra gozar na entra na sala...
(11:24:02) Lobo Urb@no fala para drika: sou separado
(11:24:05) Lobo Urb@no fala para drika: tem filhos?
(11:24:09) djs fala para advogada: resolve o meu caso
(11:24:15) drika fala para Lobo Urb@no: não e tu?
(11:24:26) pantera55 entra na sala...
(11:24:34) carinhoso RS fala para pantera55*: hum vc e solteira?
(11:24:48) Lobo Urb@no fala para drika: tres meninas uma mora comigo
(11:24:59) louco pra gozar na sai da sala...
(11:25:05) djs fala para Juliana: eai jju
(11:25:06) H 40 ker M+45 Poa entra na sala...
(11:25:08) Lobo Urb@no fala para drika*: como vc se chama?
(11:25:16) sara sai da sala...
(11:25:26) drika fala para Lobo Urb@no: Adriana
(11:25:34) Lobo Urb@no fala para drika: lindo nome
(11:25:40) gatinho manhoso fala para SENHORA 49: oi
(11:25:43) Vento sai da sala...
a levantar outras folhas, plumas de pombas, galinhas, pavões, vai. E vê lá que caminhos tomas porque meu fogo arrebatado entrou em ti. Vai-te e de tempos em tempos vem visitar-me a carne, a máscara, para eu entender porque senti assim assado. Ai... doeu-me sem forma, suspiro, soluço, o nariz a esfregar-se na manga, pestanejo, as linhas definidas da tela a se intercalar na miopia do choro. É tão triste ires, mas vai-te, as galinhas te esperam para aliviar-lhes as cãimbras. E, se calhar, de tanto ciscarem, abrirão buracos na superfície que tocas. Qual é a capital da Hungria? Por que não posso saber se pensas em castelhano ou português? Sei porque Manoel de Oliveira colocou aquela linguagem irreconhecível na boca da atriz.

Sair da sala



As leituras preferidas de Saramago


"Em primeiro lugar vinha Camões porque, como escrevi em O Ano da Morte de Ricardo Reis, todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste."



Gregor Samsa, pintado pela artista plástica portuguesa Paula Rego

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Por que Tirésias ficou cego?



Zeus e Hera estavam em casa, no Olimpo, de chinelas, discutindo- a TV pifou e não havia nada melhor para fazerem como acontece com a maioria dos casais. Não tinham a mesma opinião sobre qual dos sexos teria mais prazer no coito. Ela afirmava que eram os homens, e ele, as mulheres. Zeus, que sempre foi muito conciliador sugeriu: "Meu bem, vamos consultar alguém que já passou pelas duas experiências". Sobrou para o Tirésias. Diante desta situação delicadíssima, ele acabou falando que apenas uma parte de dez (na escala do prazer) é do homem- as outras nove são da mulher, proporcionadas pelo sexo masculino. Hera considerou que a resposta privilegiou a posição do cônjuge e furiosa cegou-o na hora. Para compensar, Zeus deu-lhe o dom da vidência.

(versão: Paulina Nólibos)


Conta a lenda que o jovem Tirésias foi orar no monte Citeron. No caminho deparou-se com um casal de serpentes copulando e elas o atacaram. Tirésias então matou a serpente fêmea... e imediatamente se transformou em mulher. Anos mais tarde, indo orar no mesmo monte, Tirésias se depara novamente com um casal de serpentes, e novamente é atacado. Ele então mata o macho e volta a ser homem. Tirésias foi, portanto, um homem que conhecia a natureza e peculiaridades dos dois sexos. Daí sua convocação para resolver a polêmica entre Zeus e Hera.

Oficina Livre de Teatro


Às quartas-feiras, das 20 às 22 horas, acontece na Terreira da Tribo- Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica, Rua Santos Dumont, 1186, Oficina Livre de Teatro com a atriz Marta Haas da Tribo de atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz. As aulas são gratuitas e abertas a todos interessados.
Informações pelos telefones (51) 30281358, 32865720 e 99994570.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

A origem do teatro e da tragédia grega





Indicação de leitura: A tragédia Grega, de Jacqueline de Romily. Em breve estarei publicando aqui um resumo sobre os principais pontos do livro. Se quiseres começar a ler as tragédias gregas, nossos professores da especialização em Teoria e História do Teatro da Terreira da Tribo, Lúcia Maria Corrêa e Paulina Nólibos, indicam as traduções de Jaa Torrano.

Oficina de crônicas com Moacyr Scliar



O Espaço de Oficinas Literárias Charles Kiefer oferece uma Oficina de Crônicas com o escritor Moacyr Scliar, a realizar-se em 4 encontros, nos dias 20 e 27 de julho e 03 e 10 agosto de 2009, às segundas-feiras, das 12h às 14h, na Rua Itororó, 175/206.

Solicite informações pelo e-mail charleskiefer@uol.com.br

Somente 12 vagas.
Valor: 400,00
(Parcelamos em 2x, com cheques pré-datados)

Moacyr Scliar é autor de 80 livros em vários gêneros: romance, conto, ensaio, crônica, ficção infanto-juvenil. Suas obras já foram publicadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália, Rússia, Tchecoslováquia, Suécia, Noruega, Polônia, Bulgária, Japão, Argentina, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Canadá e outros países, com grande repercussão crítica. O autor foi agraciado com diversos prêmios como o Prêmio Academia Mineira de Letras (1968), Prêmio Joaquim Manoel de Macedo (Governo do Estado do Rio, 1974), Prêmio Cidade de Porto Alegre (1976), Prêmio Brasília (1977), Prêmio Guimarães Rosa (Governo do Estado de Minas Gerais, 1977), Prêmio Jabuti (1988, 1993, 2000 e 2007), Prêmio Casa de las Americas (1989), Prêmio Pen Club do Brasil (1990), Prêmio Açorianos (Prefeitura de Porto Alegre, 1997 e 2002), Prêmio José Lins do Rego (Academia Brasileira de Letras, 1998) e Prêmio Mário Quintana.

Poemas gráficos de Arnaldo Antunes



Silêncio



Silencio.
No hay banda.
No hay banda.
No hay orquestra.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
Silencio.
No hay banda.
(...)
No hay banda!
There is no band!
Il n'est pas de orquestra!
This is all...
a tape-recording.
No hay banda!
and yet
we hear a band.
If we want to hear a clarinette...
listen...
Un trombon "à coulisse".
Un trombon "con sordina".
Sient le son du trombon in sourdine.
Hear le son...
and mute it... drop it...
It's all recorded.
No hay banda!
It's all a tape.
Il n'est pas de orquestra.
It is...
an illusion.
Listen...

"Vi a nu a complicada civilização em que vivia. A vida era uma questão de abrigo e de comida. Para conseguir abrigo e comida os homens vendem coisas. O comerciante vende seus sapatos, o político vende seu humanismo e o representante do povo, com exceções, é claro, vende sua credibilidade, enquanto quase todos vendem sua honra [...] Todas as coisas são mercadorias, todas as pessoas são compradas e vendidas".

Jack London

Dica de leitura Cinco Estrelas


A duplicação como tema

A duplicação das imagens em sonhos simboliza que algum conteúdo, até então inconsciente, está chegando ao limiar da consciência e aí então, dividiu-se em dois. Uma parte está sendo assimilada pela consciência, enquanto que a outra ainda permanece abaixo. É significativo o fato de que a consciência até esse momento ainda não sabe do que se trata, ainda está num processo de reconhecimento.


Cortázar


Duplo

A imagem do duplo também pode ser uma representação da sombra, do aspecto obscuro e renegado de nossa personalidade que jaz no inconsciente. É a parte perdida de nós mesmos e que precisa ser redimida. Os povos primitivos acreditavam que os homens viviam dissociados na terra e que cada ser possuía um duplo, como uma personalidade maior, e que esse vivia pelo mundo ou então que seguiria a pessoa. Baseado nisto, dá para se fazer interpretações bem interessantes de vários contos, nomeadamente Distante espejo de Cortázar ou William Wilson de Poe. Para um aprofundamento no assunto, vale a pena ler os artigos A consciência na visão psicológica e O bem e o mal na psicologia analítica, que estão no livro Psicologia em transição de Carl Jung.

Fonte: Meio do Céu, Claudia Araújo

A construção do romance com Luiz Antônio Assis Brasil




A bibliografia indicada pelo professor Assis para a oficina que inicia em 27 de julho no espaço Charles Kiefer é seguinte:
BERNHARD, T. O náufrago. [Ed. Cia das Letras]
DOSTOIÉVSKI, F. Irmãos Karamázov. [Ed. 34 ou outra]
FITZGERALD, F.S. O grande Gatsby. [Ed. O Globo; Folha de São Paulo]
MELVILLE, H. Bartleby, o escriturário. [Ed. L&PM]
SCHNITZLER, A. Aurora. [Ed. Boitempo]

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sutilmente

quando Nietzsche engoliu sapo

Franz Bernoulli narra o comportamento de Nietzsche na sociedade da Basiléia: "Uma vez, contou à senhora que estava a seu lado na mesa: "Sonhei recentemente que minha mão, estendida sobre a mesa à minha frente, de repente adquiriu uma pele vítria, transparente; eu via nitidamente os ossos, os tecidos, a musculatura. De súbito, vi um enorme sapo sentado sobre minha mão e senti ao mesmo tempo a necessidade imperiosa de engolir o animal. Dominei minha horrível repugnância e o traguei a custo". A jovem senhora riu. "E a senhora ri por isso?", perguntou Nietzsche terrivelmente sério, pousando seu olhar profundo, meio indagador, meio triste, sobre sua interlocutora. Ela pressentiu então, mesmo sem compreender bem, que lhe falara um oráculo sob a forma de alegoria e que Nietzsche, através de uma estreita fresta, lhe permitira entrever o obscuro abismo de seu íntimo".
Segundo Jung, quando alguém conta suas fantasias e seus sonhos, muitas vezes não se trata apenas de um problema urgente, e sim do mais penoso de seus problemas íntimos naquele momento.
Fonte: Símbolos da transformação, de Carl Jung

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ser artista

"O segredo do mistério criador, assim como o do livre-arbítrio, é um problema transcedente e não compete à psicologia respondê-lo", afirma Jung. "Ela pode apenas descrevê-lo". Ele diz que o homem criador é um enigma, cuja solução pode ser proposta de várias maneiras, mas em vão. O artista foi sempre alvo da psicologia moderna. Freud, por exemplo, julgou ter encontrado a chave que lhe permitia penetrar na obra de arte, a partir das vivências pessoais do artista. Esta concepção de que o mundo pessoal do poeta influencia sob muitos aspectos a escolha do tema não tem nada de original, embora seja um mérito da escola freudiana, por "haver demonstrado a extensão da influência do mundo pessoal do poeta em sua própria obra e ter revelado os modos singulares e as analogias mediante os quais ela se reproduz". Mas a essência da obra de arte não é constituída pelas particularidades pessoais que pesam sobre ela, mas no fato de levar-se muito acima do pessoal. Provinda do espírito e do coração, fala ao espírito e ao coração da humanidade. Jung diz que quando a escola freudiana pretende que todo artista possua uma personalidade restrita, infantil e auto-erótica, tal julgamento pode ser válido para o artista enquanto pessoa, mas não para o criador que há nele. Este último não é nem auto-erótico, nem heteroerótico e nem mesmo erótico, mas constitui em supremo grau uma realidade impessoal e até mesmo inumana ou sobre-humana, pois enquanto artista ele é sua obra, e não um ser humano.
Todo criador é uma dualidade ou uma síntese de qualidades paradoxais. Por um lado, ele é uma pesonalidade humana e por outro, um processo criador, impessoal. Enquanto homem pode ser saudável ou doentio, sua psicologia pessoal pode e deve ser explicada de modo pessoal. Mas, enquanto artista ele não poderá ser compreendido a não ser a partir de seu ato criador. A psicologia específica do artista constitui um assunto coletivo e não pessoal. A arte nele é inata como um institinto que dele se apodera, fazendo-o seu instrumento- que nele quer não é ele mesmo, enquanto homem pessoal, mas a obra de arte. C.G. Carus diz: "Aquele a quem chamamos de gênio se caracteriza por sua maneira espacial de manifestar-se;um tal espírito superiormente dotado, é marcado pelo fato de que, por plenas que sejam sua liberdade e a clareza de sua vida, é determinado e conduzido em tudo pelo inconsciente, esse deus misterioso que o habita; assim, visões dele brotam, sem que ele saiba de onde vieram; é impelido a agira e a criar, sem saber para que fim; dominado por um impulso que o leva ao devir e ao desenvolvimento, ele mesmo não sabe por quê".
A maior parte da energia vital do artista vai para esta tarefa, por isto muitas vezes ele tem dificuldades no dia-a-dia. Muitos julgam isto puerilidade e negligência, ou como um egoísmo ingênuo e intransigente (o assim chamado auto-erotismo), como vaidade e outras fraquezas. O artista deve ser explicado a partir de sua arte, e não através das insuficiências de sua natureza e de seus conflitos pessoais. Estes não são, muitas vezes, senão as conseqüências lamentáveis do fato de ser ele um artista, isto é, um homem ao qual coube um fardo mais pesado do que aquele que é levado pelos demais. Quando os dons são maiores exigem um maior dispêndio de energia; por isso, o balanço positivo de um lado é acompanhado pelo balanço negativo de outro.
O artista até pode pensar que sua obra nele se cria, germina e amadurece, que dá forma e que se trata de uma invenção pessoal, mas na realidade a obra nasce de seu criador, tal como uma criança, de sua mãe. A psicologia da criação artística é uma psicologia especificamente feminina, pois a obra criadora jorra das profundezas inconscientes, que são justamente o domínio das mães. Se os dons criadores prevalecem, prevalece o inconsciente como força plasmadora de vida e destino, diante da vontade consciente; neste caso, a consciência será arrastada pela força impetuosa da torrente subterrânea, tal como uma testemunha desamparada dos acontecimentos. A obra em crescimento é o destino do artista e é ela que determina sua psicologia.
As necessidades anímicas de um povo são satisfeitas na obra do artista e por este motivo ela significa verdadeiramente para seu autor, saiba ele ou não, mais do que seu próprio destino pessoal. Ele é, no sentido mais profundo, um instrumento de sua obra, estando por isto abaixo dela. Não podemos esperar jamais que o artista seja o interprete de sua própria obra. Configurá-la foi sua tarefa suprema. A interpretação deve ser deixada aos outros e ao futuro.
O segredo da criação artística e de sua atuação consiste nessa possibilidade de reimergir na condição originária da participation mystique, pois nesse plano não é o individuo, mas o povo que vibra com as vivências; não se trata mais aí das alegrias e dores do indivíduo, mas da vida de toda a humanidade.Por isso, a obra de arte é ao mesmo tempo objetiva e impessoal, tocando nosso ser mais profundo. É por esse motivo também que a personalidade do poeta nunca é essencial relativamente à sua arte.

Vivência amorosa e visão
Assim como a vivência amorosa representa a experiência de um fato real, mesmo se dá com a visão. Pouco nos importa se seu conteúdo é de natureza física, anímica ou metafísica. Ela constitui uma realidade psíquica, que tem pelo menos a mesma dignidade que a realidade física. A vivência da paixão humana encontra-se dentro dos limites da consciência, ao passo que o objeto da visão é vivido fora desse quadro. No sentimento, vivenciamos coisas conhecidas; a intuição, no entanto, nos conduz a áreas desconhecidas e ocultas, a coisas que, por sua natureza, são secretas. Ao se tornarem conscientes, são intencionalmente veladas e dissimuladas; por isto, desde tempos imemoriais, são associadas àquilo que é secreto, inquietante e dúbio. Elas se escondem ao olhar do homem e este delas se esconde por um temo supersticioso, protegendo-se com o escudo da ciência e da razão. O cosmos é uma crença diurna, que deve preservá-lo da angustia noturna do caos- o século das luzes frente à crença na noite! Pois como poderia haver algo de vivo e atuante além do mundo humano diurno? Necessidades e inelutabilidades perigosas? Seria mera presunção imaginar que possuímos e dominamos a nossa própria alma se o que a ciência chama de psique é apenas um ponto de interrogação na calota craniana? E se for enfim uma porta aberta, pela qual entra o desconhecido, que atua em segredo, proveniente de um mundo metaumano, capaz de arrancar o homem de sua humanidade, nas asas da noite, conduzindo-o a uma servidão e destino transpessoais? Às vezes parece que a experiência sentimental tem apenas uma ação desencadeante; em certos casos parece até "arranjada" para um determinado fim, e o aspecto humano e pessoal não passariam de mero prelúdio à " divina comédia", a única essencial.
Fonte: O espírito na arte e na ciência, de Carl Jung


domingo, 5 de julho de 2009

Individuação



"(...) o processo de constituição e particularização da essência individual, especialmente, o desenvolvimento do indivíduo- segundo o ponto de vista psicológico- como essência diferenciada do todo, da psicologia coletiva. A individuação é, portanto, um processo de diferenciação cujo objetivo é o desenvolvimento da personalidade individual. A necessidade de individuação é natural, enquanto o impedimento da individuação por uma normalização exclusiva e preponderante, de acordo com os padrões coletivos, será prejudicial para a atividade vital do indivíduo, para a sua vivência pessoal. Ora, a individualidade é uma característica física e fisiologicamente dada (...) Um impedimento essencial da individualidade acarreta, portanto, uma atrofia artificial. É evidente, pois, que um grupo social formado de indivíduos atrofiados não pode ser uma instituição salutar, nem apta para a vida, pois só as sociedades capazes de manterem sua coesão íntima e seus valores coletivos, dando simultaneamente ao indivíduo a máxima liberdade possível, podem ter probabilidade de existência duradoura. Como o indivíduo não é somente um ser singular, pressupondo-se também relações coletivas em sua existência, o processo de individuação não leva ao isolamento, mas uma consistência coletiva mais intensa (...)

Antes da individuação poder ser proposta como finalidade, já terá sido preciso alcançar primeiro o fim educativo da adaptação ao mínimo de normas coletivas, imprescindíveis para uma existência em sociedade (...) A individuação está sempre em contraste, maior ou menor, com a norma coletiva, pois subentende a eliminação ou diferenciação do todo e a formação do particular (...). Entretanto, o contraste com a norma coletiva é só aparente, pois (...) o ponto de vista individual não aparece em contraste com a norma coletiva, mas apenas revela outra orientação (...) A individuação redunda, assim numa apreciação valorativa natural das normas coletivas, ao passo que para uma orientação vital exclusivamente coletiva a norma acabará por ser, cada vez mais, um fator supérfluo, com o que sua verdadeira moralidade vai a pique (...) A individuação coincide, portanto, com o desenvolvimento da consciência (...)"
Carl Jung

Fonte: Jogos de computador e suas relações com a pós-modernidade, de Maria Cristina Ribeiro

Caverna: símbolo da maturação e da intimidade

Salvador Dali
"Penetrar na caverna faz parte do simbolismo relacionado ao "ventre materno", o útero, enquanto origem de toda a vida. Muitos heróis solares nasceram ou cresceram em cavernas. Elas são a entrada para os mundos inferiores que representam o inconsciente, sob o ponto de vista psicológico e têm, portanto, o mesmo sentido contido no mito do dragão-baleia. É sempre a idéia de aprofundamento, introjeção, regressão e posterior renascimento. (...)
A caverna desempenhou um papel importante nas religiões paleolíticas. Ela tem um significado de primeira ordem nos ritos de iniciação de certas culturas arcaicas, representando um trânsito para o outro mundo, uma descida os infernos. Xamãs araucanos do Chile realizam sua iniciação em cavernas, frequentemente adornados com cabeças de animais. Na iniciação de xamãs norte-americanos é no interior de cavernas que os aspirantes têm sonhos onde encontram seus espíritos auxiliares. E o aspirante a xamã dos esquimós de Smith Sound deve caminhar em linha reta, à noite, num terreno cavernoso. Se entrar diretamente em uma caverna é porque está predestinado a ser xamã. Ao penetrá-la, a caverna se fecha e só volta a abrir muito tempo depois (Eliade)."

Fonte: Jogos de computador e suas relações com a pós-modernidade, de Maria Cristina Ribeiro

Esqueleto


"O esqueleto representa o mundo dos ancestrais. Alguns xamãs, por exemplo, possuem em suas vestimentas certos objetos de ferro que imitam ossos, na tentativa de adquirir uma aparência de esqueleto. Algumas vezes é um esqueleto de ave, mas em outras, como no caso dos xamãs yakutes, os ossos procuram imitar um esqueleto humano. A idéia fundamental é mostrar que quem veste tal indumentária é alguém que morreu e ressuscitou. O drama da iniciação, isto é, o drama da morte e renascimento, é resumido e reatualizado nas suas vestes (Eliade).
(...) entre os yakutes, os buriatos e outros povos siberianos se supõe que os xamãs foram mortos pelos espíritos de seus antepassados que, depois de terem cozido seus corpos, contaram seus ossos e os recolocaram no lugar unindo-os com ferro e recobrindo-os com uma carne nova (...). O esqueleto humano representa, de certo modo, o arquétipo do xamã, já que se supõe que simboliza a família da qual nasceram sucessivamente os antepassados-xamãs(...) (Eliade)"
Fonte: Jogos de computador e suas relações com a pós-modernidade, de Maria Cristina Ribeiro

Mulher-esqueleto


"A Mulher-Esqueleto é uma história de caça a respeito do amor. Nas histórias do norte, o amor não é um encontro romântico entre dois amantes. As histórias são regiões próximas ao pólo descrevem o amor como a união entre dois seres cuja força reunida permite a um deles, ou a ambos, a entrada em comunicação com o mundo da alma e a participação no destino como uma dança com a vida e a morte."


"Para que se crie um amor duradouro, a Mulher-Esqueleto precisa ser aceita no relacionamento e abraçada pelos dois amantes. Aqui, nesta antiga história do povo inuit, estão os estágios psíquicos para o domínio desse abraço."






"Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.
Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.
O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu - logo em que! - nos ossos das costelas da Mulher-esqueleto. O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá em baixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.
O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado a superfície e caia suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos. - Agh! - gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.
- Agh! - berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção
da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia.Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás.Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.
- Aaagggggghhhh! - uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saia correndo agarrado a vara de pescar.E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso a linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou.Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.
O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também a todo-generosa Sedna, em segurança, afinal.
Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela - aquilo - jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro,um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um que de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.
- Oh, na, na, na. - Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos.- Oh, na, na, na. - Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.
Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra - não tinha coragem - para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá em baixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.
O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando.Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.
A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima a luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo,e pôs a boca junto a lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu,bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homem que dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm!
Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.
- Carne, carne, carne! Carne, carne, carne!- E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne.Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficiente para se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam.
Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormia e se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro,enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.
As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d'água.As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem."


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"Essa história é uma imagem adequada para o problema do amor moderno, o medo da natureza da vida-morte-vida, em especial do aspecto morte. Em geral grande parte da cultura ocidental, o personagem original da natureza da morte foi encoberto por vários dogmas e doutrinas até o ponto em que se separou de vez da sua outra metade, a vida. Fomos ensinados, equivocadamente, a aceitar a forma mutilada de um dos aspectos mais básicos e profundos da natureza selvagem. Aprendemos que a morte é sempre acompanhada de mais morte. Isso simplesmente não é verdade. A morte está sempre no processo de incubar uma vida nova, mesmo quando nossa existência foi retalhada até os ossos.
Em vez de considerar os arquétipos da morte e da vida como opostos, devemos encará-los juntos como o lado esquerdo e direito de um único pensamento. É fato que dentro de um único relacionamento amoroso existem muitos finais. Mesmo assim, de algum modo e em algum ponto na delicadas camadas do ser criado quando duas pessoas se amam, existe um coração e um alento. Enquanto um coração esvazia, o outro enche. Quando uma respiração termina, outra se inicia."


As primeiras fases do amor

A descoberta acidental do tesouro

"...creio que essa história tem seu valor quando é compreendida como uma série de sete tarefas que ensinam uma alma a amar outra profundamente. São elas a descoberta da outra pessoa como uma espécie de tesouro espiritual, muito embora a princípio não se perceba exatamente o que foi encontrado. Em seguida, na maioria dos relacionamentos, vem a caça e a tentativa de ocultação, um tempo de esperanças e receios para os dois lados. Depois, vem a tarefa de desenredar e compreender os aspectos da vida-morte-vida do relacionamento e a compaixão dessa tarefa. Segue-se a confiança que gera o relaxamento, a capacidade de descansar na presença do outro e da sua boa vontade, acompanhada de um período de compartilhamento dos sonhos futuros bem como de tristezas passadas, sendo esse o início da cura de ferimentos arcaicos relacionados ao amor. Finalmente, o uso do coração para fazer brotar uma nova vida e a fusão do corpo e da alma."
"Repetidas vezes observo um fenômeno em amantes, independente do sexo. Seria mais ou menos assim: duas pessoas começam uma dança para ver se elas vão querer se amar. De repente, a Mulher-esqueleto é fisgada por acaso. Algo no relacionamento começa a diminuir e cai em entropia. Com frequência, o doloroso prazer da excitação sexual se abranda, um passa a perceber o lado frágil e ferido do outro, ou ainda um deixa de ver o outro como 'material digno de admiração', e é aí que a velha careca e de dentes amarelos vem à tona."


A perseguição e a tentiva de se ocultar

"A fase de correr e de se esconder é o período no qual os amantes tentam racionalizar seu medo dos ciclos de amor da vida-morte-vida. Eles dizem 'Posso me dar melhor com outra pessoa', 'Não quero renunciar a meu (preencha a lacuna) _____', 'Não quero mudar a minha vida', 'Não quero encarar minhas feridas, nem as de ninguém mais', 'Ainda não estou pronto' ou ainda 'Não quero ser transformado sem primeiro saber nos ínfimos detalhes como vou ficar/me sentir depois.'

É uma fase em que os pensamentos ficam todos confusos, quando se quer procurar um abrigo a todo custo e quando o coração bate, não tanto por amar ou por se sentir amado, quanto por um terror humilhante. Ser encurralado pela Morte! O horror de enfrentar a força da vida-morte-vida pessoalmente! Ai, ai!"

"Pois nesse ponto A Morte persegue o homem pelas águas, cruzando a fronteira entre o inconsciente e a terra firme da mente consciente. A psique consciente percebe o que fisgou e tenta desesperadamente correr mais do que a presa. Constantemente agimos assim nas nossas vidas. Algo de apavorante mostra sua cara. Nós não estamos prestando atenção e continuamos a puxar a linha, imaginando se tratar de uma boa pesca. É um achado, mas não do tipo que estávamos imaginando. É um tesouro que infelizmente aprendemos a temer. Por isso, tentamos fugir ou jogá-lo de volta; tentamos embelezá-lo ou torná-lo o que não é. Isso, porém, nunca funciona. No final todos temos de beijar a megera."


Desembaraçando o esqueleto


"O pescador demonstra sua boa intenção, sua força e seu envolvimento crescente com a Mulher-esqueleto ao desemaranhá-la. Ele olha para ela toda dobrada para um lado e para outro e vê nela um vislumbre de algo, ele nem sabe de quê. Ele havia fugido dela, ofegante e soluçante. Agora ele cogita tocar nela. Só por existir, ela de algum modo está tocando o coração do pescador. Quando compreendermos a solidão da natureza da vida-morte-vida, que é constantemente rejeitada, embora não por culpa sua... então talvez possamos nos sentir tocados pelo seu sofrimento.
Se for ao amor que estivermos nos dedicando, muito embora nos sintamos apreensivos ou assustados, estaremos dispostos a desembaraçar a linha dos ossos da natureza da morte. Estaremos dispostos a tocar o não-tão-belo no outro e em nós mesmos."

"Desemaranhar a Mulher-esqueleto é começar a quebrar o encanto -ou seja, o medo de sermos consumidos, de morrermos para sempre. Em termos arquetípicos, desemaranhar algo é empreender uma descida, seguir por um labirinto, penetrar no mundo subterrâneo ou no lugar em que as coisas são reveladas de uma forma inteiramente nova, ser capaz de acompanhar um processo complexo. Nos contos de fadas, soltar a faixa, desfazer o nó, desemaranhar e desenredar representam começar a entender algo, a entender suas aplicações e usos, a se tornar um mago, uma alma sábia."


O sono da confiança



"Nesse estágio do relacionamento, o amante volta ao estado de inocência, estado no qual ele ainda se amedronta com os elementos emocionais, no qual ele está cheio de desejos, esperanças e sonhos. A inocência é diferente da ingenuidade. No interior existe um ditado: 'A ignorância é não saber nada e ser atraído pelo bem. A inocência é saber tudo e ainda assim ser atraído pelo bem'.

Vejamos até onde chegamos. O pescador-caçador trouxe a natureza da vida-morte-vida para a superfície. Contra sua própria vontade, ele foi 'perseguido' por ela; mas ele também conseguiu encará-la. Sentiu pena do seu estado emaranhado e a tocou. Tudo isso o leva a uma participação plena. Tudo isso o leva a uma transformação, ao amor.

Embora a imagem do sono possa indicar o inconsciente, nesse caso ele simboliza a criação e a renovação. O sono é o símbolo do renascimento. Nos mitos da criação, as almas adormecem enquanto se realiza uma transformação de uma duração determinada, pois no sono nós nos recriamos, nos renovamos."

"Existe uma prudência que é verdadeira, quando o perigo está por perto, e uma prudência que não tem justificativa e que se origina de algum ferimento anterior. Esta última faz com que os homens ajam de modo irritadiço e desinteressado mesmo quando eles sentem que gostariam de demonstrar carinho e afeto. As pessoas têm medo de 'ser ludibriadas' ou de 'entrar num beco sem saída' - ou que não param de voiciferar seus direito de querer 'ser livre' - são as que deixam o ouro escapar por entre os dedos."

"Às vezes não existem palavras que estimulem a coragem. Às vezes é preciso simplesmente mergulhar. Tem de haver em algum ponto da vida de um homem um período em que ele confie na direção que o amor o levar, em que ele tenha mais medo de ficar confinado a algum leito rachado do rio seco da psique do que de estar solto num território exuberante porém inexplorado. Quando uma vida é excessivamente controlada, cada vez há menos vida a controlar.

Nesse estágio de inocência, o pescador volta a ser uma alma criança, pois no seu sono ele está ileso e não existe a recordação do que aconteceu ontem ou antes. No seu sono, ele não está lutando para assumir algum lugar ou posição. No sono, ele se renova."

"A única confiança necessária é a de saber que, quando ocorre um final, vai surgir um novo começo."


As fases posteriores do amor

O coração como tambor e o canto para criar a vida

"Quando a Mulher-esqueleto se vale do coração do pescador, ela está usando o centro motor da psique interna, o único órgão de real importância, o único capaz de gerar sentimento puro e inocente. Diz-se que é a mente que pensa e cria. Essa história afirma o contrário, que é o coração que pensa e convoca as moléculas, átomos, sentimentos, anseios e o que mais seja necessário, até o único lugar a fim de gerar a matéria que realize a criação da Mulher-esqueleto.

A história contém uma promessa: permita que a Mulher-esqueleto se torne mais palpável na sua vida, e ela em troca engrandecerá sua vida. Quando a libertamos como mestra e amante, ela passa a ser uma aliada e uma parceira."

"Quando um homem entrega seu coração por inteiro, ele se torna uma força espantosa - ele se torna uma inspiração, papel que no passado era reservado apenas às mulheres. Quando a Mulher-esqueleto dorme com ele, ele se torna fértil. Ele é investido com poderes femininos num meio masculino. Ele passa a levar as sementes da nova vida e das mortes necessárias. Ele inspira novos trabalhos a si mesmo, mas também àqueles que estão por perto."


A dança do corpo e da alma

"Às vezes aquele que está fugindo da natureza da vida-morte-vida insiste em pensar que o amor é apenas uma dádiva. No entanto, o amor em sua plenitude é uma série de mortes e de renascimentos. Deixamos uma fase, um aspecto do amor, e entramos em outra. A paixão morre e volta. A dor é espantada para longe e vem à tona mais adiante. Amar significa abraçar e ao mesmo tempo suportar inúmeros finais e inúmeros recomeços - todos no mesmo relacuionamento."

"Para fazer amor, se queremos amar, bailamos con La Muerte, dançamos com a Morte. Haverá enchentes, haverá secas; haverá recém-nascidos, natimortos e ainda renascimento de algo novo. Amar é aprender os passos. Fazer amor é dançar a dança."

"Nessa história há duas transformações, a do caçador e a da Mulher-esqueleto. Em termos modernos, a transformação do caçador sera mais ou menos como o que se segue. A princípio, ele é o caçador inconsciente. 'Oi, sou só eu. Estou pensando e cuidando da minha vida.' Depois ele passa a ser o caçador assustado, em fuga. 'O quê? Você me quer? Bem, acho que está na hora de eu ir andando.' Mais tarde, ele reconsidera, começa a desenredar seus sentimentos e descobre um meio de se relacionar com ela. 'Parece que a minha alma é atraída por você. Quem é você, no fundo? Qual é a sua estrutura?'

Em seguida, ele adormece. 'Vou confiar em você. Vou me permitir expôr minha inocência.' Com isso, sua lágrima de sentimento profundo é revelada e alimenta a Mulher-esqueleto. 'Esperei muito tempo por você.' Seu coração é emprestado para criá-la por inteiro. 'Pronto, tome meu coração e conquiste a vida na minha vida.' E assim o caçador-pescador é recompensado com o amor. Essa é a trsnformação típica de uma pessoa que aprende a amar."

"Deduzimos da história que a doação do corpo é uma das últimas fases do amor. É assim que deve ser. É bom dominar os primeiros estágios do encontro com a natureza da vida-morte-vida e deixar para depois as experiências práticas do corpo-a-corpo. Advirto as mulheres para que não aceitem um amante que salte de uma fisgada acidental para a doação do corpo. Insistam no cumprimento de todas as fases. Assim, a última fase virá por si só. A ocasião para a união dos corpos chegará na hora certa."


Fonte: ESTÉS, Clarissa P. Mulheres que Correm com os Lobos/ lobasquecorrem.blogspot.com/

sábado, 4 de julho de 2009

Renúncia




Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre a tua alma nas tuas mãos
E abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nesse último gesto!

Cecília Meireles

by Marion Peck


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Bibliografias

Bibliografia Núcleo de Dramatugia SESI SP

POÉTICA
Aristóteles (há várias traduções possíveis).
A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO
Eric Bentley – Coleção Palco e Tela
Zahar Editores, 1981
O DRAMATURGO COMO PENSADOR
Eric Bentley - Editora Civilização Brasileira, 1991
TEATRO GREGO – TRAGÉDIA E COMÉDIA
Junito de Souza Brandão - Vozes, 1984
PARA TRÁS E PARA FRENTE – UM GUIA PARA LEITURA DE PEÇAS
TEATRAIS
David Ball – Coleção Debates - Ed. Perspectiva, 1999
LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO
Jean-Pierre Ryngaert – Ed. Martins Fontes, 1998
TRÊS USOS DA FACA – SOBRE A NATUREZA E A FINALIDADE DO DRAMA
David Mamet - Ed. Civilização Brasileira, 2001
DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 1999
A ANÁLISE DOS ESPETÁCULOS
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 2005
MITO E REALIDADE
Mircea Eliade - Coleção Debates, Editora Perspectiva, 1972
TRAGÉDIA MODERNA
Raymond Williams - Ed. Cosac & Naify, 2002
PROBLEMAS DA POÉTICA DE DOSTOIÉVSKI
Mikhail Bakhtin - Forense Universitária,1997
O TEATRO ÉPICO
Anatol Rosenfeld - COLEÇÃO DEBATES – Editora Perspectiva, 1985
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Décio de Almeida Prado – COLEÇÃO DEBATES - Ed. Perspectiva, 1988
O TEXTO NO TEATRO
Sabato Magaldi – Ed. Perspectiva, 2001
TEORIA DO DRAMA MODERNO [1880-1950]
Peter Szondi – Cosac & Naify, 2001
TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
Hans-Thies Lehmann - Ed. Cosac & Naify, 2007
O RISO – ENSAIO SOBRE A SIGNIFICAÇÃO DO CÔMICO
Henri Bergson – Ed. Zahar, 1983
WRITING A PLAY
Gooch, Steve - A & C Black Publishers Limited. 2004
PlAYWRITING
Greig, Noel - Routledge, USA, 2005




Psicologia junguiana
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, SP, Cultrix, 1989
HILLMAN, James. Estudos de Psicologia arquetípica, RJ, Achiamé, 1981
JAFFÉ, Aniela. O Mito do Significado na Obra de C. G. Jung, SP, Cultrix, 1989
JUNG, Carl Gustav. Obras Completas, Petrópolis, Vozes
JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos, RJ, Nova Fronteira, 1964
JUNG, Carl Gustav. Memórias Sonhos e Reflexões, RJ, Nova Fronteira, 1961
NEUMANN, Erich. História da Origem da Consciência, SP, Cultrix, 1990
SILVEIRA, Nise. Imagens do Inconsciente, RJ, Alambra, 1981
VON FRANZ, Marie-Louise, C.G.Jung, Seu Mito em Nossa Época, SP, Cultrix, 1992
WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo, SP, Cultrix, 1994
ZWEIG, Connie, e ABRAMS, Jeremiah.(organizadores). Ao Encontro da Sombra, SP, Cultrix, 1994
HILLMAN, James. O Código do Ser, RJ, Objetiva, 1997
MINDELL, Arnold, O Corpo Onírico, SP, Summus, 1989
NEUMANN, Erich. A Criança, SP, Cultrix, 1991
SAMUELS, Andrew e Colaboradores. Dicionário Crítico de Análise Junguiana, R J, Imago, 1988
SHARP, D. Tipos de personalidade, SP, Cultrix, 1990
VON FRANZ, M. L. & HILLMAN, J. A tipologia de Jung, SP, Cultrix, 1990
BOLEN, Jean Shinoda. A Sincronicidade e o Tao, SP, Cultrix, 1991
CLARKE, J. J. Em Busca de Jung, RJ, Ediouro, 1993
FRANZ, Marie-Louise von. Adivinhação e sincronicidade, SP, Cultrix, 1985
HILLMAN, James. Suicídio e alma, Petrópolis, Vozes, 1993
HILLMAN, James. Uma busca interior em psicologia e religião, SP, Paulinas, 1985
PROGROFF, Ira. Jung, Sincronicidade e destino humano, SP, Cultrix, 1989
Tuiavii. O Papalagui, SP, Marco Zero. 1987
GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf. O abuso do poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. RJ, Achiamé, 1978
SANFORD, J. Os Parceiros Invisíveis, SP, Paulus, 1986
STEIN, Robert. Incesto e amor humano, SP, Símbolo, 1978
STEINBVERG, Warren. Aspectos Clínicos da Terapia Junguiana, SP, Cultrix, 1992
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega, Petrópolis, Vozes, 1989
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito, SP, Palas Athena, 1990
FIERZ, Heinrich Karl. Psiquiatria junguiana, SP, Paulus, 1997
HILLMAN, J. O mito da análise, RJ, Paz e Terra, 1984
KERÉNYI, Karl. Os Deuses Gregos/Os Heróis Gregos, SP, Cultrix, 1994
SALAND, N. S. A Personalidade limítrofe, SP, Cultrix, 1989
VON FRANZ, Marie-Louise. Reflexos da alma, SP, Cultrix, 1992
SAMUELS, Andrew. Jung e os Pós-Junguianos, RJ, Imago, 1989
SANFORD, John. Os sonhos e a cura da alma. SP, Paulinas, 1991
WHITMONT, Edward e S. Pereira. Sonhos um portal para a fonte,SP, Summus, 1995
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico, SP, Cortez, 2000
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, SP, Ática, 1995
Brandão, Junito de Souza (1998). Mitologia Grega –– Petrópolis: Ed. Vozes, 1998, vol 2, pp. 113-140.
Byington, Carlos A.B. (2008). Psicologia Simbólica Junguiana – São Paulo: Ed. Linear B, 2008, capítulos 1, 2, 3 e 4.

Real é o que produz efeitos, Carl Jung

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