quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Aiar, porque viver é sofrer

Frida Kaholo



(calma aí Jó, porque ainda vem Nietzsche)

Ai é interjeição de dor, mas também verbo gerativo, usado pelo tradutor Flávio Ribeiro de Oliveira, na peça Ájax de Sófocles. Conforme Schopenhauer, somos incapazes de encontrar a felicidade, e a vida é uma eterna conjugação do aiar por sofrimentos que tomam mil formas para onde quer que deitemos o olhar, curados dos sonhos da juventude.

Vivemos no mundo do acaso e do erro nas grandes e pequenas coisas. Nossa vida, diz ele, é uma série contínua de grandes e pequenas desventuras que cada um esconde como pode, porque sabe que os outros quase sempre demonstram satisfação, já que salvos. É dele a constatação de que nunca um homem, no fim da vida, desejaria recomeçá-la outra vez, antes o nada. Heródoto, citado por Schopenhauer, diz que não há homem no mundo que não tenha mais de uma vez desejado não sobreviver ao Amanhã.

Assim, o que há de melhor na existência é a brevidade, tantas vezes deplorada. Basta pensar honestamente que espécie de mundo é o nosso. Ou então acontece de quanto maior a nossa insatisfação interna, tanto mais desejamos passar por felizes- somos um tanto estúpidos em considerar a opinião alheia um dos escopos principais da nossa existência. "Ainda que a nulidade desse escopo esteja expressa perfeitamente bem em quase todos os idiomas, em que a palavra vaidade, vanitas, significa em origem, vacuidade, nada", observa. Então, não é o caso de Ájax que tomou este esplendor cintilante como tormento, recorrendo ao suicídio?

Árbol de la esperanza, mantente firme está grafado na bandeira de Frida Kaholo, porque há coisa em nós que, por vezes, impede-nos o aniquilamento absoluto.


Excertos adaptados O Mundo com vontade e representação, de Schopenhauer



Varal

Margot Knight

Gruda-lhe ao corpo como bicho mole quando se toma banho de açude. A barriga do pano em movimentos ondulares esparrama-se no rosto, no dorso, nas pernas, suga-sangue. Luta para se desvencilhar, a chutá-lo para longe de si, os braços tesos, o abdômen contraído. Atira-se ao chão, ele esvoaça para alguns metros, e ela arrasta-se na grama gasta que não cobre toda a terra, um punhado desta ou daquela lhe enchem as palmas, lentamente, e silva feito o vento que cessa. Só o som dela própria, agora é cobra verde. Olha-o, o pano viscoso, despregado do varal, e de cócoras o circunda esticando aos poucos para que não vire bicho vivo. Olhos assustados, devagar, até ficar impecável como se o terreno fosse cama, assim vês? Um quadrado. Nada, porque segue enrugando tudo de novo, a formar pregas grandes e depois reduzir o espaço entre elas, até ficar um montinho amassado, onde aninha a cloaca. Quem nasceu primeiro o ovo ou galinha? Força, espreme-se bem, a cara enrugada igual ao pano, redondinho, saiu sim de dentro dela. Nascido, tira debaixo de si e o abre fazendo movimento brusco ao estendê-lo. Abre-o outra vez, fazendo movimento brusco, plaft, plaft, a cortar o vazio que se estende até aquele paredão azul claro que se esconde nas moitas das nuvens, mas elas passam. Plaft a norte, sul, leste e no oeste, a casa, e o varal que espia agora, por trás do pano, e o homem a observá-la da basculante da cozinha. Ajoelha-se, e as mãos dela, que seguram o tecido, a ocultam toda, encolhida, encolhida, um tico. Deita-se e rola, o corpo. Quieta.
-Queres ajuda?- pergunta o marido a destapar-lhe a cara.
- me chocas?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Édipo e o complexo materno



Como uma obra literária que pertence à cultura da Atenas do quinto século a.C e que transpõe de maneira muito livre uma lenda tebana muito antiga, anterior ao regime da cidade, pode confirmar as observações de um médico do começo do século XX? Como pode Gaia cometer incesto se Urano era-lhe filho de maneira muito particular, sem sexo? E Crono, nem toma o lugar do pai no leito materno! Estes e muitos outros questionamentos fazem Vernant e Vidal-Naquet sobre a leitura de Freud e Diedier Anzieu com relação à tragédia Édipo e os demais mitos gregos. As inquietudes apresentadas no artigo Édipo sem complexos podem ser apaziguadas com a seguinte afirmativa: Freud não ouviu Rita Lee!
Conforme Jung, Freud freqüentemente queria dizer “amor” quando falava exclusivamente de sexualidade: “melhor seria dar àquilo que ele realmente tem em mente o nome de “Eros”, observa, “recorrendo às antigas concepções filosóficas de um “pan-eros” que impregna toda natureza viva como criador e fecundador”.
Sexo é tudo de bom, mas não é o instinto fundamental e a essência da psique humana. Ao contrário, reconhece-se que a psique é uma estrutura extremamente complexa. Não é possível reduzir todos os fenômenos a uma única força. Jung denomina esta força , de libido, no sentido clássico da palavra “desejo impetuoso”.
A sexualidade é um instinto básico cercado de mistérios e escrúpulos e que sob a forma de amor pode ser causa das mais violentas paixões, dos mais intensos anseios, dos mais profundos desesperos, dos sofrimentos mais secretos e das sensações mais dolorosas. É uma importante função física e uma função psíquica amplamente ramificada, sob a qual repousa todo futuro da humanidade. Tão importante quanto comer, embora seja um instinto de outro tipo. Só que, enquanto a gente pode satisfazer nossa fome publicamente, a sexualidade está presa a um tabu moral e deve submeter-se a uma série de determinações legais e restrições de todo tipo. Assim entende-se porque uma série de fortes interesses e afetos se reúna em torno desta questão- os afetos intervêm sempre onde a adaptação deixa a desejar.
Segundo Jung, Freud traça um perfil do inconsciente que mais parece um quarto de despejo onde armazenamos tão só desejos infantis reprimidos, porque proibidos, e desejos sexuais posteriores não permitidos. Para entender melhor: na escola de Freud, o homem como ser civilizado, não pode vivenciar uma série de instintos e desejos, simplesmente porque são incompatíveis com a lei e com a moral e somos obrigados a reprimir estes desejos, se queremos estar bem adaptados à sociedade.
A suposição de que o homem tenha estes desejos é absolutamente plausível e pode ser constatada por qualquer pessoa com um mínimo de honestidade. O processo através do qual um desejo torna-se incompatível, tornando-se inconsciente chama-se repressão, em contraposição ao recalque que pressupõe que o desejo continue consciente. Embora reprimido e esquecido, o conteúdo incompatível continua a existir, quer consista de desejos ou de recordações desgradáveis- e com sua presença imperceptível influencia os processos conscientes.
Se negarmos a teoria da sexualidade como exclusiva para explicar o inconsciente e a substituirmos por um conceito energético, devemos dizer que o inconsciente contém todos os elementos psíquicos cujo limiar o consciente não alcança ou não mais alcança ou ainda está por alcançar.


Luxo ou lixo
Então, existem as repressões como conteúdos do inconsciente e a elas devemos acrescentar tudo aquilo que já esquecemos. Estar esquecido não significa estar extinto, mas apenas que a lembrança tonou-se subliminar, ou seja, sua intensidade energética caiu a tal ponto que não aparece mais no consciente, razão porque está perdida para o consciente, mas não para o inconsciente. Além dos fatos esquecidos, existem também percepções subliminares, quer sejam simples percepções sensoriais que ocorrem sob o limiar da estimulação auditiva ou do campo visual externo, ou apercepções, isto é, percepções assimiladas abstratamente de processos internos e externos.
Todo este material constitui o inconsciente pessoal. Diz-se pessoal porque consiste inteiramente de experiências de vida pessoal. Mas se alguma coisa cai no inconsciente, imediatamente entra na rede de associações do material inconsciente, podendo, eventualmente, surgir conexões de alto valor que atravessam o consciente ou sobem a ele sob a forma de “inspirações”.
O inconsciente pessoal não esgota a natureza do inconsciente. Se o inconsciente fosse apenas pessoal, seria teoricamente possível atribuir todas as fantasias de um doente mental a experiências e expressões individuais. Claro que se atribui grande parte deste material à história pessoal, mas existem conexões de fantasias cujas raízes em vão se procuraria na história pregressa do indivíduo. Que fantasias são essas? Fantasias mitológicas. De onde procedem? Do cérebro, da estrutura hereditária do cérebro. Tais fantasias sempre têm um caráter original, criativo- assemelham-se a novas criações. Derivam de uma atividade criativa do cérebro e não simplesmente reprodutiva. Sabe-se que, juntamente com nosso corpo, recebemos um cérebro altamente desenvolvido que traz consigo toda a sua história e que ao atuar criativamente vai haurir a inspiração fora de sua própria história, fora da história da humanidade. Por história entendemos a história que fazemos e que chamamos de história objetiva. A fantasia criativa nada tem a ver com esta história, mas somente com aquela história remotíssima e natural que vem sendo transmitida de modo vivo desde tempos imemoriais, isto é, a história da estrutura do cérebro. E esta estrutura conta sua história que é a história da humanidade: o mito interminável da morte e do renascimento e da multiplicidade de figuras que estão envolvidas neste mistério.
Este inconsciente, sepultado na estrutura do cérebro e que revela sua presença viva apenas na fantasia criativa é o inconsciente supra-pessoal. Ele vive no indivíduo criativo, manifesta-se na visão do artista, na inspiração do pensador, na experiência interior da pessoa religiosa. O inconsciente supra-pessoal, como estrutura cerebral generalizada, é um espírito “onipresente” e “onisciente” que tudo pervarde. Conhece o ser humano como ele sempre foi e não como é neste exato momento. Conhece-o como mito. É por isso também que a relação com o inconsciente supra-pessoal ou inconsciente coletivo vem a ser uma expansão do ser humano para além de si mesmo, uma morte de seu ser pessoal e um renascer para uma nova dimensão, segundo a literatura dos mistérios antigos. Portanto, sem o sacrifício do homem como é atualmente não se pode lançar o Homem como ele sempre foi (e sempre será). Com toda certeza é o artista que mais sabe dizer acerca deste sacrifício do ser humano pessoal.
Numerosas são as tentativas mitológicas e filosóficas de formular e esclarecer a força criadora que o homem conhece como vivência subjetiva. Alguns exemplos: significado cosmogônico de Eros em Hesíodo (Teogonia), para o neoplatonico Plotino, a alma do mundo é a energia do intelecto.

A mãe


Mãe tenho ciúmes do pai
Quando se deita contigo Mãe
E te chupa as tetas
E te esborracha os seios
E se monta em ti
E se vem depois. Mãe
Xutos e Pontapés




Vernant e Naquet dizem que para os gregos a afeição recíproca entre pais e filhos de um lado, irmãs e irmãos de outro, representa o modelo daquilo que gregos chamam de philia. Os autores citam Aristóteles que, a propósito da tragédia, indica que esta philia repousa sobre uma espécie de identidade entre todos os membros da família no sentido estrito. “Cada parente é para seu parente, um alter ego, um si mesmo desdobrado ou multiplicado”, diz Vernant e o colega. “Nesse sentido a philia se opõe ao Eros, ao desejo amoroso, que leva a um outro que não si mesmo, outro pelo sexo, outro pelo parentesco”.

Para os gregos, fiéis neste ponto a tradição hesiodica, o comércio sexual une os
opostos, não os semelhantes. Identificar afeição familiar e desejo incestuoso é
confundir dois tipos de sentimentos que os gregos muito cuidadosamente
distinguiram e mesmo se opuseram. (Vernant-Naquet)

Jung explica que a separação do filho de sua mãe representa a despedida do homem da inconsciência animal. Só pela intervenção da proibição do incesto pôde surgir o indivíduo cônscio de si-mesmo, que antes de modo irreflexo se identifica esta parentela aí, como uma coisa só. Só assim surge a idéia da morte individual e definitiva, é o medo da morte que nos prende à mãe. Crescer além de si mesmo, significa uma morte.
E, ao mesmo tempo, deve-se considerar a lei, que em última análise e originalmente se exprime como proibição do incesto como obrigação à domesticação. Igualmente há de se qualificar o sistema religioso como uma instituição que absorve e organiza os instintos de natureza animal inadequados para os fins culturais, para gradativamente tornar possível seu uso sublimado.
Incesto é o retorno à infância. Para a criança não se trata ainda de incesto, só para o adulto, que possui uma sexualidade plenamente desenvolvida, este retorno se torna incesto, pois ele não é mais criança mas dispõe de uma sexualidade que já não suporta qualquer regressão.

Mas o homem quer apoderar-se de qualquer maneira do renascimento, para tornar-se criança novamente. Uma ferida aparece quando o incesto é tabu e com isto foi fechado o caminho para a esperançosa segurança da infância e juventude, para todo o acontecer instintivo inconsciente que faz a criança viver como um anexo dos pais, livre de qualquer responsabilidade. Está contida nisto muita recordação intuitiva da era animal, quando ainda não se falava em “você deve”, mas tudo era simples acontecer. Ainda parece persistir no homem uma profunda mágoa para com a lei que outrora o separou brutalmente do abandono instintivo e da beleza da natureza animal em sua harmonia mais profunda.
Esta separação manifestou-se entre outros na proibição do incesto e seus correlatos (leis sobre casamento, tabus alimentares, etc). Enquanto a criança permanece nesta identidade inconsciente com a mãe, ela continua integrada na alma animal tão inconsciente quanto esta. O desenvolvimento da consciência leva inevitavelmente não só à distinção em relação à mãe, mas também em relação aos pais e à família em geral, e a uma relativa separação do inconsciente e do mundo instintivo. Mas a nostalgia deste mundo perdido continua e sempre de novo nos acena quando surgem necessidades de adaptação difíceis, de desvios e recuos, de regressão para os tempos da infância, o que produz então a simbólica incestuosa.
O homem não pode transformar-se em algo exclusivamente pelo raciocínio, mas apenas naquilo que já está em potencial dentro dele. A morte tem um significado de penetração no ventre materno para o renascimento. Este é um dos mistérios que muitos mitos revelam.
A proibição do incesto figuradamente impede o filho de tornar a gerar-se a si mesmo através da mãe. Porém não é o homem em si, tal qual ele é, que deve ser gerado novamente ou renascer como um todo renovado, mas segundo a mitologia, é o herói ou deus que rejuvenesce. Estas figuras geralmente são expressas ou caracterizadas por símbolos da libido (luz, fogo, sol, etc.), dando a impressão de representarem a energia psíquica ou vital. De fato elas personificam a libido. Jung diz ser um fato confirmado que todas as partes da psique, na medida em que possuem certa autonomia, apresentam caráter de personalidade, como os produtos de cisão da histeria e esquizofrenia, os “espíritos” dos adeptos do espiritismo, as figuras de sonhos, etc. Cada parcela desagregada da libido, isto é, cada complexo, tem ou é uma personalidade (fragmentária). Apolo, foi este Apolo, meus amigos, quem produziu este sofrimento, o meu sofrimento!, queixa-se o Édipo de Sófocles. Não foi outro, mas eu mesmo, este miserável, quem com as mãos ensangüentadas me causou estes ferimentos!

Trata-se então de formações arquetípicas, que segundo Jung, são primeiro experimentadas e não imaginadas, como quer o racionalismo. A consciência de nossa personalidade origina-se da influência de arquétipos pessoais (deuses, heróis). É em primeiro lugar o deus que se transforma, e através dele também o homem participa da transformação.
A transferência da libido em regressão para a figura divina permite a afirmação de que é um deus ou herói quem comete o incesto. Em épocas primitivas não havia necessidade de maior simbolização. Esta só se torna necessária quando se começa a desacreditar este deus, o que só acontece numa esfera moral mais elevada.
A mãe corresponde ao inconsciente coletivo, o filho ao consciente que se julga livre mas que sempre de novo fica à mercê do sono e do inconsciente. Dragão e serpente são representantes simbólicos do medo das conseqüências da quebra d tabu, da regressão para o incesto. São guardiões e defensores do tesouro. A ameaça do recém-nascido pela serpente é encontrado, nomeadamente, em Mitra, Apolo e Hércules.
O pai representa o mundo das ordens e proibições morais, é o representante do espírito que se opõe à impulsividade, impedindo-a (por isto em muitos mitos a serpente é enviada pelo pai). É este seu papel arquétipo, que lhe cabe inexoravelmente, sem interferir em suas demais qualidades pessoais. Subjugando à mãe, o herói torna-se igual ao sol e gera a si mesmo de novo.
O pai, seja como gigante ou animal perigoso, força a proibição do incesto. Como a mãe que dá a vida e torna a tratá-la como mãe devoradora, também o pai é paradoxal, pois vive seus instintos livremente e ao mesmo tempo personifica a lei que os proíbe. A diferença é que o pai não comete incesto enquanto o filho mostra tendências para o mesmo. O abatimento do touro evidentemente significa um domínio dos instintos animais, mas, secreta e ocultamente, também uma violação da força da lei, portanto uma usurpação dos direitos culposos. Toda inovação radical representa uma lesão de direitos tradicionais e por isso ocasionalmente um crime mortal. O herói vence seus instintos animais (o touro). O animal representa o instinto e a proibição, e o homem é homem porque vence os instintos animais. O herói sacrifica sua natureza animal. No mito do sacrifício, a renúncia à instintividade já não corre na forma da arcaica subjugação da mãe, mas através da renúncia da instintividade própria. A idéia primitiva do renascimento pela penetração no ventre materno se desloca tanto que o herói, já suficientemente adiantado na domesticação, ao invés de cometer o incesto, procura alcançar a imortalidade através do sacrifício da tendência ao incesto. Esta importante transformação só vem a completar-se totalmente no símbolo do Deus crucificado. Embora a árvore da vida tenha um significado materno, ela não é mais a mãe, mas um equivalente simbólico da mesma, a quem o herói sacrifica a sua vida. Não é possível imaginar um símbolo que pudesse reprimir a instintividade de modo mais drástico. Até o tipo de morte revela o conteúdo simbólico do ato: o herói pendura-se nos galhos da árvore materna ao ser atado nos braços da cruz. Ele, por assim dizer, se une com a mãe na morte, e ao mesmo tempo nega ato de união e paga sua culpa com a pena de morte. Por este ato de coragem máxima e máxima renúncia, a natureza animal é reprimida ao extremo, razão por que se pode esperar como resultado uma graça máxima para a humanidade, pois somente um ato desta natureza parece poder redimir a culpa de Adão, que consistiu numa instintividade irrefreada. O sacrifício justamente não significa uma regressão, mas uma transferência bem sucedida da libido para o equivalente simbólico da mãe, e com isto para o plano espiritual.
A psicanálise freudiana pressupõe que pode ver por trás da imagem (ou símbolo) seu “significado real”, ou latente disfarçado pelo significado aparente da imagem. Assim, imagens e símbolos não são mais do que sinais de um conteúdo reprimido e, principalmente, sexual. Avens afirma que Freud estava aparentemente disposto a sacrificar os valores da civilização em nome desta teoria, vendo “na peróla nada mais que uma doença da ostra, para reduzir a arte a termos de fantasia sexual, como se reduzisse um quadro aos seus componentes de tinta e tela”.


Excertos adaptados de Realidade e Imaginação, de Robert Avens, Arquétipos e Inconsciente Coletivo, Psicologia em transição e Símbolos da Transformação, de Jung, e Mito e Tragédia na Grécia Antiga, de Jean- Pierre Vernant e Pierre Vidal-Naquet

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A gente não quer só comida

ada berredveld


O caráter de alimento da substância ou deidade transformadora é
encontrado em muitos relatos de cultos: Cristo é o pão, Mondamin, o milho,
Dionisio, o vinho. Significa algo a ser assimilado. É a influência nutritiva dos
conteúdos inconscientes, os quais mantêm a vitalidade da consciência através de
um influxo energético contínuo, uma vez que a consciência não produz sua própria
energia.
(Jung)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gaia e Urano



http://www.scribd.com/doc/16033906/Teogonia-Sumario (A história está melhor contada neste sumário da Teogonia, de Hesíodo, mas vale a interpretação do Vernant)

Na origem do mundo há o Chaos, vazio indiferenciado, abertura sem fundo. Opondo-se há Gaia: a estabilidade. Gaia aparece, e as coisas tomam forma. Gaia não é somente a estável, é mãe universal, que engendra tudo que existe, tudo que tem forma. Ela começa criando por ela mesma, sem Eros, fora de toda união sexual, o seu contrário masculino: Urano, o céu macho. A ele, Gaia se une para produzir uma linhagem de filhos que, mistura dos dois princípios opostos, tem já uma individualidade, um traço preciso, mas permancem ainda seres primordiais, potências cósmicas. A união do céu e da terra se faz de maneira desordenada, sem regra, numa quase confusão dos princípios contrários. O céu jaz ainda sobre terra, cobrindo-a inteira. Sua progênie, na falta de distância entre os dois pais cósmicos, não pode desenvolver-se durante o dia. Os filhos permanecem assim escondidos em vez de revelar sua forma própria. Gaia então se irrita contra Urano. Ela diz para um de seus filhos- Cronos, espreitar o pai e castrá-lo, enquanto ele se expande sobre ela à noite. Cronos obedece a sua mãe. O grande Urano, mutilado com um golpe de foice, retira-se de cima de Gaia, amaldiçoando seus filhos. Terra e céu estão separados, cada qual permenecendo imóvel no lugar a que pertence. Entre eles abre o grande espaço vazio, onde a sucessão de Dia e Noite revela e mascara alternadamente todas as formas. A partir de então é no princípio do outono que o céu fecundará a terra com a chuva do seu sêmen, que a terra gererá ávida da vegetação e que os homens deverão celebrar a união sagrada das duas poetências cósmicas. Uma união à distância num mundo aberto e ordenado onde os contrários se unem permanecendo distintos um do outro.
Este rasgo entretanto no qual o ser vai poder inscrever-se foi obtido a preço de um crime monstruoso pelo qual será preciso pagar: não se poderá mais isolar as forças do conflito e as da união.
Os testículos ensangüentados de Urano caíram em parte sobre a terra, em parte na água. Na terra deram origem às Erínias, às Ninfas Mélias e aos Gigantes- todas potências de “vingança de sangue” e de guerra, que presidem lutas e afrontas, e, no mar, eles deram origem à Afrodite.
A separação do céu e da terra inaugura um universo, onde os seres se engendram por união dos contrários, num mundo pautado pela lei de complementariedade entre opostos, que ao mesmo tempo se afrontam e se harmonizam.

Fonte: Mito e Tragédia na Grécia Antiga, Jean-Pierre Vernant e Pierre Vidal-Naquet

Ésquilo e a justiça divina


Morreu, quando uma águia lhe atirou uma tartaruga na cabeça, tomando-lhe o crânio por uma rocha



Ésquilo lutou nas Guerras Médicas- Maratona e Salamina, e por duas vezes viu sua pátria ameaçada triunfar. Combater contra o invasor bárbaro é o maior mérito reinvidicado por ele, que começou a escrever suas tragédias aos 25 anos, ano 500.
O primeiro concurso foi ganho em 484, entre as Guerras Médicas. Das cem tragédias que deve ter escrito, a tragédia mais antiga e conhecida é Os Persas (histórica), representada em 472, depois O sete contra Tebas (467), As Suplicantes (depois de 468, provavelmente 463), Prometeu acorrentado (data desconhecida, autenticidade contestada) e Orestéia (458).Ele saiu de Atenas e retornou à Sicília, convidado pelo tirano Hierão, que igualmente vitorioso sobre outros bárbaros sentia-se feliz de ver associadas as duas vitórias, louvadas pelos poetas.

A existência da justiça divina é manifesta em suas obras. Nelas, deixa claro que os deuses dão uma mãozinha, mas os homens colaboram, lutando e defendendo- são heróis. Trata do impacto dos dramas individuais sobre os grupos humanos. É um mundo que aspira a ordem, mas que se move no mistério e no medo, onde reina a violência. Io, a jovem transformada em novilha, corre em círculos, exaurida pela enorme mosca que não lhe dá trégua. Esse mundo, povoado de deuses, que quiséramos justos, é permeado de forças terríveis, heranças de crenças primitivas: o sangue derramado não desaparece, mas ganha vida, os mortos retornam, os homens são presas de pesadelos e visões, sacrifícios recusados, presságios. Há uma fé que tenta reconhecer nessas forças os marcos de uma justiça superior.

Os Persas é tratada do ponto de vista dos vencidos- Frínico, quatro anos antes, havia sido premiado em virtude de uma peça que tratava do mesmo tema e adotava a mesma perspectiva- As fenícias. Somente os persas e os deuses figuram na peça. O que confere importância ao drama vivido pelos persas é a descoberta progressiva do papel que nele desempenha a justiça divina.

Todos estão com o pensamento voltado para os deuses, vive-se no nível do sagrado, de que tudo depende deles- desígnios temíveis, desgraças devem traduzir a cólera dos deuses. Este poder que não age ao acaso, é severo, acarretando culpa e horror à impotência. A ação só decide pela intervenção dos deuses.

A justiça divina desorienta os modernos: ela pune os culpados por meio de seus filhos, por meio de novos crimes, lançando armadilhas. Deuses tudo podem, e homens tudo arriscam.

Ésquilo mostra que por trás dos homens existem grandes forças em ação que nos ultrapassam, nos dominam, mesmo que não tenhamos consciência disso. Os atos dos homens são intencionais, mas uma trama, cujo princípio lhes escapa.

Dá medo? A fé de Ésquilo na justiça divina está sempre acompanhada de temor.


Prometeu acorrentado

A peça transcorre toda entre os imortais e a única em que o princípio da justiça divina não é afirmado, nem confirmado. Tem-se duvidado de sua autenticidade. Só uma coisa é certa: depois de ter sido acorrentado, Prometeu, na trilogia, aparece como livre.

Na peça que se conservou, Prometeu é vítima de Zeus soberano, que não pratica justiça.

Além de Prometeu, Ésquilo imaginou o aparecimento em cena de Io, a jovem transformada em novilha e perseguida mundo afora por um gigantesco mosquito que a enlouquece. Tudo porque Zeus a amou.

Prometeu é um longo grito de dor, que soa como uma acusação. Traz à doutrina de Ésquilo sombras, recuos, mas com certeza da mesma espécie trágica com os sofrimentos de Prometeu e Io, situados além do plano humano, incompreensíveis, inevitáveis, mas destinadas a um fim.


Nele não havia nada de Afrodite (Aristófanes, As rãs)

No teatro de Ésquilo os homens são responsáveis por seus atos em relação aos deuses, os quais a qualquer momento podem irritar-se. São responsáveis também pelo grupo do qual estão encarregados e que a todo momento ameaçam arrastar para o desastre. Esta responsabilidade, de ordem cívica ou política, soma-se à primeira, contribuindo para conferir maior repercussão aos seus atos.

Por isso se vê na obra dele a presença de um ideal cívico e de uma determinada imagem do chefe. Os personagens vivem uma vida inteiramente humana, em função de seus deveres. Ésquilo interessa-se muito mais pelo seu papel de soberano do que pelos seus motivos e paixões. Seus personagens vivem, mas ele não está interessado em analisar-lhes a psicologia. Mostram-se pouco individualizados, nomeadamente, Clitemnestra. Ele aproveita para dar vida em suas histórias a várias imagens de soberanos e guerreiros cujos defeitos e virtudes definem os valores que lhe eram caros. Todas as peças exigem respeito pela vida, pelo povo, introduzindo a cidade, essencial na sua experiência e anacrônica com relação às lendas em que se baseiam.
Vida concreta e fundo religioso são características próprias do arcaísmo e não do classicismo, aos que ele desagradava.

Excertos adaptados de A tragédia grega, de Jacqueline de Romilly

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Disposição esquizofrênica





Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina



A arte subjugada e engolida pelo sentido, dissolvida. Nada vem de encontro de quem a contempla, "é mais estranho que o cu da jia e muito mais feio que um hipopótamo insone". É o feio, o doentio, o grotesco, o incompreensível e o banal- não para esclarecer, mas para disfarçar, um disfarce que não aproveita a quem está buscando, mas como névoa fria paira. Deve-se adivinhar não o que quer expressar, mas o que não consegue.

Édipo: aparência e verdade, por Karl Reinhardt



 Em Sófocles, Édipo não é apresentado tal como no mito (sage), isto é, filho do destino (tyche), como o bem aventurado que é acometido pelo acaso, que conquista um reino como estrangeiro, mas sim como virtuoso, o comandante, o auxiliador, o salvador, o homem de natureza real, amparado pelo favor dos deuses, que não age em causa própria, porém a favor de todos, e cuja palavra é a mesma para todos. Assim para estender seu alcance, para aumentar sua celebridade, ele é rodeado como um deus por uma procissão de suplicantes humildes: por sacerdotes anciãos e, principalmente, por um grupo de jovens, de modo que sua fala a eles soa com a de um pai aos seus filhos.
(Conforme Fustel de Coulanges, é evidente que os antigos reis da Grécia foram tanto sacerdotes quanto reis. Aristóteles escreveu: “O cuidado dos sacrifícios públicos pertence, segundo o costume religioso, não a sacerdotes especiais, mas sim a esses homens especiais que zelam pela dignidade do fogo público, a que chamamos aqui de reis, ali de prítanes, acolá, arcontes”. Estas três palavras forma por muito tempo sinônima. A principal função do rei era realizar cerimônias religiosas.)
 No começo da peça, Édipo é amparo e proteção de todos e no fim não resta e ninguém a seu favor, é negado a ele até mesmo o compartilhamento da luz. Entre estes dois extremos desenvolve-se o jogo de constelações demoníacas imperceptíveis como um único turbilhão que começa lentamente e se torna cada vez mais rápido.
 Conforme Karl, o tom do discurso real no início da peça, quando ele se dirige à procissão de suplicantes, reside na palavra do rei atado e obrigado por uma condição pública inata.
 A profecia do oráculo (que ele mataria o pai e envergonharia a mãe) é deslocada para longe do começo do drama e não vem à tona antes que a segurança esteja ameaçada, que a confiança tenha sido quebrada, não antes da desavença com Tirésias e Creonte. Parte sim da instrução do deus délfico de purificar o país da mácula do sangue derramado de Laio.Com isto àquele que procura é posta a tarefa de encontrar a si mesmo. Édipo é tomado por uma necessidade de comprometer-se, de por o descoberto, seguindo a determinação da revelação do deus, que Creonte trará.
 Assim desde o começo, Édipo se apresenta como aquele que revela o que está oculto, em cada gesto, cada palavra
O que sustenta a tensão do drama não é um destino já dado e que se desenrola durante o drama, tampouco um passado que se revela “fosse possível, não faria mais como antes desejava”. Karl sustenta que para os gregos de tempos arcaicos, “o destino não é jamais uma determinação, e sim o desdobramento espontâneo de forças demoníacas, como uma ordem imanente do acontecimento ao curso do mundo”.
(Em Robert Avens: “O politeísmo deve conduzir a” um reconhecimento, uma recordação (anamnesis no sentido platônico) de que os deuses e deusas vivem através de nossas estruturas psíquicas, que estão presentes na natureza fundamental do nosso ser e comportamento- mesmo como um mal-estar, mesmo como um espinho na carne da alma. Eles são universos ontológicos e de significado, dos quais minha vida pessoal participa. )
 O Édipo-rei não é, de modo algum, à diferença das outras tragédias gregas, uma tragédia do destino humano, apesar de ter sido considerada por tanto tempo, o modelo deste tipo de tragédia, no qual “o destino” sempre é subtendido como “liberdade”, e na verdade, como “liberdade de elevação”, tal como o compreendeu classicismo alemão. É antes a tragédia da aparência humana, em que a aparência é subtendida como o ser .
A luta e a resistência para sair da aparência (persona) têm início de modo imperceptível, mas já está presente no início da investigação, proposta pelo deus.
 Em Édipo a ameaça está ligada à subjetividade da esfera humana, ao âmbito da alma (suspeita de corrupção de Creonte/Tirésias). Karl expõe aqui neste episódio uma nova aparência, um tipo de aparência relacionada aos eventos, lidos e subjetivamente por Édipo. Esta fixação nasce da necessidade do iludido de possuir um inimigo que pudesse capturar para não perder sua própria segurança. Ele é uma aparência que se vê ameaçada, não pela verdade, mas pelo produto aparente de sua própria aparência.
 Édipo não vive em ilusão, mas na falsidade objetiva e na aparência: o que é isso que se oculta de mim e que se me impõe com tarefa a ser esclarecida? O que sou eu e qual é o meu próprio ser? Ambas as perguntas, por fim, se unem numa só. Todas as forças são dirigidas para o ponto onde tem origem a ameaça.
 Édipo amaldiçoa com a solenidade de um sacerdote e ao mesmo tempo com um animal de pêlo eriçado... que aumenta na mesma medida em que se torna mais claro a quem ela é dirigida, sem seu conhecimento, ao amaldiçoador ele mesmo.
 Sem supor as conexões entre os fatos, ele começa a converter-se no filho de seu pai; seu verdadeiro ser apodera-se dele antecipadamente de modo mágico..”Por isso, como se fosse o meu próprio pai, quero lutar pelo seu direito até o último momento...” Esta apropriação ocorre mediante o declínio. Aqui ainda aparente. Ser e aparência são irremediavelmente entrelaçados: ironia trágica.
O individuo está enredado na aparência e no ser, em cada palavra, em cada gesto daquele que está perdido. São os deuses invisíveis que exercem, a partir de um pano de fundo inapreensível, seu jogo com a aparência humana, e não é o poeta que joga com sua própria aparência ou com a aparência do teatro.
 Na cena com Tirésias há luta aberta entre a aparência e a verdade. Édipo está na aparência e é arremessado para fora dela.
 Um fragmento de todo enigma, da contradição do “nem dizer, nem oculta” mântico personifica-se em Tirésias.
 Esta inconsistência de Tirésias mostra o avanço em relação ao caráter divinatório da poesia mais primeva. É a mesma inconsistência entre a confusão de uma existência obstinada e limitada e a intervenção extramundana de um elemento demoníaco sem êxtase, sem se tornar o portador da divindade, o profeta pneumático, a mesma inconsistência que se apodera de Édipo.
 “Quando vais falar patife?”, diz Édipo. O ataque à resistência do adivinho une-se ao ataque de resistência do enigma, que coloca em perigo a aparência de Édipo.
 A situação final será apenas tornar visível aquilo que Édipo já é em essência ou mesmo aquilo que é de acordo com a aparência.
Para alcançarem seus objetivos, os oráculos preferem os desvios, eles têm a tendência de se consumarem no mesmo momento em que parece que o homem escapou deles. Sófocles elevou estes desvios à condição de drama.
 Édipo faz de uma suspeita passageira, uma verdade e investe contra Creonte. Não há em Creonte nenhum impulso que não seja dominado pela consciência, que não seja cumprido de maneira racional. Em Édipo a ratio serve apenas como uma resistência exterior, a fim de que o humano comece a se chocar com ela e se partir nela. Édipo não é capaz, mediante o sofrimento, de autoconhecimento algum e não carece dele, nem conjecturas. Ele luta em seu próprio círculo e não vê o que acerta e se acerta.
 O diálogo entre Édipo, Jocasta Creonte – a três, significa uma mudança de estilo, um progresso na técnica. Este diálogo serve como ascensão ao ponto culminante do episódio rico em mutações- um episódio ao qual, ao lado do contraste com as grandes superfícies também não falta em transições, meia-tintas, estados intermediários flutuantes.
 É Jocasta que oferece abrigo ao desorientado Édipo. Édipo e Jocasta lutam então pela mesma aparência, a qual simultaneamente os une e separa. Jocasta acredita que está protegendo tanto a si quanto a Édipo, quando de fato ele é lançado de encontro à verdade e se precipita no seu abismo. Parte da verdade começa a ser desocultada. O ser - humano contudo com medo que tudo desmorone, põe-se imediatamente a trabalhar para calçar o que ainda está em pé.
 Enquanto tudo parece levar Édipo ao reconhecimento dos atos e à descoberta de si - mesmo, permanece uma contradição na quantidade, afinal não foi um, mas muitos que assassinaram Laio.
 Irrompe o mensageiro anunciando a morte de Políbio, repentinamente, algo de espécie estranha, demoníaco. Tão logo Jocasta começa a fazer suas orações à Apolo, entra em cena como se fosse resultado da própria ordem divina, fazendo com que toda aflição pareça ter chegado ao fim.
 A partir daí se inicia os desenlaces numa atmosfera de abalos psíquicos. Todos os personagens que aparecem a Édipo- Creonte, Tirésias, Jocasta são basicamente a expressão de sua própria procura, desorientação e aparência (conseqüência, auxílio, ofensa), e os quais apareceram apenas na medida em que ele os chamou ou os encontrou.
 O mensageiro parece trazer a salvação num momento de necessidade, e logo Édipo sabe ainda menos diante do que se encontra. Mas é através deste mensageiro que fica sabendo que não é filho legítimo do morto.
 Os dois anciãos que salvaram o infante Édipo da morte são confrontados. São instrumentos inconscientes e menos importantes da fatalidade imposta pelos deuses.
 Há entre o começo e o fim do episódio, uma inversão interior. Se num primeiro momento foi Jocasta quem o exortou a confiar na “sorte”, na “providência”, na vida tal como ela se oferece, o que não significa leviano, mas não dar ouvidos ao que é sombrio e escuro, não romper o véu dos motivos que torna a vida incerta, pois, mediante os deuses, a vida do homem se torna incerta: então logo em seguida, Édipo denomina a si mesmo, procurando a salvação no interior do resto de aparência que lhe sobra, de “filho da sorte”, no mesmo instante em que Jocasta, em desespero é arrancada também do curso de sua vida.
 O engano coloca-se em Édipo como algo que espreita de todos os lados, como a fatalidade demoníaca originada na natureza e no mundo mais próprio do ser humano. Para Jocasta a fonte de seu medo e da sua esperança não é a verdade em si mesma, não é uma reação de sua própria essência, mas sim o homem que ela depende com suas condições e seus estados de ânimo. Sua razão é o ímpeto. Quando por fim ela está certa da desgraça, não é porque vê sua própria realidade, e sim como Édipo verá sua própria realidade.
 A monstruosidade de Édipo, resultado de sua necessidade, é a sua solicitude de assumir inclusive semelhante aparência, mesmo que persista apenas como aparência- por causa da vida, da vida dele, de modo como é a monstruosidade dele, - do cego, do amaldiçoado- mesmo que esta vida seja a verdade.
 Os lances xadrezísticos dos destinos exteriores não são ação no sentido propriamente dito e sim os modos das essências e dos movimentos, segundo a qual as duas almas acolhem a erupção da verdade.
 No Édipo Rei, o pathos não é de modo algum diminuído. Não tem o sentido como expressão da dor, mas da universalidade expressa pelo trágico propriamente dito.
 É o final de algo que já se tornou visível, que se expressa nos gestos e na incriminação de um cego que finalmente vê.
 Quando Édipo se cega, fisionomia natural e espiritual se entrelaçam numa só- não é o olho físico que toma consciência de seu passado. Somente nas trevas ele começa verdadeiramente a ver, conhecimento que nasce na noite da cegueira, que é o conhecimento em si.
 Ele pede que se abram os portões pra que vejam o cego que ele sempre foi.
 Mostrar sua condição é um ato trágico arcaico comum aos palcos.
 O desvelamento, como gesto e ato do autodesvelamento, não pode ser mais separado da essência do próprio Édipo.
 Depois, vem a súplica para que os outros o ocultem, o matem ou o joguem no mar, que não seja visto por ninguém- tudo isso o contradiz depois de ele mesmo ter gritado para ser conduzido à luz.
Contraditoriedade- é do patético e trágico em si mesmo. Ela se fascina a si mesma e afirma assim aquilo que no sofrimento nega.
 Surge Creonte, o homem não-trágico, aquele que é destituído de destino e estranho ao destino. Conserva imutável sua grandeza, a partir da qual apenas se pode medir toda a mudança: antes desprezado por Édipo, agora o melhor diante dos piores. À Édipo contrapõe única e somente o mero não trágico.
 De quem é a culpa? Em Édipo não se procura o culpado no sentido sacro e jurídico. O deus é mencionado como autor, mas para que o homem console o deus ou console a si próprio diante do deus, não para que lute com deus ou se aniquile diante dele por causa da sua culpabilidade, mas para apontar para a correlação entre homem e deus; mesmo a menção de deus é uma parte do ecce, a revelação de deus em sua coincidência com a revelação do homem.
 Apolo e eu- o fazer de ambos é coincidente. “Foi Apolo quem planejou e executou tudo isto, mas quem executou fui eu”
O que seria uma absolvição diante da contradição entre aquilo que ele presumiu ser e aquilo que ele é? Aparência e verdade são os opostos entre os quais o homem está atado, nos quais está enredado, e em cujos grilhões, segurando-se em algo humanamente mais elevado, ele se consome e se despedaça.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Somos tão inteligentes, mas Tegel continua assombrada


Jung debruçou-se sobre os pressupostos da igualdade, estudando a psicologia dos primitivos, na qual este pressuposto abrangia não apenas as pessoas, mas se estendia a todos os objetos da natureza, aos animais, plantas, rios, montanhas. Quem não se adaptava à regra geral era conhecido como bruxo, feiticeiro, cacique, curandeiro, assim também entre os animais existiam as doutoras-antas, doutores-pássaros, cujo título lhes era conferido sempre que um animal se comportava de modo incomum, desrespeitando a posição comum da igualdade, baseada numa consciência individual pouco diferenciada, produto tardio do desenvolvimento.
Sua forma primitiva é uma consciência grupal que, entre os primitivos ainda hoje existentes, está tão pouco desenvolvida que algumas tribos nem nome têm que possa diferenciá-las de outras tribos. Isto ainda hoje acontece em certas famílias que a gente não consegue dizer mais nada a respeito dos membros individuais a não ser como se chamam. Mas este não é o grau mais baixo de consciência, pois já acontece diferenciação. No primitivismo mais baixo temos uma espécie de consciência global, com inconsciência total do sujeito. Neste grau só existem acontecimentos, mas não pessoas que agem (povo grego antigo).
No mundo primitivo da humanidade, em vez de uma consciência individual, existia algo como que uma psique coletiva donde foi surgindo aos poucos, nos estágios mais elevados do desenvolvimento, a consciência individual. Condição indispensável para a existência da consciência individual é a sua diferenciação de outra consciência. “Poderíamos comparar o processo de desenvolvimento psíquico a um foguete que se desfaz num manto de estrelas multicolores”, afirma Jung.
Foi com dificuldade que a consciência saiu de seu sono original para aos poucos e desajeitadamente despontar. E não estamos nem um pouco adiantados nisto, nossa consciência atual é criança, que apenas começa a falar “eu”. Ui quantas vezes nos irritamos ou nos ofendemos quando alguém não participa de nossas convicções. Esta é uma reação primitiva que subsiste em nós, na nossa suposição de que aquilo que me agrada também agrada ao outro. Isto é “resíduo daquela noite primordial”, diz Jung, “onde não havia qualquer diferença perceptível entre eu e tu, e onde todos pensavam, sentiam e queriam a mesma coisa”. Se alguém não está de acordo, surge uma perturbação, que chega a despertar pânico. O incomum logo faz supor que seja algo perigoso e hostil. “Ainda se persegue a quem pensa de modo diferente, ainda queremos impor aos outros a nossa opinião”, considera Jung, “ainda se quer converter os pobres pagãos para livrá-los do inferno que os espera infalivelmente, temos inclusive medo de ficarmos sozinhos com nossa convicção”.
A igualdade coletiva é uma realidade primordial, origem e mãe de todas as psiques individuais. Mas apesar de qualquer consciência individual, continua existindo imperturbável como inconsciente coletivo, comparável a um oceano, vinculo comum de humanidade, sobre o qual flutua um navio- a consciência do eu. A inconsciência primitiva cerca nossa consciência individual.
Qualquer que seja o pano de fundo psíquico, fato é que a existência e o ser da consciência são por ele influenciados em larga escala e tanto mais quanto menos estivermos conscientes disto. Dificilmente o leigo poderá ter idéia do quanto é influenciado, em suas tendências, disposições de espírito e decisões, pelas obscuras realidades de sua psique e de quão perigos ou úteis são as forças dela ao comandarem o destino.
Mesmo o habitante de lugares altos e secos, perto de lagos e rios inofensivos, do “mundo normal”, que esqueceu o mar, não vive em segurança. O chão é frágil e a qualquer momento o mar pode avançar através das fendas. Emoções fortes abalam a consciência do eu: ficou fora de si, esqueceu-se de tudo, não dava para reconhecê-lo, ficou possesso, gostaria de sair da pele, há coisas que deixam a gente maluco. São distúrbios causados por afetos.
Para onde nos dirigir? Onde encontrar a luzinha de um pressentimento de outra coisa que possa contrabalançar o único mundo cotidiano que julgamos conhecer bem demais? Jung propõe um caminho: entender os sonhos. Ao que poderemos protestar, com indignação faustiana: Ai de mim, se nada souberes de melhor!

Inconsciente ou psique objetiva
Instinto sexual, instinto de poder, élan vital (Bergson), vontade (Schopenhauer) ou algo divino, o campo está livre a qualquer interpretação. Nada se sabe sobre este estranho perturbante a que Jung chama de inconsciente ou psique objetiva. E dar nome aos bois não resolve a questão, embora todas estejam certas na medida em que descrevem uma psicologia que tenha a ver com aquele que a compreende – Tu te pareces com o espírito que compreendes, está em Fausto, de Goethe.
Estamos acostumados a considerar que nossos processos psíquicos não têm objetividade alguma. Ao contrário que são as coisas mais subjetivas que se possa imaginar. Jung desafiaria: “Então você pode fazer desaparecer de imediato seus estados de ansiedade e suas idéias obsessivas. E o mau humor que o persegue já não existirá. Basta dizer a palavra mágica”.
Ficou reservado ao nosso racionalismo a tarefa de explicar o sonho a partir dos restos que sobraram do dia. Já Jung, a partir de sua experiência empírica, o entende como a porta pequena e oculta no interior e no mais íntimo da psique que se abriu na noite primordial que era psique quando não havia ainda consciência do eu. Toda consciência do eu é isolada, conhece coisas isoladas, à medida que separa e distingue e só vê aquilo que pode ser referido a este eu. A consciência do eu consiste em limitações, mas no sonho entramos no mais profundo, mais geral, mais verdadeiro e mais eterno da pessoa, quando ainda era o todo e o todo era nela, quando o eu se identificava com a natureza.
Esta profundidade escura é muito mais que um saco vazio. A consciência sim nada mais é do que aquele saco no qual nunca existe nada mais do que aquilo que nele “caiu”. O sonho nada mais é do que uma idéia inesperada. Aqui encontram-se os mais obstinados preconceitos de que os sonhos são como espuma, não são realidade, mentem, são apenas realizações de desejos.
Ocupar-se com os sonhos é uma espécie de tomada de consciência de si. Não é a consciência do eu que se dá conta de si mesmo, mas ocupa-se com o dado objetivo do sonho como um comunicado ou mensagem da psique inconsciente da humanidade. A gente se dá conta não do eu, mas daquele si-mesmo estranho que nos é próprio, que é nossa raiz da qual brotou, em dado momento, o eu. Ele nos é estranho porque dele nos alheamos através do extravio da consciência. Os sonhos provêm de nosso inconsciente e permitem tirar conclusões quanto à propriedade deste ser. Se quisermos, portanto, investigar nosso ser, os sonhos são os meios adequados.
Não é por acaso que a bíblia coloca como símbolo do paraíso, a harmonia entre plantas, animais, homens e Deus no começo de todo desenvolvimento psíquico, cuja primeira tomada de consciência foi um pecado fatal. Mas o que traz a divisão, une. "Não há que se odiar para depois amar?"...

Excertos adaptados de Psicologia em transição, de Carl Jung

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Reminiscências

almagnus

 Vi Peter Pan e aquele discurso todo de que para voar bastava acreditar. Joguei-me do beliche da cama.
 Parti uma laranja e tinha uma semente germinando lá dentro.
 Eu ensaboava as pernas, desmontava os prendedores de roupas e me depilava com eles.
 Lia todas as placas, meu pai odiava.
 Roubei dinheiro da minha mãe para comprar figurinhas. No caminho fui atropelada por uma bicicleta.
 Quando minha mãe tinha lancheria, treinava coreografias com minha irmã para nos apresentarmos aos clientes, ao som de Sidney Magal e Roberto Leal. Mas eles pouco apreciavam arte.
 Uma vez um homem, ao balcão, me desafiou a fazer este desenho, sem levantar a ponta da caneta do papel:


 Pulei a janela e achei uma carta num terreno baldio. Era de uma boneca que reclamava a indiferença e maus-tratos da dona e que afirmava adquirir vida enquanto os humanos dormiam. A partir dali dormia para que as minhas acordassem.
 Quando fui levar flores ao túmulo da minha mãe, li uma carta, destinada a outro falecido. Nela, o remetente dizia que o morto fazia falta nos jogos de canastra.
 Minha avó materna estendia uma colcha de retalhos no chão, nos dava tecidos, linha e agulha para fazermos roupas de bonecas. No meio da tarde, servia banana frita com açúcar e canela.
 Eu e a minha irmã fazíamos cintos de lã enroscados com adereços prateados ou dourados ou mesmo misturados e colocávamos à venda no bazar ao lado da rodoviária municipal, de onde vinham e iam os colonos. O empreendimento deu tão certo que pintei uma placa com tinta e esmalte Confecções Menina Moça e cravei na frente de casa. Minha mãe levou um susto quando chegou do trabalho.
 Mas antes, no caminho, ela reparou os mendigos embaixo do viaduto mais coloridos que nunca. “Negrinha, aquela calça azul não era a minha?”, perguntou-me.
 Embaixo do viaduto morava o senhor Jurandir com o sobrinho, entre outros. Ás vezes levava o menino para almoçar comigo. Um dia o senhor Jurandir me chamou e disse “Quero te morder todinha” e sorriu, sem nenhum dente na boca.
 Quando morava no Porto fui passar as festas de final de ano em Lisboa.O ônibus parou a meio do caminho num restaurante. Desci para tomar um café. Ao retornar, ele já havia partido. Então comecei a chorar. Um casal me colocou num carro, alcançou o ônibus e me pôs lá dentro novamente.
 Pensei que minha tartaruga- que conversava comigo assoviando, estava hibernando, mas tinha morrido.
 Tinha um peixe assassino que comeu todos os colegas que estavam com ele no aquário. Quando já não restava mais nenhum, ele ficou deprimido, ao fundo. Coloquei-o na área de serviço para tomar sol. Esqueci dele e quando voltei tava boiando. Cozido.
 Tinha um menino que eu gostava na primeira série. Ele sentava do meu lado e era filho do delegado. Um dia me curvei na cadeira para juntar minha borracha e peidei.
 Pintei-me de Globeleza, e meu ex gritou para eu por uma roupa, porque ia me gripar.
 Ele ganhou uma casa do pai que iríamos demolir para construir mais para o fundo do terreno. Um dia ele saiu do banho, enrolado à toalha, todo molhadinho, enquanto eu já estava deitada na cama. Num instante, desapareceu. O assoalho cedeu.
 Havia um rato, num dia de sol de verão, em frente à loja de 1,99. Ele estava praticamente desmaiado, deitado em frente à roda de um carro. Pedi um pedaço de jornal na loja e dobrei de forma que pudesse empurrá-lo para dentro do boeiro. Ele rapidamente se pôs em pé e me atacou com golpes de karatê.
 Nunca tinha ido num drive-in. À chegada, a moça nos perguntou: com paisagem ou sem paisagem? O cara me olhou e eu disse: “Com paisagem, claro!”. Era um cartaz do pôr do sol do Guaíba, grudado à parede.
 Trabalhei uns dois meses no Indiana Bill em Portugal- estas casas de recreação infantil. Um rapaz especial me fez descer tantas vezes com ele no escorregador inflável, a cada vez que a família batia palmas, que rasgou de cima a baixo o fundilho das minhas calças.
 Os velhinhos estavam todos em pé na parte da frente do ônibus, e um cara novo, bem sentado sem dar a mínima para isto. Eu já tinha passado a roleta, mas tava furiosa, doida para fazer barraco com a falta de consideração. Tava nessa, vou falar, vou falar. Foi então que ele virou a cabeça para trás e vi que era cego.
 Quando tinha nove anos fundei o jornalzinho da escola e tinha o privilégio de ter a chave da sala do mimeógrafo. Acho que aquilo me subiu para cabeça e comecei a confeccionar meus próprios livros de histórias com ilustrações e tudo.
 Comprei uma cadeira de balanço para fazer minhas leituras, mas me dá ânsia de vômito.
Bongo bong.

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Bibliografias

Bibliografia Núcleo de Dramatugia SESI SP

POÉTICA
Aristóteles (há várias traduções possíveis).
A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO
Eric Bentley – Coleção Palco e Tela
Zahar Editores, 1981
O DRAMATURGO COMO PENSADOR
Eric Bentley - Editora Civilização Brasileira, 1991
TEATRO GREGO – TRAGÉDIA E COMÉDIA
Junito de Souza Brandão - Vozes, 1984
PARA TRÁS E PARA FRENTE – UM GUIA PARA LEITURA DE PEÇAS
TEATRAIS
David Ball – Coleção Debates - Ed. Perspectiva, 1999
LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO
Jean-Pierre Ryngaert – Ed. Martins Fontes, 1998
TRÊS USOS DA FACA – SOBRE A NATUREZA E A FINALIDADE DO DRAMA
David Mamet - Ed. Civilização Brasileira, 2001
DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 1999
A ANÁLISE DOS ESPETÁCULOS
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 2005
MITO E REALIDADE
Mircea Eliade - Coleção Debates, Editora Perspectiva, 1972
TRAGÉDIA MODERNA
Raymond Williams - Ed. Cosac & Naify, 2002
PROBLEMAS DA POÉTICA DE DOSTOIÉVSKI
Mikhail Bakhtin - Forense Universitária,1997
O TEATRO ÉPICO
Anatol Rosenfeld - COLEÇÃO DEBATES – Editora Perspectiva, 1985
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Décio de Almeida Prado – COLEÇÃO DEBATES - Ed. Perspectiva, 1988
O TEXTO NO TEATRO
Sabato Magaldi – Ed. Perspectiva, 2001
TEORIA DO DRAMA MODERNO [1880-1950]
Peter Szondi – Cosac & Naify, 2001
TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
Hans-Thies Lehmann - Ed. Cosac & Naify, 2007
O RISO – ENSAIO SOBRE A SIGNIFICAÇÃO DO CÔMICO
Henri Bergson – Ed. Zahar, 1983
WRITING A PLAY
Gooch, Steve - A & C Black Publishers Limited. 2004
PlAYWRITING
Greig, Noel - Routledge, USA, 2005




Psicologia junguiana
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, SP, Cultrix, 1989
HILLMAN, James. Estudos de Psicologia arquetípica, RJ, Achiamé, 1981
JAFFÉ, Aniela. O Mito do Significado na Obra de C. G. Jung, SP, Cultrix, 1989
JUNG, Carl Gustav. Obras Completas, Petrópolis, Vozes
JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos, RJ, Nova Fronteira, 1964
JUNG, Carl Gustav. Memórias Sonhos e Reflexões, RJ, Nova Fronteira, 1961
NEUMANN, Erich. História da Origem da Consciência, SP, Cultrix, 1990
SILVEIRA, Nise. Imagens do Inconsciente, RJ, Alambra, 1981
VON FRANZ, Marie-Louise, C.G.Jung, Seu Mito em Nossa Época, SP, Cultrix, 1992
WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo, SP, Cultrix, 1994
ZWEIG, Connie, e ABRAMS, Jeremiah.(organizadores). Ao Encontro da Sombra, SP, Cultrix, 1994
HILLMAN, James. O Código do Ser, RJ, Objetiva, 1997
MINDELL, Arnold, O Corpo Onírico, SP, Summus, 1989
NEUMANN, Erich. A Criança, SP, Cultrix, 1991
SAMUELS, Andrew e Colaboradores. Dicionário Crítico de Análise Junguiana, R J, Imago, 1988
SHARP, D. Tipos de personalidade, SP, Cultrix, 1990
VON FRANZ, M. L. & HILLMAN, J. A tipologia de Jung, SP, Cultrix, 1990
BOLEN, Jean Shinoda. A Sincronicidade e o Tao, SP, Cultrix, 1991
CLARKE, J. J. Em Busca de Jung, RJ, Ediouro, 1993
FRANZ, Marie-Louise von. Adivinhação e sincronicidade, SP, Cultrix, 1985
HILLMAN, James. Suicídio e alma, Petrópolis, Vozes, 1993
HILLMAN, James. Uma busca interior em psicologia e religião, SP, Paulinas, 1985
PROGROFF, Ira. Jung, Sincronicidade e destino humano, SP, Cultrix, 1989
Tuiavii. O Papalagui, SP, Marco Zero. 1987
GUGGENBÜHL-CRAIG, Adolf. O abuso do poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. RJ, Achiamé, 1978
SANFORD, J. Os Parceiros Invisíveis, SP, Paulus, 1986
STEIN, Robert. Incesto e amor humano, SP, Símbolo, 1978
STEINBVERG, Warren. Aspectos Clínicos da Terapia Junguiana, SP, Cultrix, 1992
BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega, Petrópolis, Vozes, 1989
CAMPBELL, Joseph. O poder do mito, SP, Palas Athena, 1990
FIERZ, Heinrich Karl. Psiquiatria junguiana, SP, Paulus, 1997
HILLMAN, J. O mito da análise, RJ, Paz e Terra, 1984
KERÉNYI, Karl. Os Deuses Gregos/Os Heróis Gregos, SP, Cultrix, 1994
SALAND, N. S. A Personalidade limítrofe, SP, Cultrix, 1989
VON FRANZ, Marie-Louise. Reflexos da alma, SP, Cultrix, 1992
SAMUELS, Andrew. Jung e os Pós-Junguianos, RJ, Imago, 1989
SANFORD, John. Os sonhos e a cura da alma. SP, Paulinas, 1991
WHITMONT, Edward e S. Pereira. Sonhos um portal para a fonte,SP, Summus, 1995
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico, SP, Cortez, 2000
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia, SP, Ática, 1995
Brandão, Junito de Souza (1998). Mitologia Grega –– Petrópolis: Ed. Vozes, 1998, vol 2, pp. 113-140.
Byington, Carlos A.B. (2008). Psicologia Simbólica Junguiana – São Paulo: Ed. Linear B, 2008, capítulos 1, 2, 3 e 4.

Real é o que produz efeitos, Carl Jung

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