domingo, 3 de outubro de 2010

Pictorialismo

 

Struggle, fotografia de estilo pictorialista de Robert Demachy à borracha bicromatada, c. 1904

 

 

O pictorialismo é uma corrente fotográfica de pretensões artísticas que se desenvolveu em âmbito mundial (principalmente na Europa, Estados Unidos e Japão) entre os finais dos anos 1880 e o final da primeira guerra mundial. O nome do movimento deriva do termo inglês picture (imagem, quadro, pintura, fotografia) e não de paint (pintura), razão pela qual resulta errôneo falar de fotografia pictórica ou pictoricista, termos que viriam a referir à fotografia academicista, corrente que se encontra muito relacionada com a pintura.

Surge como reação à fotografia vulgar e a comercialização da câmara fotográfica instantânea Kodak, estendendo-se rapidamente por todo mundo. Também se contrapõe à Fotografia academicista reivindicando os valores próprios da fotografia para a realização de obras de arte em plena igualdade com outras disciplinas artísticas (pintura, escultura, arquitetura,...). 

Os fotógrafos do pictorialismo definem-se como fotógrafos e artistas na linha das teorias do romantismo próprias do século XIX, destacando a sensibilidade e inspiração dos autores e outorgando um papel secundário aos conhecimentos técnicos (tal e como fazia Julia Margaret Cameron). Distanciam-se da realidade para que suas fotografias sejam só imagens e não uma mera reprodução da realidade, motivo pelo qual procuram deliberadamente o desfoque ou efeito floue. Formalmente, a resolução plástica derivada da imagem borrada, e os temas que elegem os pictorialistas assinalam uma forte influência do Impressionismo.

Idéias e Técnicas

O pictorialismo supõe uma seleção dos temas (Paisagem - Dias nublados, de chuva, de nevoeiro,.... e todos aqueles nos que os agentes atmosféricos não permitem que as imagens sejam nítidas / Retrato - Se elegem principalmente figuras femininas, e igualmente se procura essa opacidade / Alegorias / etc..).

Entre o tema selecionado e a câmara colocam-se filtros, ecrãs e demais utensílios que impedem ver claramente. Igualmente recorrem à utilização de jogos de luzes e sombras.

Não se foca deliberadamente para provocar um efeito similar à pintura impressionista (é por isso que o pictorialismo é também conhecido como fotografia impressionista).

Também se atuava na fase de revelação e empregando-se papel especialmente adequado para as manipulações. Acrescentava-se carvão, bromóleo, borracha bicromatada ou outros pigmentos às emulsões, procurando tornar a imagem similar ao desenho,  etc. Surge assim o conceito de impressões nobres.

A idéia principal era procurar um resultado diferente ao das imagens tradicionais. Por sua manipulação, conhecida como impressões nobres, nunca resultavam iguais, mesmo partindo de um negativo inicial. Estas técnicas impediam a multiplicidade de cópias, já que as obras eram únicas. Chegou-se inclusive a destruir o negativo para impedir cópias das imagens.

Desenvolvimento histórico

Antecedentes

Os precedentes do pictorialismo vêm constituídos pelas figuras de Julia Margaret Cameron e Henry Peach Robinson. Havia uma série de comportamentos (ou técnicas)-  como o uso de objetivas inadequadas, que visavam o  efeito floue. Henry Peach Robinson veio a ser o apoio teórico do movimento, graças a sua obra Efeito Pictorial em Fotografia, 1869, bem como o inspirador do nascimento de grupos adeptos ao pictorialismo.

O nascimento do pictorialismo

O ponto de partida do movimento vem determinado pela publicação em 1889 do livro Naturalistic Photography de Peter Henry Emerson, onde seu autor defende que a imagem floue correspondia à visão normal e superava todas as formas artísticas, por influência dos pintores impressionistas.

A partir deste momento, surgem novos grupos e associações dedicadas à busca de uma fotografia artística construída sobre os valores próprios da fotografia. É esta uma postura estética claramente diferenciada das inquietudes das primeiras associações dedicadas à investigação técnica.

O primeiro impulso para a criação fotográfica do pictorialismo foi do Câmera Clube de Viena, ao organizar em 1891 uma exposição de fotógrafos aderidos ao pictorialismo. Um ano mais tarde, em 1892, cria-se em Londres o Linked Ring com o objetivo de uma exposição, cujo lema era Liberty-Loyalty. Convidaram fotógrafos da Europa Continental e dos Estados Unidos. A partir deste momento, os grupos multiplicaram-se por toda a Europa, chegando o pictorialismo aos Estados Unidos e a outros continentes, animados por jovens fotógrafos desejosos de demonstrar os valores artísticos da fotografia.

Seus principais autores

Seus representantes mais destacados foram Peter Henry Emerson e Robert Demachy. Outros seriam Alvin Langdon Coburn, Heinrich Kühn, Léonard Missone, Comandante Puyo, James Craig Annan, Richard Polak, George Davison, Lionel Clark, Hugo Henneberg, Fred Holland Day, Gertrude Käsebier, Edward Steichen, Clarence Hudson White e Frederick Henry Evans.

Na Espanha destaca-se a obra de José Ortiz Echagüe e Joaquim Pla Janini.

Entre as associações de fotógrafos que aderiram ao movimento destacam-se os fundadores: The Linked Ring BrotherHood e o Câmera Clube de Viena; bem como o Câmera Clube de Londres, Câmera Clube de Nova York, Photo-Secession, Photo-Clube de Paris, Real Sociedade Fotográfica, Sociedade Portuguesa de Fotografia, Sociedade Fotográfica Argentina de Aficionados e a Japanese Camera Pictorialist of America. Eram coletivos elitistas que limitavam o acesso de membros e fotografias para suas exposições.

Estes grupos organizaram exposições, publicaram revistas, manifestos e textos teóricos e técnicos a respeito da fotografia como forma artística. Procuravam que as instituições de arte (a Academia, os Salões, etc.) reconhecessem seus trabalhos como obras de arte. Suas estratégias para conseguir este reconhecimento era o recurso da manipulação posterior da fotografia; para os pictorialistas, o negativo era equivalente à tela do pintor. A tomada carecia praticamente de interesse para os pictorialistas, ainda que em geral inclinavam-se por temas clássicos da pintura especialmente a impressionista: paisagem rural, retrato, nu e inclusive cenas de ballet (Demachy).

A decadência

Em 1910, o movimento tem seu ponto alto. Depois da primeira guerra mundial, decai. Os principais autores abandonam o movimento ante o Novo realismo fotográfico. Em situações isoladas, como na Espanha, continua  até o fim da Guerra civil daquele País.

Valoração

Os teóricos da fotografia não têm um julgamento uniforme sobre este movimento artístico-fotográfico. Uns defendem sua transcendência histórica, citando-o como primeiro movimento verdadeiramente artístico em fotografia. Outros reconhecem seus excessos e sustentam que os avanços em investigação fotográfica obtidos (tratamento da luz, trabalho em filme positivado, etc.) serviram de experiência para os fotógrafos posteriores que puderam recorrer às ditas técnicas sem cair nos excessos deste movimento. Alguns negam o valor fotográfico do movimento, qualificando-o como a não fotografia, já que suas obras não constituem  impressão da realidade e tampouco obtém-se  multiplicidade de cópias (não popularização) - qualidades básicas que se acham no conceito de fotografia.

Há também os que afirmam que o pictorialismo foi uma estratégia e um momento de transição necessária para iniciar a discussão sobre a "artisticidade da fotografia". Esta discussão abriu-se pelos pictorialistas na "manipulação" sobre a tomada, reivindicando o valor da destreza manual necessária para chegar a resultados "artísticos", reforçando a concepção clássica de autor-artista, afugentando a idéia de que a câmara é que realiza a imagem (independentemente de seu operador)- simplificação do ato fotográfico muito freqüente no século XIX. Obviamente, estes procedimentos representaram a negação do fotográfico em sua especificidade, numa contradição que se tornou insustentável pelos autores fotógrafos.

Esta discussão não foi resolvida em modo algum. Hoje  tem plena vigência já que alguns autores defendem os valores estéticos da imagem, enquanto outros fotógrafos sustentam o valor das imagens como depoimento social da realidade.

Em galerias de arte, salas de exposições, revistas... pode-se observar como a fotografia é utilizada por alguns como meio de reflexão artística e por outros como meio de reflexão social.

 

Fonte: http://pt.wikilingue.com/es/Pictorialismo

5 comentários:

  1. muito legal. O mundo é naturalmente desfocado (sou míope), já disse numa postagem. A excelência de foco não me deixa confortável, nem me é natural e tampouco soa verdadeiro.

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  2. legal... é verdade, massss.... vc sabe que a rebel xt tem um ajuste para miopia, né?

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  3. eu sei acertar o foco e já fiz o ajust na minha máquina, a única dificudade que estou tendo, por ora, é fotografar movimento com pouca luz, mas quarta a gente vai ter um encontro fotográfico com o professor Germano e quero esclarecer algumas dúvidas. Há algumas imagens que coloquei aqui que partem de fragmentação- roubo o segundo plano das fotos e faço delas uma nova imagem- adoro :). E fica como enxergo no meu dia-a-dia. Ai, olha, tô adorando experimentar. bj

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  4. sem sombra nem penumbra de dúvida :)
    Mas se vc quiser, existe uma rodinha bem pequena ao lado do visor que permite fazer ajustes de acordo com a miopia da pessoa. (www.lucianegodinho.com.br/exemplo.jpg)
    Bjs.

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