terça-feira, 29 de junho de 2010

Picasso



"Quando se começa um quadro , fazem-se muitas vezes belas descobertas. Temos de nos precaver contra elas. Temos de destruir a tela, trabalhá-la várias vezes consecutivas. Cada vez que o artista destroi uma bela descoberta, não a oprime no fundo, mas transforma-a, adensando-a, torna-a mais substancial. O que surge no final, é o resultado de descobertas rejeitadas. Se procedermos de outra forma, transformamo-nos nos "conhecedores" de nós próprios. Mas eu não vendo nada a mim próprio."

Terreira da Tribo


Contato:
Marta Haas
(51) 9893.1319

domingo, 27 de junho de 2010

O que procuro?
O teu nome.
Mas o teu nome secreto
aquele que não se encontra
nas letras do alfabeto


Yvette Centeno
(A Oriente, Colecção Forma, 1998)

Catarse

do grego Κάθαρσις "kátharsis") é uma palavra utilizada em diversos contextos, como a tragédia, a medicina ou a psicanálise, que significa "purificação", "evacuação" ou "purgação". Segundo Aristóteles, a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um drama

 110Cássia-guerra 038 029                   Cássia-guerra pato- 046      Cássia-guerra055 Cássia058 Cássia 061  062              

sábado, 26 de junho de 2010

Meto-me para dentro,

e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dão as boas-noites.
E a minha voz contente dá as boas-noites.
Oxalá a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, sem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.”

(Fernando Pessoa)

 

001

quinta-feira, 24 de junho de 2010

do autor enquanto ficção, por Luís Filipe Cristóvão



haverá algumas coisas a escrever sobre o livro a cabeça de fernando pessoa. algumas reflexões que foram sendo maturadas no seu processo de escrita ou, mais ainda, no seu processo de construção.

separo processo de escrita e de construção, porque os poemas, quando são escritos, obedecem a uma força do momento. o mais habitual é surgir uma frase, um título, um verso, que vai ecoando, durante dias, na minha cabeça. desse eco segue um momento em que as restantes palavras, o restante texto, se constrói e vai sendo escrito. obedece, unicamente, ao momento, a escrita primeira do poema. a construção, essa, tem já outro fito. da revisão dos poemas, da sugestão de ideia para o livro, persigo uma focalização dos textos, algo que os obrigue a ficar melhor organizados, na página, no livro. é esse trabalho que está cheio de reflexão sobre o que é e o que não é a poesia. e é aí que nasce a questão do autor.



porquê ficcionar o autor? porquê apelidar de ficção uma identidade que é real? numa só frase, porque a escrita me obriga a isso. a literatura infiltra-se, demasiadas vezes, demasiado tempo, na minha vida, e não podendo, nem querendo, lutar contra isso, assumo a personagem. o autor é uma ficção. não existe na realidade. nem aqui dentro desta sala, nem na rua, nem num café onde me encontrem poderão, alguma vez, encontrar o autor. porque o autor é soma de diferentes elementos que não se reúnem nunca nessa possibilidade que é uma pessoa de carne e osso a falar com uma outra. o autor só existe dentro da sua própria cabeça e na sua relação com o teclado e o ecrã ou com a caneta e o papel. em mais lado algum.



a cabeça de fernando pessoa não é uma decapitação. é antes um processo de acrescentar uma cabeça a um conjunto de obras. é isso que esse livro representa. a cabeça que faltava ao tronco e aos membros produzidos pelos meus livros anteriores. e porquê a do fernando pessoa? porque eu não tenho dúvidas quanto ao ele ser a figura maior da poesia em português. a figura mais abrangente, mais dominadora, mais experimentada e reconhecida. a qualquer lugar que um poeta deseje ir, o fernando pessoa passou por lá. num livro que recorre à tradição para se alimentar, teria que ser esta a cabeça presente.

abaixo do poeta, está a ideia de portugal. da portugalidade. o meu portugal que é o canto onde eu vivo, onde eu trabalho, onde eu passeio. onde estão a grande maioria das pessoas que conheço, das pessoas de quem gosto. onde tanta coisa me exaspera e me magoa, como só portugal consegue fazer sentir a um português. é disso também que está feito este livro. e se, muitas vezes, o tom parece de desilusão, essa desilusão não é para com o país, mas mais para comigo mesmo. como digo nas notas finais, há aqui uma crítica “aos políticos que não conseguimos ser”.

comecei por afirmar que haveria algumas coisas a escrever sobre este livro e acabo com a sensação de que nada adiantei. mas se há coisa que este livro consegue, é fazer com que eu não permaneça calado. coisa que, este texto, consegue.

texto lido durante a apresentação do livro A Cabeça de Fernando Pessoa, na Casa Fernando Pessoa, a 12 de Março de 2009.
Fonte: Teoriza-te



O escritor lusófono Luís Filipe enviou-me alguns poemas por e-mail e vou partilhar um fragmento de A Cabeça de Fernando Pessoa, que dá título ao quinto livro do autor:



Geração de 70?


Eu nasci em mil novecentos e setenta e nove,

escapei-me, por pouco, à exclusão da universidade,

primeiro porque um governo nos limitava as vagas

depois porque aos meus pais lhes faltou o dinheiro

necessário para pagar todas as taxas de inscrição.

Não me venhas com gerações –

a verdade é que desaprendemos a espontaneidade.



Portugal,

questão que trago comigo mesmo.

Sardinhas, bacalhau e bitoque.

Iscas, cozido e douradas.

Futebol o ano inteiro.

Mar com Berlengas ao fundo.

Esta sensação católica de ser.

A galinha da vizinha tão melhor que a minha.

Quatro canais iguais de televisão.



Está bem, lá vão outros fragmentos:



deixo, em cima da mesa, um caderno em branco onde possas guardar,

sempre que queiras, coisas da ordem do incomunicável ao próximo.

depois da morte, voltaremos ambos a estas páginas.

e procuraremos renascer no apagar das palavras.
 
(...)
 
a casa, de noite, é uma sinfonia.


nunca estamos sós, apagados.

sempre alguém, algo,

para nos dizer que existimos.
 
(Nove passos na escuridão)
 
 
 

Esta semana comecei um poema que fala de chuva e despedidas

chávenas de chá e borras de café, olhares quentes e polícias

e girassóis e livros e comboios e telefonemas com três palavras

e versos e poemas e músicas e abraços e insistências várias.

Esta semana comprei uma máquina de fazer olhares sensuais

e despi o meu casaco de senhor doutor para te dar as boas noites

e peguei num boné que era do meu avô e gritei golo algumas vezes

e fui ver o sol nascer no mar do lado de lá do lado de lá de mim.
 
(...)
 
Esta semana tu foste embora para dentro de um livro que eu escrevi


e os meus versos longos ficaram cheios de pedacinhos de ti,

eu sorrio ao ver crescer os meus filhos que ainda não nasceram

e entretenho-me a ver desenhos animados e a mudar de calendário.
 
(Semanário)
 
 

os homens vestem-se como homens

outros homens vestem-se como mulheres

outros homens vestem-se como lhes apetece

as avós olham-nos nos olhos e dizem que já somos uns homenzinhos

as mulheres vestem-se como mulheres

outras mulheres vestem-se como homens

outras mulheres nem sequer se vestem
 
(...)
 
e os solitários masturbam-se ao deitar e ao acordar


as senhoras casadas pegam em livros com delicadeza

os pobres de espírito vêem as fotografias

os ignorantes não percebem os sinais

os tristes vêem sempre tudo do lado de lá das lágrimas

os velhos são velhos e têm histórias para contar

os doutores dão-nos conselhos

as mães dão-nos conselhos

os pais dão-nos conselhos

as estrelas do roque dizem-nos para não seguir nenhum
 
(Lista de Compras)
 
 

assume o escritor a sua condição de lavrador

levando os joelhos a terra, deixando que os dedos

mergulhem no mar castanho onde nascem as videiras.

não se pense, no entanto, que lhe são desconhecidas

as distâncias entre a enxada e a caneta.

o que o escritor lavra, neste gesto repetido,

é a comunhão do homem com a terra.
 
(...)
 
mas onde está a realidade?


não está nas páginas dos livros

-diz o escritor, ombros encolhidos,

a limpar as mãos sujas de terra nas calças.

o leitor, o que se viu em letra, de olhos vermelhos,

para além da verdade e da mentira,

chora a lucidez do criador.
 
(Prefácio)
 
 

Onde afinal tem início o poema

que se está escrito alguém o esqueceu em cima da mesa

como as cascas de fruta três dias

os restos dos cereais uma semana

o bilhete do metro três horas

quem esteve nesta casa antes dela ser

outros braços tantos em minha volta

telefonas-me como no cinema

tenho sorte de estar assim gostarem de

e eu choro na noite vazia sem dizer a ninguém.
 
(E como ficou chato ser moderno)
 
 
 

O poema é daí, desse mesmo lugar onde talvez já nos tenhamos esquecido

de que a vida é mesmo assim, feita de torrentes de palavras a povoarem-nos

o cérebro e a boca, com pequenos intervalos em que nos deixamos adormecer

em frente a uma página de publicidade publicada num jornal nacional.
 
(Para uma política do real)



Queres mais?
Germina Literatura


Mais?
Compra os livros, mas ainda não foram publicados no Brasil.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cursos de movimento e expressão cultural na Espanha




Cursos de Verano - Julio 2010
... SENTIR ... percibir ... Explorar ... Aprender expresar ... ... ... crear Comunicar
... Como profesional formarse ... UM formarse um ayudar los demas ...


 MOVIMIENTO Y SALUD

  • Eutonia - Masaje [ Educarnos para la ternura] - Benito Joaquín VallejoEl Arte del y del tacto en las relaciones Contacto Humanas . Masaje , relajación , sensorial estimulación ... , Parágrafo producir una mejor integración psíquica - corporal. Educar el tono , actitud la , la atención , la percepción , y el el tacto Contacto , la comunicación , las relaciones .


Domingo
4 de julio - De 9 a 14 horas - 50 €



  • Relajación - Antiestrés - Benito Joaquín Vallejo

    Introducción relajación UM práctica de Diferentes MÉTODOS: Concentração , corporal visualización , Tensão - distensão , y otros Respiración . Por Descubrimiento CADA uno del método se adapta Que Características mejor personales do SUS. Relajación en la vida cotidiana .


     5 Lunes, Martes 6, 8 jueves , viernes 9, 12 lunes , martes 13, miércoles 14, jueves , 15 de UM 9,30 10,30 horas - 80 €




  • Gimnasia Natural - Marisa AlonsoRealización del movimiento natural , Armonico libre y equilibrado . Hacer un cuerpo sensível , Flexível , tensiones Pecado bloqueos ni .5 Lunes, Martes 6, 8 jueves , viernes 9, 12 lunes , martes 13, miércoles 14, jueves , 15 de hum 10,30 11,30 horas - 80 €
Lunes jueves 19 a 22 -
de 10 30 a 11,30 - 40 €

  • Salud postural - Benito Joaquín Vallejo
    Realización de los movimientos correctos . Estabelecimento de las posturas adecuadas en el trabajo y la vida cotidiana . tensiones Erradicar las dolencias y las .
    5 Lunes, Martes 6, 8 jueves , viernes 9, 12 lunes , martes 13, miércoles 14, jueves 15, de 12 a 13 horas - 80 €




 DEL MOVIMIENTO Y ARTE CREATIVIDAD

1. Dança Butoh - Laura Amor




La danza japonesa " butoh " Técnicas Combinação tradicionales danza europea expresiva con. Explora la tremenda energía en el " Cuerpo Vacío "/" Ojos Abiertos "/" Músculos Muertos "," Ausência de Poder "," Gran Fuerza "y Energía Entre contradicción / Movimento imaginacion /. Ir y más allá de la personalidad inmediata descubrir capas más del Ser profundas .

Sábado 3 de julio de 9,30 UM y 14 de 16 a 19,30 horas - 80 €

  1. y Creatividad Expresión - Marisa AlonsoDespertar al cuerpo como un órgano y expresión de la emoción fundamental utilización del movimiento Mediante . Adquirir n Recursos improvisación la , la Comunicación y Creatividad la, uno mismo Desde y con los demas .
Del 5 al 15 de julio de lunes a jueves - De 17 a 19 horas - 160 €
Del 19 al 22 de julio "-" " - 80 €


Improvisación Composición y del Movimiento en el espacio - Mercedes Ridocci

  1. El espacio sin el movimiento Que lo construye , vacío es , el cuerpo sin al espacio Que es dirigirse exánime .
    El nacimiento de la expresión Desde el cuerpo se une a la necesidad de Calificar el movimiento UM través de su en el espacio Precisión (...) En los impuestos Vínculos por la Geometria , El Observador podrá fácilmente reconocer el controle geométrico de la danza " libre "en el espacio . (R. V. Laban )
.
Del 5 al 8 de julio de 19 a 22 horas - 120 €


  1. Los elásticos Como medios para la Creatividad corporal - Mercedes Ridocci - Marisa Alonso

    Tejiendo el movimiento - Entre la
    Tensão - distensão ;
    sosteniendo tensiones ; Entre líneas de Resistencias .



    Del 12 al 15 de julio de 19 a 22 horas - 120 €

  1. La rítmica en la expresión del movimiento - Mercedes Ridocci
    El cuerpo , fuente de silenciosa y vibrante musicalidad

    Un día , cuando haya entrado la música en el corazón del hombre Profundamente mar y una con él , sin duda Será posible ... Danzas sin bailar acompañamiento de Sonoridades - (J. Dalcroze )

    Del 19 al 22 de julio de 19 a 22 horas - 120 € .

    PARA FORMADORES TALLERES
  1. Corporales Técnicas Aplicadas personas mayores UM especiales y Grupos . - Benito Joaquín VallejoEl Movimiento en su enfocado múltiple dimensión : como fuente de salud ; estimulación Como y sensorial mental; Como medio de expresión , comunicación con relación y los demas .
Del 19 al 22 de julio de hum 11,30 13,30 horas - 80 € .
10 y 11 de Julio 2010 / Andrea Buch / 150 euros.
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Alfa Institut es una asociación cultural Pecado Animo de Lucro .
Por esta razón los Pagos pueden Ser deducidos en la declaración anual de fazenda , en el apartado de gastos Inversiones y de interés cultural.

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Metros : Delicias Línea 3 Arganzuela / - Planetario Circular / Cercanías Delicias
Telf : 91 593 24 15 / 628.68.79.79
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Posfácio

(fragmento)

 

nenhuma frase é dona de si mesma -

e então o teatro que apresenta a frase não é dono de nada

mas só do recurso

de ganhar uma regra e recusar a regra ganha -

assim como a voz abdica no silêncio e o silêncio

abdica na voz para dizer apenas que é uma forma de silêncio -

um gênio animal inexplicável como uma queda no escuro -

enquanto as vozes são cada vez mais astrológicas e loucas -

e desaparecemos no silêncio levando com uma grande

leveza a queimadura inteira na cabeça

 

 

(Vocação Animal, Herberto Helder)

Exercício corporal

(fragmentos)


 
Experimentei esta liberdade: a de ver os dias moverem-se de um lado para outro dentro de semanas, enquanto eu lia, olhava, imaginava e dormia, e voltava para trás, lembrando coisas de uns e outros, coisas do dias, de tal modo que era tudo uma festa da confusão. Nessa altura a erva declarava-se por toda parte, o céu parara no alto e as montanhas aproximavam-se depressa, logo pela manhã. Cá está algo de muito curioso -  dizia eu, mas não me atrevia a tocar nas montanhas. À noite pensava numa espécie de dor que deveria existir dentro de mim, num daqueles trocados dias da semana, mas não sabia que dor era nem onde se encontrava.
(…)
Reparei que as cidades são vastas e que os homens respiram nelas e delas se alimentam, como se as cidades fossem pomares. Esta foi a minha nova liberdade, e pus-me a experimentar o espaço quotidiano, carregando o meu talento pelas ruas e procurando nas pessoas os sinais da infusa sabedoria que vem da alimentação simples da fruta. Gostaria talvez de amar e ser amado mais depressa. Tocar nos casacos humanos durante a explosão e implosão do ar dentro dos túneis, fornicar a uma velocidade cósmica nas correntes de luz que espancam os labirintos centrais. Amor velozmente. Mas penso: A tua solidão é tão inacessível. Mal te tocam. Mal se apercebem de ti os que sobem e descem o metropolitano. E abri os braços, e fechei-os, e meti as mãos nas algibeiras para ser paciente.
(…)
Experimento então esta liberdade nova: Que desejas tu saber se é verdadeiro e que modo de verdade interessa à tua interior coisa verdadeira? – O amor, respondi eu, o amor. Desejo saber a verdade do amor, respondi eu, segundo a verdade do amor.
Não está mal, pensei bem dentro de mim, enquanto andava de um lado para outro dos dias, não está mal para começar.
Era então o amor. O amor queima as mãos, disse a minha pequena sabedoria, e as vísceras. A ciência também queima as mãos. E o medo também. Tudo queima as mãos. Precisas escolher o teu fogo.
Escolho o fogo do amor, respondi eu. E experimentei esta nova liberdade.
(…)
Que coisa era o amor para que eu o amasse assim? O amor é escrever-me, transcrever-me, traduzir-me, colocar-me. É pegar em mim, e pôr-me ao mesmo tempo dentro e fora de mim; e reconhecer outra pessoa, trazê-la, reescrevendo-a, e pô-la dentro e fora de si, e tudo se encontrar. E o tempo? O tempo no tempo. E o lugar? O lugar no lugar.
Mas isso mata- pensei eu.
Sim, isso mata – respondi. – Isso queima as mãos e mata verdadeiramente.
 
 
(Vocação Animal, Herberto Helder)

Artes e ofícios

(fragmento)

 

Depois perco a memória e cresço como uma criança atordoada.

Primeiro as mãos, depois a loucura – uma extensão de sal.

Também conheço a cabeça com seus anéis de granito, seus internos silêncios

debruçados, e o baque fatal das águas brancas.

Conheço montanhas de cor independente tremendo no ar.

Os anos descem e sobem através da minha dor, cerca-se o corpo de sombrias

campânulas vivas, o amor é vertical, horizontal – como um incêndio, uma

paisagem.

Pergunto pelo que fiz do meu sono, e grandes vozes corrompem-me o coração.

Que fiz eu – pergunto – da ciência do meu sono?

E vejo as câmaras carbônicas e frias de um extenuante coração.

 

 

(Vocação Animal, Herberto Helder)

Poemacto

(fragmento)

 

Sei que os campos imaginam as suas

próprias rosas.

As pessoas imaginam seus próprios campos

de rosas. E às vezes estou na frente dos campos

como se morresse;

outras, como se agora somente

eu pudesse acordar.

 

 

(Vocação Animal, Herberto Helder)

Elegia múltipla

(fragmento)

 

Dentro dele batiam as portas, e ele corria

pelas portas dentro, de dia, de noite.

Passava para todos os corpos.

Como em alegria, batia nos olhos das ervas

que fixam estas coisas puras.

Renascia.

 

(Vocação Animal, Herberto Helder)

Fonte

(fragmento)

Imagino que seria possível tocares porventura

a minha boca. Tocares-me tão viva ou tão misteriosamente

que eu estremecesse nas traves

de cega inspiração. Poderias estar vergada sobre os meus

ombros, até que as lágrimas

na minha boca se confundissem com a ansiosa subtileza

dos teus dedos, e eu me sentisse

perdido entre os pilares e os túneis das cidades

ressoantes.

(Vocação Animal, Herberto Helder)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Fotoferida- Oficina Gratuita


No dia 29 de junho, o Arte Sesc – Cultura por toda parte realiza em Porto Alegre a “Oficina de Fotoferida”. Ministrada por Rodrigo Uriartt, a oficina tem como público-alvo pessoas com idades entre 8 e 80 anos. A aula abordará técnicas alternativas de fotografia, em encontro único que terá explanação técnica e atividades práticas. A “Oficina de Fotoferida” se propõe a originar um espaço de criação onde o mero consumidor se transforma em produtor/pensador de imagens, reciclando cópias fotográficas comuns, que muitas vezes são descartadas por problemas técnicos, em objetos pictóricos de cunho pessoal e original.

A atividade tem inscrições gratuitas e acontecerá das 15h às 17h, no Sesc Centro (av. Alberto Bins, 665 – Sala Érico Veríssimo – 3° andar). Informações no Sesc pelo telefone (51) 3284-2000 ou através do site www.sesc-rs.com.br/artesesc.

expressões

Invasão ao jardim de Bosch


O fruto



Ela



A Casa do Pai

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O amor em visita

Porto, Portugal

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Simbologia do motivo "animal"

Para Jung
Ø A imagem do animal simboliza a natureza primitiva e instintiva do homem.

Ø Formas animais designam movimentos e experiências psíquicas, que surgem freqüentemente nos sonhos e em outras manifestações do inconsciente.

Ø Quanto mais primitivo o animal, mais profundo o extrato do inconsciente que ele representa.

Ø Conteúdos das camadas mais profundas da psique tornam-se mais difíceis de assimilar, pois estão mais afastados da consciência comum.(Ex.: cavalo e cobra)

Ø A maneira pela qual os animais nos aparecem nos sonhos e desenhos indica a nossa atitude em relação ao inconsciente.

Ø simbolismo associado a um animal baseia-se em seus atributos naturais; as associações do sonhador com o animal são relevantes.

Ø Reconhecido e respeitado na vida do indivíduo, o “ser animal”, que é a sua psique instintual, permite desenvolver uma relação com os padrões instintivos intimamente gravados presente nos seres humanos, podendo proporcionar criatividade, refletindo o significado e a sabedoria coletiva.

Para Hillman
Ø A imaginação é, ela própria, um grande animal, ou uma arca de imagens, que estão todas vivas e se movem independentemente. Elas vêm e vão. Em todos os formatos e tamanhos.

Ø Entende o animal isento de projeções, nossa percepção e compreensão sobre eles está conectado nas vivências, conceitos, parâmetros e histórias humanas.

Ø Estamos sempre interpretando e buscando um significado para atender a nossa necessidade de esclarecimento, e os documentários sobre a vida animal são reflexos destas interpretações.

Ø Preocupação com a extinção e o paradoxo desta: documentários e reportagens proliferam na TV, na mesma medida que estes animais estão desaparecendo do planeta.

Ø Animais como eternas imagens arquetípicas, como habitantes da imaginação, podem morrer, mas não ir embora.

Ø Fascinação com os dinossauros, ou espécies extintas ou lendárias é uma demonstração da autonomia e imprevisibilidade do animal interior, que continua se desenvolvendo na imaginação.

Ø É pela imagem que os animais se reconhecem, e talvez, nos reconheçam, e nós ao olharmos para eles possamos nos reconhecer.

Ø Os sonhos podem estar refletindo a forma de comunicação natural entre os seres, a aparência física, a imagem, sua beleza e traços individuais.

Ø É fundamental que, ao olhar para o animal estamos desenvolvendo a nossa subjetividade.

Ø Talvez, esta seja a função maior da imagem, nos fazer descobrir a subjetividade.

Ø Quem somos, aquilo que nos forma e nos organiza sob o jugo de qual fantasia arquetípica.

Ø Para Hillman os animais acordam a imaginação. Os sonhos com animais podem fazer isso também – despertam as pessoas, provocam os seus sentimentos, as faz pensativas, interessadas e curiosas.

Ø À medida que penetramos na imaginação, nós nos tornamos mais parecidos com os animais – não bestiais, mas, mais vivos instintivamente e com mais compreensão, um nariz aguçado e um ouvido afiado.

Ø Os animais do mundo refletem nossos seres interiores – Os contos com animais nos fazem retornar para este ser interior, ajudando-nos, adultos e crianças a nos instruirmos sobre nós mesmos.

Ø Nos sonhos, nossas almas se encontram com outros seres, como imagens. Os sonhos são passagens abertas através do fundo em comum que todos compartilhamos, possibilitando a intercomunicaçao das almas.

Ø Se compartilhamos com vários seres o planeta, os elementos, as subestruturas genéticas, compartilhamos também o mesmo campo psíquico.

Ø Todos temos a mesma origem na natureza, nós humanos não somos os personagens principais no mundo dos sonhos. Estamos, sob este prisma, na mesma condição de igualdade com toda a manifestação animal.

Fonte: O símbolo animal e os sonhos, monografia de Cristiane Ennes Fridlund

Secretos e plácidos

domingo, 20 de junho de 2010

Cria teu e-book!

Bibliografias

Bibliografia Núcleo de Dramatugia SESI SP

POÉTICA
Aristóteles (há várias traduções possíveis).
A EXPERIÊNCIA VIVA DO TEATRO
Eric Bentley – Coleção Palco e Tela
Zahar Editores, 1981
O DRAMATURGO COMO PENSADOR
Eric Bentley - Editora Civilização Brasileira, 1991
TEATRO GREGO – TRAGÉDIA E COMÉDIA
Junito de Souza Brandão - Vozes, 1984
PARA TRÁS E PARA FRENTE – UM GUIA PARA LEITURA DE PEÇAS
TEATRAIS
David Ball – Coleção Debates - Ed. Perspectiva, 1999
LER O TEATRO CONTEMPORÂNEO
Jean-Pierre Ryngaert – Ed. Martins Fontes, 1998
TRÊS USOS DA FACA – SOBRE A NATUREZA E A FINALIDADE DO DRAMA
David Mamet - Ed. Civilização Brasileira, 2001
DICIONÁRIO DE TEATRO
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 1999
A ANÁLISE DOS ESPETÁCULOS
Patrice Pavis – Ed. Perspectiva, 2005
MITO E REALIDADE
Mircea Eliade - Coleção Debates, Editora Perspectiva, 1972
TRAGÉDIA MODERNA
Raymond Williams - Ed. Cosac & Naify, 2002
PROBLEMAS DA POÉTICA DE DOSTOIÉVSKI
Mikhail Bakhtin - Forense Universitária,1997
O TEATRO ÉPICO
Anatol Rosenfeld - COLEÇÃO DEBATES – Editora Perspectiva, 1985
O TEATRO BRASILEIRO MODERNO
Décio de Almeida Prado – COLEÇÃO DEBATES - Ed. Perspectiva, 1988
O TEXTO NO TEATRO
Sabato Magaldi – Ed. Perspectiva, 2001
TEORIA DO DRAMA MODERNO [1880-1950]
Peter Szondi – Cosac & Naify, 2001
TEATRO PÓS-DRAMÁTICO
Hans-Thies Lehmann - Ed. Cosac & Naify, 2007
O RISO – ENSAIO SOBRE A SIGNIFICAÇÃO DO CÔMICO
Henri Bergson – Ed. Zahar, 1983
WRITING A PLAY
Gooch, Steve - A & C Black Publishers Limited. 2004
PlAYWRITING
Greig, Noel - Routledge, USA, 2005




Psicologia junguiana
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo, SP, Cultrix, 1989
HILLMAN, James. Estudos de Psicologia arquetípica, RJ, Achiamé, 1981
JAFFÉ, Aniela. O Mito do Significado na Obra de C. G. Jung, SP, Cultrix, 1989
JUNG, Carl Gustav. Obras Completas, Petrópolis, Vozes
JUNG, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos, RJ, Nova Fronteira, 1964
JUNG, Carl Gustav. Memórias Sonhos e Reflexões, RJ, Nova Fronteira, 1961
NEUMANN, Erich. História da Origem da Consciência, SP, Cultrix, 1990
SILVEIRA, Nise. Imagens do Inconsciente, RJ, Alambra, 1981
VON FRANZ, Marie-Louise, C.G.Jung, Seu Mito em Nossa Época, SP, Cultrix, 1992
WHITMONT, Edward C. A Busca do Símbolo, SP, Cultrix, 1994
ZWEIG, Connie, e ABRAMS, Jeremiah.(organizadores). Ao Encontro da Sombra, SP, Cultrix, 1994
HILLMAN, James. O Código do Ser, RJ, Objetiva, 1997
MINDELL, Arnold, O Corpo Onírico, SP, Summus, 1989
NEUMANN, Erich. A Criança, SP, Cultrix, 1991
SAMUELS, Andrew e Colaboradores. Dicionário Crítico de Análise Junguiana, R J, Imago, 1988
SHARP, D. Tipos de personalidade, SP, Cultrix, 1990
VON FRANZ, M. L. & HILLMAN, J. A tipologia de Jung, SP, Cultrix, 1990
BOLEN, Jean Shinoda. A Sincronicidade e o Tao, SP, Cultrix, 1991
CLARKE, J. J. Em Busca de Jung, RJ, Ediouro, 1993
FRANZ, Marie-Louise von. Adivinhação e sincronicidade, SP, Cultrix, 1985
HILLMAN, James. Suicídio e alma, Petrópolis, Vozes, 1993
HILLMAN, James. Uma busca interior em psicologia e religião, SP, Paulinas, 1985
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Real é o que produz efeitos, Carl Jung

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